Pendências do Samu ficam para nova reunião em 15 dias

Apesar dos protestos, encontro dos sindicatos com a SES e a OZZ Saúde não avançou e apenas atraso de pagamento voltará a ser discutido

A segunda-feira (22) teve manifestação e muita conversa dos trabalhadores do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) da Grande Florianópolis, sindicalistas, representantes da SES (Secretaria de Estado da Saúde) e da empresa OZZ Saúde, responsável pelo serviço na região.

Entretanto, a reunião não trouxe resultados práticos para a categoria. Da ampla gama de reivindicações, apenas o atraso no pagamento de salários deve voltar à pauta, em novo encontro agendado para daqui a duas semanas.

Trabalhadores do SAMU seguem sem respostas para pagamentos atrasadosManifestação dos trabalhadores do SAMU no TICEN, em Florianópolis, não paralisou nem os serviços, nem o trânsito nesta segunda-feira (22) – Foto: Gabriel Volinger/SindSaúdeSC/ND

Férias e reajustes atrasados, falta de comunicação e de condições para o trabalho estão no pacote de motivos que levaram os trabalhadores do Samu a uma manifestação em frente ao Ticen (Terminal de Integração Central), também nesta segunda, antes da reunião.

Desdobramentos da reunião

A manifestação ocorreu no mesmo dia da reunião entre os sindicalistas de diversas regiões do Estado, representantes da OZZ Saúde e SES. O encontro durou cerca de três horas.

Em primeira reunião, trabalhadores do SAMU, sindicalistas, representantes da Secretaria de Saúde e OZZ Saúde decidem por novo encontro em 15 diasReunião dos trabalhadores do SAMU, representantes da Secretaria de Saúde e OZZ Saúde durou cerca de três horas – Foto: Gabriel Volinguer/SindSaúde SC/ND

Em nota, o SindSaúde/SC (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde Pública Estadual e Privado de Florianópolis e Região) afirmou que a reunião expôs as tentativas da empresa de fazer com que seus débitos sejam pagos pelo Estado.

O sindicato enfatizou que é necessário que qualquer recurso novo que venha a ser liberado para a empresa seja garantido ao cumprimento dos direitos trabalhistas.

O presidente do SindSaúde/SC, Djeison Stein, apontou que esse tipo de discussão é característico do modelo de negócio de terceirização.

A posição do sindicato, no encontro, foi a de que o Estado precisa assegurar os direitos dos trabalhadores e a qualidade do serviço. Para eles, o modelo proposto pela iniciativa privada contraria esse pressuposto.

Contraponto da SES

Também por meio de nota, a SES informou que reforçou o compromisso com os profissionais do serviço e compreende suas manifestações em busca de direitos previstos em lei.

Representantes da SES, no encontro com trabalhadores do SAMU e OZZ Saúde“Não existe atraso no pagamento e está sendo pago mensalmente”, disse o Superintendente de Urgência e Emergência, Cel. Diogo Losso. – Foto: Divulgação/SES/ND

O Estado confirmou, novamente, que paga o teto máximo de contrato para a empresa OZZ Saúde para a prestação de serviços, o que chegou a mais de R$ 125 milhões em 2020.

“Não existe atraso no pagamento e está sendo pago mensalmente o que a própria empresa manifestou na defesa de sua licitação. Isso pode ser conferido no Portal da Transparência”, descreveu o superintendente de Urgência e Emergência, Cel. Diogo Bahia Losso.

Na reunião, a OZZ Saúde admitiu que recebe em dia do Estado cerca de R$ 10,4 milhões por mês, mas avalia que existe necessidade de um reequilíbrio financeiro.

Os sindicalistas cobraram da prestadora o cumprimento da legislação e de seus direitos. “O Samu não para porque fizemos o juramento de salvar vidas, mas precisamos de devolutivas”, disse um dos profissionais.

Nova reunião

Para resolver o problema de atraso de pagamento aos trabalhadores, foi solicitado o prazo de 15 dias. A SES informou que uma nova reunião foi marcada, considerando esse período.

Segundo Losso, o novo encontro servirá para refletir sobre o andamento do processo. Nesta primeira reunião, as partes tiveram uma conversa inicial, para uma conciliação. O Estado alega que continua pagando o teto, mas a OZZ está pedindo adequações, o que está em trâmite e depende de análise jurídica.

O que os trabalhadores pedem

Mais cedo, na parte da manhã, os dirigentes do SindSaúde/SC estiveram nas bases do Samu da Grande Florianópolis para dialogar com os trabalhadores. Eles reforçaram a pauta da reunião da tarde e chamaram os trabalhadores para o ato em frente ao Ticen.

Ambulâncias do SAMU são higienizadas pelos trabalhadores à noiteA limpeza e higienização das ambulâncias do Samu, no período noturno, é realizada pelos próprios trabalhadores atualmente. – Foto: Almir Rodrigues/ND

A manifestação estava programada desde a segunda-feira passada, quando o sindicato alertou que faria uma paralisação. Mas, segundo os sindicalistas, não houve paralisação dos serviços.

“O ato da tarde ocorreu sem paralisação dos serviços, como uma forma de demonstrar as pautas de reivindicações para população. Estiveram trabalhadores do Samu e dirigentes do sindicato. Às 14h30 os diretores entraram em reunião com a SES e a OZZ e os trabalhadores foram dispensados”, informou o sindicato.

Segundo a Guarda Municipal, não houve registro de problemas no trânsito em função do ato. Os sindicalistas não fizeram um levantamento do número de pessoas. Na pauta para a reunião da tarde, foram abordados os seguintes pontos:

  • Infraestrutura das bases;
  • Pagamento dos reajustes salariais atrasados;
  • Quebra do contrato com a empresa responsável pela comunicação;
  • Fornecimento de EPI (Equipamento de proteção individual);
  • Limpeza e higienização das ambulâncias no período noturno.

Sobre o último quesito, de acordo com o sindicato, no momento, os profissionais da saúde é que estão fazendo o serviço de limpeza nas ambulâncias do Samu, à noite.

Acesse e receba notícias da Grande Florianópolis pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Saúde