Fabio Gadotti

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“Precisamos de consciência coletiva”, diz secretário de Saúde de SC sobre pandemia

André Motta Ribeiro, que voltou à Secretaria da Saúde, defendeu pacto social para enfrentar a crise sanitária e disse que calendários de imunizações da Covid-19 e da gripe H1N1 precisam ser acelerados

O médico André Motta Ribeiro voltou à Secretaria da Saúde na última sexta-feira (7) com o retorno do governador Carlos Moisés (PSL) ao cargo. Em conversa com a coluna neste domingo (9), o secretário falou sobre o andamento da imunização e a gestão do combate ao coronavírus. “Precisamos de consciência coletiva sobre a gravidade da pandemia”, disse Motta Ribeiro, que defendeu um “pacto social” em torno disso. 

André Motta Ribeiro, secretário da Saúde de SC – Foto: Maurício Vieira/Divulgação/Secom/NDAndré Motta Ribeiro, secretário da Saúde de SC – Foto: Maurício Vieira/Divulgação/Secom/ND

No retorno ao cargo, o senhor fala em incremento da vacinação em Santa Catarina. Como avalia o quadro atual?
A velocidade da aplicação das doses está bem interessante, mas precisamos acelerar. Nesse ritmo atual, as quatro fases atuais do plano de imunização estarão completas até setembro e tínhamos planejado terminar no primeiro semestre.

Estamos preparados, com tudo pronto, para fazer a imunização o mais rápido possível, mas o país está com dificuldade de recebimento dos insumos, que são importados.

Além disso, tem uma questão importante, que é a vacinação contra a gripe H1N1 – precisamos acelerar esse processo também, porque estamos no inverno. Temos que alinhar e organizar com os municípios para incrementar isso, criar dias D de vacinação e campanhas. É importante essa cobertura vacinal.

As regras aprovadas pela gestão da ex-secretária Cármen Zanotto para os setores de gastronomia e de eventos serão revistas?
Precisamos ver o que foi construído, faz parte do processo, mas não há intenção de fazer novos regramentos. Como já disse antes, precisamos cumpri-las. O primeiro movimento é ver a fotografia do momento, ver o que aconteceu, mas não há nenhuma pré-disposição em relação ao assunto.

Há um impacto econômico e social grande, mas a solução de todos os problemas não está só com a Secretaria da Saúde, mas também na Fazenda, Assistência Social etc.  Gestão se faz com diversas cabeças, ouvindo os municípios, a Assembleia Legislativa, entidades etc.

Depois da reunião com Carlos Moisés, no sábado, o governo falou em reforçar a fiscalização sobre as regras sanitárias. É uma das ações?
Temos agora, no risco gravíssimo, restrições fortes ao setor de eventos, que foi o mais impactado desde o início da pandemia. Não é justo apertar regras para um setor formal e tolerar a clandestinidade.

O mais importante é as pessoas entenderem a responsabilidade de cada um do que criar uma regra nova. As pessoas têm que estar na mesma página, ter o mesmo entendimento sobre a responsabilidade nesse processo. É a responsabilidade do dono do CNPJ e do dono do CPF.

A Saúde vai fazer uma revisão na política hospitalar para ajudar pequenos hospitais que hoje não estão contemplados?
Sim. A política hospitalar é justa, mas tem problemas e defeitos que precisam ser corrigidos. Algumas estruturas ficaram fora dessa política, que precisa, necessariamente, ser revista. Alguns hospitais precisam ser melhor ranqueados, outros precisam entrar.

Além disso, temos que tratar sobre as cirurgias eletivas. Nesta terça-feira (11) teremos, provavelmente, uma conversa com as três entidades do setor para discussão sobre a retomada das cirurgias eletivas – as filas estão aumentando – e a revisão da política hospitalar.

No momento, o mapa de Santa Catarina está quase todo no nível gravíssimo. Qual é o caminho para sair dessa situação?
Precisamos de consciência coletiva sobre a gravidade da pandemia. As pessoas precisam entender que cada um tem seu papel e que as regras são bastante simples: usar máscara, higienizar as mãos e evitar aglomeração. É uma hora importante para um pacto social em torno disso.

E os poderes públicos têm que ofertar serviços, monitorar os doentes e tratar os doentes. Com isso, vamos diminuir a velocidade de transmissão do vírus. Claro que se tivéssemos 80% das pessoas vacinadas, seria bem mais fácil, mas isso não ocorre em nenhum país do mundo.

Qual seu sentimento nesse retorno à secretaria?
São dois sentimentos: de alívio e de responsabilidade. Até então estávamos enfrentando uma pandemia grave e, ao mesmo tempo, defendendo o governo de acusações inverídicas e injustas.

Agora, estamos virando essa página, reforçando esse trabalho para trazer segurança e saúde à população. Olhando para frente e construindo processos em conjunto.

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