Pesquisa: Veja como o catarinense avalia o combate à Covid-19

Pesquisa da Lupi & Associados com moradores de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu também avalia de forma negativa a atuação dos governos federal e estadual no combate à pandemia

A população da Grande Florianópolis se posiciona favorável ao aumento das restrições de atividades para combater a disseminação do novo coronavírus e avalia de forma negativa a atuação do governador Carlos Moisés (PSL) na pandemia em Santa Catarina.

Essas constatações foram feitas na pesquisa “A Grande Florianópolis e Covid-19 – Março 2021, contratada pelo Grupo ND e executada pela Lupi & Associados com 900 entrevistados das quatro principais cidades da região: Biguaçu, Florianópolis, Palhoça e São José, entre os dias 25 de fevereiro a 1º de março.

Para o pesquisador Paulo Pedroso, da Lupi & Associados, a pesquisa reflete “o quadro terrível enfrentado no momento da região”.

Lupi & Associados; ND; Gráfico; pesquisa; restrições; população; medidas; lockdownUma das perguntas da pesquisa foi sobre a forma de agir das autoridades em relação à pandemia – Foto: Rogério Moreira Jr/Arte/ND

A maioria dos entrevistados de março avaliou como muito grave a pandemia em sua cidade. Essa percepção já havia sido revelada em janeiro, por 88,4% dos entrevistados, na soma dos critérios muito grave e grave. Agora, esse percentual chegou a 92,9%, com crescimento da avaliação muito grave (65,2%) e pequena queda entre aqueles que avaliam a pandemia como grave (27,7%).

Já a avaliação específica por cidade aponta que em Biguaçu não há dúvidas sobre a gravidade da epidemia, com 80,8% avaliando como muito grave e 19,2%, como grave. Em São José, 95,4% estão cientes da gravidade, com 75,2% como muito grave, e 20,2%, como grave.

Lupi & Associados; ND; Gráfico; pesquisa; restrições; população; medidas; lockdownFoto: Rogério Moreira Jr/Arte/ND

Em Florianópolis, 94,1% reconhecem a gravidade, com 65,8% como muito grave e 28,3% como grave. Mas em Palhoça é que aparece um percentual de 4% para avaliação nada grave, que destoa do restante da região, apresentando o menor percentual de avaliação da gravidade da pandemia, 86,3% – sendo 43,3% para muito grave e 43,3% para grave e 9,3% para a avaliação mais ou menos grave.

A avaliação no Estado também atingiu o percentual mais alto para o nível muito grave, com 70,0% desde o início das pesquisas da Lupi & Associados, em maio de 2020. Outros 24,4% avaliam como grave, totalizando 94,4%, enquanto 2,4% avaliam como mais ou menos grave, 1,4% como pouco grave, e 0,2% como nada grave.

Já a percepção em relação ao Brasil se manteve como em janeiro, quando 79,8% avaliaram como muito grave. Em março, o percentual ficou em 78,8%, uma pequena redução, acompanhado pelo avanço da avaliação grave, de 12,9% em janeiro, para 16,6% em março.

Lupi & Associados; ND; Gráfico; pesquisa; restrições; população; medidas; lockdownFoto: Rogério Moreira Jr/Arte/ND

Diante do cenário crítico, a maioria dos entrevistados é da opinião de que as autoridades deveriam aumentar as restrições nas próximas semanas.

Com 62,1%, foi o maior percentual do posicionamento desde maio de 2020. Outros 31,9% avaliam que deve seguir como está, liberando apenas algumas atividades, mas com restrições, enquanto apenas 4% entendem que é preciso liberar todas as atividades, e 2,2% não souberam opinar.

Esse aumento de restrições foi mais solicitado em Biguaçu, por 75% dos entrevistados. Em São José, 68,6% são a favor de mais restrições, enquanto em Florianópolis, 60% se posicionaram da mesma forma, assim como 50,7% dos entrevistados em Palhoça.

Lupi & Associados; ND; Gráfico; pesquisa; restrições; população; medidas; lockdownFoto: Rogério Moreira Jr/Arte/ND

Em relação à vacina, 89% responderam que querem tomar, 4,8% que não e 6,2% não sabem. Em relação a janeiro, o percentual dos que pretendem tomar a vacina cresceu dois pontos, enquanto o percentual daqueles que não sabem decresceu 1,7%.

Governo Federal tem avaliação negativa na pandemia

A avaliação do governo Bolsonaro na pandemia continua como ruim e muito péssima para 75,1% dos entrevistados. É o maior percentual desde o início da pesquisa, mas é a mesma percepção de janeiro, quando 74,3% dos entrevistados avaliaram a atuação do presidente como ruim e péssima. Outros 8,3% avaliaram como regular, e 16,7% como ótima e boa.

