Perda de eficácia e terceira dose: o que se sabe de cada vacina contra Covid-19

O ND+ traz para você todas as informações sobre o tema e quais países já iniciaram a aplicação da dose de reforço; confira

O Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, se aproxima da marca de 124 milhões de pessoas com ao menos uma dose da vacina contra a Covid-19. Os imunizantes utilizados no país apresentam boa proteção contra a doença grave, hospitalização e morte. No entanto, uma possível queda nos índices de imunidade meses após a aplicação da segunda dose levantou, recentemente, um debate sobre uma possível dose de reforço.

Brasil iniciará a aplicação da terceira dose em setembro – Foto: Divulgação/Fotos Públicas/NDBrasil iniciará a aplicação da terceira dose em setembro – Foto: Divulgação/Fotos Públicas/ND

Recentemente, o estudo britânico ZOE Covid apontou que, no caso da vacina Pfizer/BioNTech, a eficácia um mês após a segunda dose, que é de 88%, cai para 74% passados cinco ou seis meses. Para o imunizante da Astrazeneca, a eficácia caiu de 77%, um mês depois, para 67% após quatro ou cinco meses.

O estudo se baseou em dados de mais de 1 milhão de usuários de um aplicativo, comparando infecções relatadas pelos próprios participantes vacinados com casos em um grupo de controle não vacinado.

Dados de pessoas mais jovens, no entanto, são necessários, porque os participantes vacinados até seis meses atrás tendem a ser idosos, já que essa faixa etária foi priorizada quando as primeiras vacinas foram aprovadas, disseram os autores do estudo.

Em uma projeção da pior situação futura, a proteção pode cair para menos de 50% para pessoas mais velhas e profissionais de saúde até o inverno, disse Tim Spector, cofundador da ZOE Ltd e principal autor do estudo.

“Ele está chamando a atenção para a necessidade de alguma ação. Não podemos só esperar para ver a proteção diminuir lentamente, enquanto os casos ainda estão altos e a chance de infecção também ainda está alta”, disse Spector à BBC.

Terceira dose

Essa possível queda na imunidade reacende o debate de uma terceira dose. No Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid-19 a partir do dia 15 de setembro em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos (com baixa imunidade).

Marcelo Queiroga anuncia aplicação da terceira dose contra a Covid-19 – Foto: Reprodução/YoutubeMarcelo Queiroga anuncia aplicação da terceira dose contra a Covid-19 – Foto: Reprodução/Youtube

A partir desta data, serão enviadas aos Estados as doses de reforço para os imunossuprimidos que tenham tomado a segunda dose há pelo menos 28 dias e de idosos com mais de 70 anos que tenham tomado a segunda há pelo menos seis meses.

A aplicação nos idosos seguirá ordem cronológica, do mais velho para o novo. A Saúde aguarda a conclusão de um estudo para decidir como será a aplicação da terceira dose em profissionais de saúde e pessoas com menos de 70 anos.

Variante delta

Outro motivo para a aplicação de uma terceira dose, segundo especialistas, é o avanço das variantes, como a Delta, que tem se espalhado pelo território nacional, inclusive por Santa Catarina.

Vale ressaltar que a queda de anticorpos produzidos pelo organismo após receber a vacina contra a Covid-19 não acontece em todas as pessoas. Com isso, teoricamente, não seria uma preocupação caso não houvesse a variante Delta circulando entre a população.

Variante delta é um dos motivos que explicam os estudos sobre terceira dose – Foto: Secom/Prefeitura de Joinville/Divulgação NDVariante delta é um dos motivos que explicam os estudos sobre terceira dose – Foto: Secom/Prefeitura de Joinville/Divulgação ND

Essa possível queda na imunização é normal, principalmente em idosos, uma vez que essa faixa etária costuma ter pior resposta imunológica à vacina. Além deles, pessoas com doenças imunológicas ou pacientes oncológicos também costumam responder de forma diferente aos imunizantes.

O que se sabe sobre a eficácia de uma terceira dose?

No mês de julho, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou estudos de terceira dose das vacinas Astrazeneca e Pfizer.

Na ocasião, a agência ainda esclareceu que, no momento, não havia “estudos conclusivos sobre a necessidade” da aplicação de mais uma dose destes imunizantes.

