Entenda como toxinas da Lagoa do Peri, em Florianópolis, podem contaminar moluscos

Segundo pesquisadores, organismos marinhos podem se alimentar dessa alga tóxica e acumula a toxina

Pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), da FURG (Universidade Federal do Rio Grande) e da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) encontraram toxinas em níveis altos na água da Lagoa do Peri, em Florianópolis, após análises realizadas entre os anos de 2018 e 2019. A saxitoxina, como é chamada, pode se modificar naturalmente e se tornar ainda mais forte, segundo pesquisadores.

Toxinas da Lagoa do Peri, em Florianópolis, podem contaminar moluscos – Foto: Anderson Coelho/NDToxinas da Lagoa do Peri, em Florianópolis, podem contaminar moluscos – Foto: Anderson Coelho/ND

O professor do departamento de Botânica da UFSC, 

Leonardo Rorig, explica que “essa alga se adaptou bem àquela lagoa e hoje domina o que nós chamamos de fitoplâncton, que é a comunidade desses microorganismos que vivem suspensos na água. Uma vez que ela se encontra ali, ela acaba proliferando e eventualmente expondo quem ingere essa água ou quem acumula a toxina que está nessa água”.

Esse tipo de alga tóxica já apareceu na Lagoa do Peri na década de 1990. 
Desde então, órgãos ambientais realizam estudos e análises constantes no local. 
A maior preocupação dos pesquisadores é que a cada ano tem aumentado a presença desse tipo de toxina. E o medo é ainda maior se ela for para o mar da praia do Matadeiro, contaminando ostras e demais moluscos.

“Essas algas crescem na Lagoa do Peri e extravasam pelo canal de sangradouro até o oceano, na praia do Matadeiro. Nós nunca tínhamos investigado se essas algas que têm toxinas podem afetar componentes do ecossistema marinho. Esse estudo veio responder essa pergunta e, de fato, as toxinas ficam disponíveis. O organismo marinho, como o mexilhão que a gente cultiva aqui na região, se alimenta dessa alga, não é afetado de forma drástica, mas acumula a toxina”, contou o professor Rorig.

Prefeitura diz que pessoas que frequentam a Lagoa do Peri não precisam entrar em pânico – Foto: Anderson Coelho/NDPrefeitura diz que pessoas que frequentam a Lagoa do Peri não precisam entrar em pânico – Foto: Anderson Coelho/ND

A prefeitura garante que as pessoas que frequentam a Lagoa do Peri não precisam entrar em pânico. A Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) e a secretaria do Meio Ambiente esclarecem que esse estudo foi feito quando o nível da lagoa estava baixo e afirmam que hoje esse cenário já é bem diferente.

Segundo o secretário adjunto do Meio Ambiente de Florianópolis, Laudelino de Bastos e Silva, a região está perfeitamente protegida.

“Não existe o mínimo risco de contágio do Matadeiro. Toda a parte da fauna e flora está preservada. Realmente existe um índice de cianobactérias e toxinas que vem se elevando ao longo do tempo, mas isso está sendo super bem controlado e o volume de água que nós temos hoje faz com que a gente tenha essa garantia de qualidade da água que está sendo fornecida”, informou o secretário adjunto.

A superintendente da Floram, Beatriz Campos Kowalski, disse que a qualidade da água da Lagoa do Peri hoje é própria para o banho e que o contato ou até a ingestão não vão afetar a saúde das pessoas.

“As últimas análises feitas pela Casan, também pela Floram e pelo IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), mostram que as concentrações das cianotoxinas causadas pelas cianobactérias são baixas. Estão bem abaixo dos padrões necessários. Não há nenhum risco à população e a qualidade da água é adequada. Se houver qualquer alteração, tanto nos padrões de balneabilidade quanto de potabilidade, nós vamos informar a população”, comentou a superintendente.

Em nota, a Casan afirmou que apesar da presença dessas toxinas na água, mesmo que em concentrações baixas, elas não chegariam às residências, pois são totalmente removidas durante o tratamento na estação do Peri através da oxigenação ocorrida na etapa de cloração da água. Ou seja, o momento em que o cloro é adicionado na água.

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BG Florianópolis

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