Primeira vacinada em Itajaí, enfermeira lembra medo da filha: “mãe, não vou mais te ver?”

Jonilda Hugen, de 47 anos, atua há 29 anos no serviço de saúde pública em Itajaí e desde o primeiro dia está na linha de frente do combate à Covid-19

A dedicação de quem atua na linha de frente do combate à Covid-19 depende de força e compreensão familiar. São inúmeros relatos de familiares que demonstram o quanto é difícil ver alguém tão amado, lutar contra um inimigo invisível e cruel.

A enfermeira Jonilda Hugen Souza Vieira, de 47 anos, atua há 29 anos no serviço público de saúde em Itajaí. Ela está presente na linha de frente desde o primeiro infectado, acompanhou o primeiro processo de intubação e foi a primeira vacinada contra a Covid-19 do município.

Desde o início, sua família acompanha de perto o drama que os profissionais da saúde enfrentam e os comoventes relatos de familiares que viam seus entes queridos entrarem na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e nunca mais o voltaram com vida.

“Eu tenho uma filha adolescente e todas as vezes que eu saia para o trabalho, ela sempre emitia bastante preocupação com choro e tristeza. Ela me perguntava: “mamãe você vai para o plantão na UTI e eu nunca mais vou te ver?”, conta Jonilda.

Foi necessário apoio profissional e familiar para que a enfermeira continuasse atuando na linha de frente contra o Coronavírus. Durante este período, os amigos foram poucos e a saudade da família foi incontrolável.

A enfermeira Jonilda Hugen, de 47 anos, foi a primeira vacinada em Itajaí – Foto: Isabela Corrêa/NDTVA enfermeira Jonilda Hugen, de 47 anos, foi a primeira vacinada em Itajaí – Foto: Isabela Corrêa/NDTV

“Os demais familiares tiveram toda a preocupação, eu inclusive, de protegê-los. A gente não sabia em que momento alguém poderia se contaminar e um deles poderia agravar e perder a vida em função disso. Por isso mantivemos o distanciamento e demais medidas de segurança”, afirma a enfermeira.

Porém, diante de tantos meses de um trabalho interminável, Jonilda precisou estar mais perto da família. “A gente acabou se reunindo, pois meus familiares moram em Lages e eu já sofria com muitas saudades dos meu filho que mora fora do país. Mas ainda assim mantemos o uso de máscara, distanciamento e higienização. Foi muito importante receber esse carinho”.

Ela completa contando como foi difícil ter de se afastar dos amigos que não atuavam na mesma área que ela. “O mais difícil foi a perda das relações de amizade, eu mantive mais os vínculos com os colegas de trabalho, pois a gente entendia que isso era importante para a proteção de todos”.

Um momento de reconhecimento

Jonilda conta que inicialmente, os profissionais de saúde eram tratados como heróis, mas com o tempo isso foi ficando de lado e ver os profissionais exaustos e pessoas morrendo se tornou o novo normal de muitas pessoas.

“A manifestação da população foi inicialmente de que éramos heróis, mas isso parece que se exauriu ao longo pandemia. Foi se tornando normal ver os médicos e enfermeiros exaustos, ver os profissionais da saúde se afastar ou se contaminar”, relembra a enfermeira.

Para Jonilda, ser a primeira vacinada foi um ato de reconhecimento e grande emoção – Foto: Isabela Corrêa/NDTVPara Jonilda, ser a primeira vacinada foi um ato de reconhecimento e grande emoção – Foto: Isabela Corrêa/NDTV

Para ela, que atua desde o primeiro dia, receber a primeira dose da vacina em Itajaí foi um misto de gratidão. “Eu emprestei a minha história, a minha força de trabalho e ter esse reconhecimento é um misto de gratidão muito forte. Para mim isso foi um ato de extrema importância. É uma emoção muito forte fazer parte da história e desse momento para a ciência”, destacou.

O paciente mais marcante

Jonilda escolheu a enfermagem antes de completar 18 anos. Ainda no ensino médio, ela fez um curso técnico na área e logo em seguida prestou vestibular para a mesma profissão. São 30 anos de enfermagem e 29 atuando na saúde pública de Itajaí.

Durante a pandemia de coronavírus, para Jonilda, o caso mais emblemático foi a de um jovem de 25 anos, que tinha a aparência de uma pessoa saudável e não conseguiu vencer a Covid-19 por chegar tarde demais ao hospital.

“Sem dúvida, o atendimento desse paciente foi um dos mais difíceis. Ver o paciente em sofrimento te lançar um olhar de pedido de ajuda e você já não ter o que fazer para aliviar o desconforto respiratório dele. É um processo muito delicado e muito pesado”, conta..

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