  • Astrazeneca: os estudos da versão da Astrazeneca, aplicada no Brasil, avalia a segurança, eficácia e imunogecidade de uma possível terceira dose da versão original em participantes do estudo inicial que já haviam recebido as duas doses do imunizante, com um intervalo de quatro semanas entre cada aplicação.
  • Coronavac: O estudo da Coronavac será realizado em grupos divididos em quatro: 25% irão receber como terceira dose a vacina da Pfizer, outros 25% receberão da Astrazeneca, 25% da Janssen e outros 25% da própria Coronavac. O objetivo é identificar se a terceira dose irá aumentar o número de anticorpos. Vale ressaltar que os pesquisadores também irão avaliar a segurança da aplicação, uma vez que pode haver reações, como febre e dor, já que serão testadas vacinas diferentes em cada grupo.
  • Pfizer: O estudo da Pfizer investiga a segurança, os efeitos e, claro, os benefícios de uma possível dose de reforço. O imunizante extra deverá ser aplicado apenas em pessoas que tomaram as duas doses há pelo menos seis meses.
Doses da Pfizer e Astrazeneca têm resposta positiva contra Delta – Foto: Governo do Estado de Paraíba/Divulgação/NDDoses da Pfizer e Astrazeneca têm resposta positiva contra Delta – Foto: Governo do Estado de Paraíba/Divulgação/ND

Quais países já estão aplicando a terceira dose?

  • Rússia: A Rússia anunciou no início do mês de julho que havia começado a administrar doses de reforço para pessoas imunizadas há pelo menos seis meses. A medida foi tomada devido ao aumento de casos no país. A Capital, Moscou, está oferecendo doses de reforço da Sputnik V, produzida internamente. Outras regiões do país também estão começando a oferecer terceiras doses.
  • Israel: o país oferece a terceira dose da vacina Pfizer para pessoas com mais de 60 anos e outros grupos vulneráveis desde o fim de julho. Depois do início da campanha, o país incluiu também as pessoas com mais de 50 anos. Até agora, mais de um milhão de israelenses receberam o reforço, em meio a uma alta de casos de Covid-19 no país.
  • Hungria: a Hungria disponibiliza a terceira dose desde o início de agosto para todos aqueles que quiseres. Porém, é preciso que haja um intervalo de quatro meses após ter tomado a segunda dose. O governo recomenda a mistura dos diferentes tipos de vacina, mas anunciou que essa decisão ficará para os médicos.
  • República Dominicana: a República Dominicana anunciou, em 30 de junho, que iria oferecer a terceira dose do imunizante. Inclusive, foi o primeiro país da América Latina a fazer o anúncio. Segundo as autoridades sanitárias do país, a terceira dose aplicada no país será diferente da inicialmente administrada, com a ideia de misturar vacinas produzidas por diferentes laboratórios.
  • Chile: na última semana, o Chile começou a administrar doses de reforço àqueles já imunizado com a chinesa Coronavac, também administrada no Brasil. O alvo do governo local são pessoas acima dos 55 anos e que receberam as duas doses do imunizante antes de 31 março, ou seja, há cerca de quatro meses. Estes estão recebendo uma nova dose da Astrazeneca. Paciente imunodeprimidos receberão uma nova dose da Pfizer.
  • Uruguai: no Uruguai, o governo local começou, nesta semana, a oferecer a terceira dose da vacina para aqueles que receberam a Coronavac. A dose de reforço será da Pfizer e deve ser feita ao menos 90 dias depois a vacina inicial.
  • Indonésia: no início de agosto, a Indonésia começou a administrar a terceira dose da vacina em profissionais de saúde em todo o país, que em sua maioria tinham recebido doses da vacina da Sinovac.
  • Emirados Árabes Unidos: o país começou a oferecer a dose de reforço em junho para as pessoas que receberam a vacina da Sinopharm, da China. São oferecidas vacinas da Pfizer e da Sinopharm como terceira dose.
  • Bahrein: o pequeno país insular do Golfo Pérsico é mais que começou a oferecer a dose de reforço da vacina Pfizer para os imunizados seis meses antes com duas doses da vacina Sinopharm.

Países que pretendem iniciar o reforço vacinal:

  • Estados Unidos: na quarta-feira (18), o governo americano anunciou que pretende oferecer a terceira dose do imunizante à população a partir do dia 20 de setembro. Essa dose será administrada àqueles que se vacina com a segunda dose da Pfizer e da Moderna há pelo menos oito meses.
  • Reino Unido: O ministro da Saúde britânico, Sajid Javid, anunciou que o reforço vacinal deve iniciar em setembro. A data precisa ainda não foi definida, uma vez que o governo esperava pelo parecer final do Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização antes de seguir em frente com a ideia. A tendência é que os “mais vulneráveis” recebam essa dose de forço. Ainda não se sabe se ela será disponibilizada para todos os adultos.
  • Alemanha: a Alemanha começará a administrar a dose de reforço a partir de setembro. Serão utilizadas vacinas da Pfizer ou Moderna em idosos, residentes em lares de idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. Além disso, o país também pretende utilizar doses extras a qualquer pessoa que já tenha completado o ciclo vacinal com a Astrazeneca ou dose única da Johnson & Johnson.
  • França: a França pretende administrar doses de reforço a todos os idosos e vulneráveis ​​a partir de setembro.
  • Camboja: o Camboja irá oferecer novas doses para quem foi vacinado com as vacinas da Sinovac e da Sinopharm, ambas de laboratórios chineses.
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