Pesquisadores identificam variante Gama plus da Covid-19 em SC

Estudo genômico realizado por pesquisadores do laboratório Dasa identificou 11 amostras encontradas em seis estados brasileiros diferentes

Pesquisadores brasileiros encontraram uma nova versão da variante Gama da Covid-19, identificada em Manaus (AM). A cepa chamada de Gama plus é descrita em um trabalho realizado pelo projeto Genov, da rede de laboratórios Dasa.

Entre as 11 amostras encontradas, uma foi em Santa Catarina. No entanto, o superintendente de vigilância em Saúde do Estado, Eduardo Macário, afirma que não foi informado pelos pesquisadores e que, até o momento, ainda não é classificada como variante de atenção.

Imagem mostra célula tomada pelo coronavírusPesquisadores identificam variante Gama plus da Covid-19 em SC – Foto: Fusion Medical Animation/Unsplash/ND

De acordo com o portal R7, foram 1.380 amostras analisadas de pessoas com a Covid-19 no Brasil. Entre elas, 11 (Gama plus) tinham a mutação P681H, o que os autores do relatório classificaram como “convergente com características da Delta, variante que geralmente apresenta essa alteração estrutural”.

Confira os locais onde a variante foi identificada:

  • Goiás: 5
  • Tocantins: 2
  • Mato Grosso: 1
  • Ceará: 1
  • Paraná: 1
  • Santa Catarina: 1

Em termos científicos, um aminoácido presente na “coroa” do novo coronavírus, chamado prolina, é substituído por outro, a histidina.

“A gente chama de Gama plus quando uma mutação que ela adquiriu acontece em alguma posição do genoma do vírus que indica algo de risco. Essas Gama plus têm uma mutação em um sítio de furina que é muito importante para a infecção viral na célula e que é uma mutação que já foi vista tanto na variante preocupação Alfa (Reino Unido) quanto na variante indiana (Delta)”,explica José Eduardo Levi, coordenador do Genov e virologista da Dasa, em entrevista ao R7.

Além disso, ele destaca que a mutação torna a variante Gama plus mais transmissível que a tradicional. Assim como acredita que ocorreu no Amazonas, onde a rede da Dasa não tem cobertura.

Ainda de acordo com o virologista, um levantamento da FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostra que que 78% dos novos casos de Covid-19 no Amazonas, em julho, foram causados pela Gama plus.

Semelhança com a variante Delta

Segundo o virologista, a mutação, em tese, é semelhante com a Delta no potencial de transmissão. Porém, existem outras variáveis que podem determinar se ela vai se espalhar ou não.

José Eduardo Levi explica que a Gama plus tem ‘possibilidade de explodir’ em grandes centros urbanos”.

Necessidade de mais estudos

Conforme o superintendente Eduardo Macário, a Gama plus não é considerada uma variante de preocupação.

“É um apelido porque ocorreu uma mutação na proteína e que ainda não está bem definida se pode ganhar vantagem entre as outras, mas somente em termos de laboratório. Como ainda está em estudo, apenas nas próximas semanas vamos compreender o que pode acontecer “, completa.

Segundo Eduardo Macário, não foi possível identificar qual a localização da pessoa que foi realizada a coleta porque não foi avisada pela equipe de estudo.

“É importante que os pesquisadores informem a secretarias de saúde para que seja localizada, para monitoramento e sabermos se houve contato com mais pessoas”, explica o superintendente.

A vantagem evolutiva do vírus pode apresentar características com maior poder de transmissibilidade, letalidade ou até “escapar” da imunização das vacinas. Apresentando um dos três potenciais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) considera uma variante de preocupação.

“A nossa maior preocupação é com a variante Delta. Além de ser tão transmissível quanto um resfriado, ela tem duas vezes mais capacidade que a Gama. Ela não escapa da vacina, mas quem não está vacinado não está protegido e pode apresentar sintomas graves”, completa Eduardo Macário

Quem é a Dasa Laboratórios

Em seu site, a Dasa se identifica como “a maior rede de medicina diagnóstica, um grupo hospitalar robusto e a melhor empresa de gestão em cuidados”.

O Genov é um projeto científico de vigilância genômica da Dasa. “A iniciativa tem como missão acompanhar a evolução do vírus SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19.”

Além disso, afirma que 30 mil genomas do coronavírus serão sequenciados em até 12 meses, cerca de 3 mil amostras ao mês. “O objetivo é detectar o surgimento de variantes de coronavírus e avaliar eventuais casos de escape vacinal”, completa.

+

Saúde

Loading...