Prefeitura de Joinville recua e cancela corte de médicos residentes no Hospital São José

Motivo divulgado foi uma análise feita pela Procuradoria Geral do Município

Arquivo/ND

Prefeitura havia suspendido 38 das 56 matrículas de médicos residentes no Hospital São José

Reviravolta no caso da suspensão da contratação de parte dos médicos residentes no Hospital Municipal São José de Joinville. A Prefeitura voltou atrás na decisão, anunciada na sexta-feira (5) passada, na qual anunciou a suspensão de 38 das 56 matrículas de residentes para a unidade hospitalar. O motivo da reviravolta, segundo a Prefeitura, foi uma análise feita pela Procuradoria Geral do Município. Segundo o órgão, a contratação de médicos residentes no São José não pode ser suspensa por se tratar de um programa que abrange outros hospitais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A suspensão de parte das contratações em Joinville implicaria em problemas para as outras unidades.

A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira em reunião entre o prefeito Udo Döhler, a secretária de Saúde, Francieli Cristini Schultz; o procurador geral do município, Eduardo Buzzi; e o secretário de Comunicação da Prefeitura, Marco Aurélio Braga.

O anúncio de suspensão de parte das matrículas de residentes recebeu críticas generalizadas. Na tarde desta quarta-feira ocorreu encontro entre a classe médica e representantes de entidades e de hospitais de Joinville para tratar sobre o assunto. Depois de duas horas, foi aprovada a redação de uma carta, subscrita por todas as entidades e encaminhada ao prefeito Udo Döhler pedindo a imediata revogação da medida.

O edital suspendendo a matricula dos residentes (R1) atingia as áreas de anestesiologia, cirurgia de mão, cirurgia geral, clínica médica, medicina intensiva, neurologia, nefrologia, ortopedia e traumatologia e patologia

A carta alertava que a economia alegada pela Prefeitura, com a suspensão da contração de 38 dos 56 médicos residentes não ocorrerá, visto que o corte de residentes acarretará a falta de profissionais e será necessária a contratação de novos médicos, requerendo um investimento maior do que os valores pagos aos residentes. No documento consta, ainda, que diferentemente do que o Executivo afirma, a interrupção da entrada de novos médicos representa, de fato, o término total do programa de residentes, independentemente do período de suspensão.

Câmara de Vereadores

Durante a sessão ordinária da Câmara de Vereadores, na noite desta quarta-feira, os vereadores debateram a suspensão das matrículas dos médicos residentes no Hospital São José. A maioria dos vereadores se posicionou contrário a medida.

O vereador Adilson Mariano (PSol), criticou os cortes tantos dos residentes quanto das 11 mil consultas destinadas a moradores de cidades da região. O vereador pedetista James Schroeder, chamou a economia de absurda e sugeriu o corte de cargos comissionados, o parlamentar pediu, ainda, que o prefeito Udo reflita sobre a medida. Maurício Peixer (PSDB) concordou que a medida deve ser revogada.

O vereador Manoel Bento (PT) comentou que a medida contribuiu com o aumento da fila de espera e considerou o corte inadmissível. O parlamentar entregará ofício, nesta quinta-feira às 17h, na Promotoria Pública, alegando que a decisão da Prefeitura foi equivocada.

O que é residência médica

O Coordenador do Departamento de Ensino e Treinamento do Hospital São José e preceptor da Residência de Medicina Intensiva, Glauco A. Westphal, esclarece que o residente é um “médico com registro no CRM (Conselho Regional de Medicina), autonomia e responsabilidade sobre os atos que ele faz.”

A residência é uma especialização que o médico depois de formado faz para se especializar em uma área especifica, e é obrigatória. O procedimento é dividido em R1, R2 e R3, em todos os níveis o médico é supervisionado por um preceptor, um especialista na área escolhida. “O residente tem seus pacientes, sua agenda, seu consultório e ele atende normalmente, porque é médico, mas se ele tiver alguma dúvida, o médico especialista está no hospital para auxiliar”, frisa Westphal.

O tempo de residência varia conforme a especialidade que o profissional escolheu e em cada ano mudam os setores e tempo de permanência em que o médico atua. Questionado sobre as reclamações de que o paciente chega ao hospital e é atendido por um residente sozinho, Westphal é enfático: “Ele é um médico, que tem CRM e responsabilidade para realizar o atendimento.”

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