Já a atuação do governador Moisés na pandemia também teve a pior avaliação desde maio de 2020.

Lupi & Associados; ND; Gráfico; pesquisa; restrições; população; medidas; lockdownFoto: Rogério Moreira Jr/Arte/ND

Em março, 64,6% dos entrevistados avaliaram como ruim e péssima, contra 21% como regular e 14,5%, como ótimo e bom. “A culpa que antes já era depositada no presidente Jair Bolsonaro agora também está sendo atribuída ao governador e aos prefeitos”, analisa Pedroso.

A pesquisa da Lupi & Associados teve 900 entrevistados – 417 homens e 483 mulheres -, com idades de 16 a mais de 60 anos. Com margem de erro de 3% para mais ou para menos, a pesquisa tem 95% de coeficiente de confiança.

Comportamento

Outro número que chama atenção na pesquisa da Lupi & Associados é o percentual de 82,8% dos entrevistados que tiveram ou conhecem alguém da família ou amigos residentes na Grande Florianópolis que foram infectados.

Esse percentual começou com 16,4% em maio de 2020 e só aumentou gradualmente na pandemia. Consequentemente, cada vez menos pessoas – 15,1% dos entrevistados – não se contaminaram ou conhecem alguém que não tenha sido infectado pelo vírus da Covid-19.

Em relação ao comportamento na quarentena, 52,1% dos entrevistados revelaram que estão em isolamento parcial, com saídas para o trabalho. É o maior percentual desse comportamento desde que as atividades foram retomadas de forma gradual e com restrições de capacidade e atendimento.

Lupi & Associados; ND; Gráfico; pesquisa; restrições; população; medidas; lockdownFoto: Rogério Moreira Jr/Arte/ND

Outros 37% estão em isolamento parcial com saídas inevitáveis, enquanto 2% permanecem em isolamento total, e 8,9% não estão em isolamento por decisão própria.

Já o medo de ser infectado mantém a mesma percepção de janeiro, quando o temor foi maior desde o início da pesquisa, com percentuais próximos para as avaliações.

Agora, o medo é muito grande para 41,1%, grande para 31,2%, médio para 18,4%, pequeno apenas para 5% e muito pequeno para 2,2%. Apenas 1,2% afirmam não ter medo.

População mostra insegurança com a troca de gestores na pandemia

A avaliação da atuação das prefeituras é mais equilibrada: 28,9% avaliam como ótima e boa, 28,1% como regular, e 43,1% como ruim e péssima. Foi o mês de menor percentual para a avaliação positiva (ótima e boa) e o de maior percentual para negativa (ruim e péssima) em relação ao trabalho feito pelos municípios desde maio de 2020.

Pedroso destaca que dos quatro municípios, apenas Florianópolis manteve o mesmo gestor. Esta situação reflete sentimento de insegurança em relação aos novos prefeitos de Biguaçu, São José e Palhoça.

“Eles assumiram nesse turbilhão e tiveram apenas dois meses para trabalhar. Antes, os prefeitos das quatros cidades se reuniam e agora esse combate parece estar meio solto. Por isso, números tão ruins”, analisa.

A Prefeitura de Biguaçu teve a pior avaliação desde o início da pesquisa. Dos 80 entrevistados da cidade, com margem de erro de 11% para mais ou para menos, 46,6% avaliaram como ruim e péssima; outros 34,2% como regular e 19,2%, como ótimo e boa. Foi o mês de menor percentual da avaliação positiva e de maior percentual da negativa, sobre a atuação da prefeitura na pandemia.

Em relação à atuação da Prefeitura de Florianópolis, a pesquisa aponta certo equilíbrio. Dos 428 entrevistados, com margem de erro de 4,7% para mais ou para menos, 37,3% avaliaram como ótima e boa, 30,9% como regular, e 31,8%, como ruim e péssima.

Mas foi também o mês de menor percentual da avaliação positiva e o de maior percentual negativo.

Em Palhoça, a percepção sobre a atuação da prefeitura melhorou em relação a janeiro, pois 31,4% avaliaram como ótima e boa, 20,2% como regular, e 48,4%, como ruim e péssima, com margem de erro de 8% para mais ou para menos.

Apesar de quase metade dos 150 entrevistados avaliarem a atuação de forma negativa, esse percentual já foi de 58,6% em janeiro.

Já São José teve a pior avaliação desde o início da pesquisa, com 59,3% dos 242 entrevistados avaliando como ruim e péssima.

Apenas 15,3% dos entrevistados avaliaram como ótima e boa, e outros 25,4% como regular. A atuação da Prefeitura de São José teve o menor percentual de avaliação positiva e o maior de avaliação negativa entre as quatro prefeituras da Grande Florianópolis.

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