Problema no ar condicionado afeta pacientes internados no CTI do Hospital Regional em Joinville

Sobrecarga de energia danificou aparelho. Outros setores ainda sofrem com a falta de água quente após vazamento ocorrido na tubulação

O fim de semana foi de reclamação geral pelos familiares de pacientes internados no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, no bairro Boa Vista. Um problema no sistema do ar-condicionado central do CTI (Centro de Terapia Intensiva), ocorrido ainda na noite de sexta (24), deixou os dez leitos de cada uma das duas alas do setor sem climatização. O defeito complicou ainda mais a situação dos pacientes, que já estavam sem abastecimento de água quente devido a um vazamento na rede, identificado na última quinta. Isso prejudicou os internados em todos os setores, que tiveram que dividir os chuveiros elétricos para o banho.

Rogério Souza Jr./Arquivo/ND

Problema agravou a situação dos pacientes, que já sofriam com a falta de água quente na unidade

O acúmulo de dois problemas graves nestes dias de muito calor revoltou as pessoas que foram visitar os parentes no sábado. Maria Oenning, 49, professora, está com a mãe internada no CTI e teme pelo agravamento da saúde em função da falta do ar condicionado. No local não é possível usar ventilador porque o vento pode espalhar vírus e contaminar o ar dos pacientes. A mãe da mulher sofre de um tipo de isquemia e está há mais de uma semana no hospital. “Estão expondo os pacientes ao perigo. Minha mãe está praticamente em coma. Não sei se vou chegar lá e encontrar ela viva”, desabafou.

Nos outros setores, a reclamação era pela falta de água quente e pelas constantes quedas de energia. “Não tem banheiro para tomar banho e falta energia do dia inteiro”, protestou Luiz Carlos Pereira, 55, representante comercial, fazendo referência aos chuveiros elétricos, que são distribuídos por setores e não por quartos, obrigando os pacientes a um revezamento. Ele está com a esposa em recuperação no quarto, depois que ela passou mais de dez dias no CTI, e não foi autorizado a levar um climatizador para amenizar o calor da mulher. A justificativa é que o equipamento gera muita sobrecarga na rede elétrica.

“Levei o caso para a Defensoria Pública para ver se consigo autorização para subir o aparelho. Vou aguardar um parecer”, informou. Ventiladores, no entanto, têm sido permitidos nos quartos gerais. Antonildo Abreu Rodrigues, 53, estava com a mulher internada por problema de pressão, e foi um dos que levou o aparelho. “É preciso dar uma aliviada no calor”, disse.

Medidas paliativas

A precariedade da tubulação de água quente no Regional não é de hoje e vem se arrastando há cerca de três anos. De acordo com Antônio Luiz Ponciano, diretor administrativo do hospital, tem havido impasses burocráticos e técnicos que impedem uma restauração total do encanamento, que é antigo e tem muitos pontos desgastados. A troca está prevista dentro de um projeto de reforma, que ainda precisa ser licitado. A concorrência deve ser aberta em fevereiro. Se não houver impasses no processo, as obras podem iniciar em março. Por enquanto, a direção conta com um contrato de manutenção emergencial, em serviço que deve ser executado nesta segunda (27). “Não consigo abrir a água quente. Quem precisar tem que tomar banho nos chuveiros elétricos”, lamentou.

Já o problema no ar-condicionado do CTI, segundo avalia Ponciano, veio de uma situação pontual pela sobrecarga de energia na rede elétrica, resultado do alto consumo da população dos últimos dias. De acordo com ele, houve quedas seguidas de energia na última sexta. As instalações elétricas do hospital, que carecem de adequação e perderam parte da capacidade de condução de energia, não suportaram as oscilações e a alta demanda. No sábado, um técnico de Florianópolis foi chamado para avaliar o equipamento de climatização do CTI. “Estamos avaliando para saber qual é o problema para podermos encaminhar o reparo”, considerou.

Até o conserto, será tomada uma medida paliativa para amenizar o quadro dos pacientes. Ponciano pretende instalar dois aparelhos de ar condicionado convencionais, um para o CTI geral e outro para o CTI cardíaco, temporariamente. “É melhor ter o ar circulando do que não ter nada. É uma alternativa”, observou. Para evitar esse tipo de problema, a direção pretende obter um contrato de manutenção e ainda adquirir um equipamento reserva.

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