Profissionais foram orientados para o período sazonal da febre amarela em Florianópolis

Conforme mapeamento nacional da doença, especialistas dos Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste debateram medidas de prevenção da doença, como o esquema vacinal completo da população contra o vírus

Durante quatro dias, técnicos, gestores e pesquisadores dos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste se reuniram em uma oficina de preparação para o período sazonal da febre amarela no país.

Nos encontros promovidos pelo Ministério da Saúde em Florianópolis, os especialistas debateram como os modelos de monitoramento da doença e de dispersão do vírus no Brasil poderiam ser atualizados.

Ações de controle contra a febre amarela no Brasil foram debatidas em convenção da doença – Foto: Josué Damacena/Fiocruz/Divulgação/NDAções de controle contra a febre amarela no Brasil foram debatidas em convenção da doença – Foto: Josué Damacena/Fiocruz/Divulgação/ND

Quais ações de prevenção e controle do vírus, por meio da vigilância animal, também foram levantadas pelos profissionais. Fatores ecológicos e demográficos dos Estados brasileiros foram analisados, indicando as áreas de possível contágio da febre amarela em humanos.

Em Santa Catarina, os cuidados com a doença já começaram a ser intensificados, visto que o vírus está circulando pelo Estado. Por meio da Vigilância Epidemiológica, mutirões de prevenção através da vacinação da população vão começar a agir, a fim de preparar todos os catarinenses para a temporada de verão.

Isso deve-se ao fato de que, entre os meses de dezembro e maio, maiores focos de incidência da doença surgem em todo o país, especialmente em áreas cercadas por matas, conforme informa a DIVE (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).

A doença

A febre amarela é uma doença grave que evolui rapidamente se não for diagnosticada e tratada imediatamente. Os principais sintomas são início abrupto de febre, calafrios, dor de cabeça intensa, dores nas costas e no corpo, náuseas e vômitos, fraqueza e cansaço, dor abdominal.

Ainda, a pele amarelada também é um indicativo do vírus no organismo. No Brasil, a febre amarela é transmitida pelos mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os macacos, que vivem no mesmo ambiente silvestre que esses mosquitos, são as primeiras vítimas da doença.

A época mais propícia para surtos da doença ocorre quando são notificadas altas temperaturas, períodos de chuva e alta densidade de vetores (mosquitos transmissores do vírus), especialmente em locais onde há baixa sensibilidade para a vigilância de epizootias em primatas e baixas coberturas vacinais.

Em Santa Catarina, três mortes pela doença em humanos foram registradas em 2021, em Águas Mornas, Blumenau e São Bonifácio, sendo que as vítimas não tinham ido receber o imunizante contra a febre amarela. Outros cinco casos também foram notificados.

Focos de febre amarela em Santa Catarina

Conforme monitoramento da DIVE, as regiões do Litoral, Serra, Oeste e Médio Vale do Itajaí catarinense são as que mais apresentem tendência de surgimento de novos casos de febre amarela no Estado.

Com esse mapeamento em mãos, os técnicos da Vigilância Epidemiológica conseguem entender melhor a movimentação do vírus e conseguem traçar planos de ação e resposta à transmissão da doença.

Primatas são grande focos da transmissão de febre amarela – Foto: Pixabay/Divulgação/NDPrimatas são grande focos da transmissão de febre amarela – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

“Tudo isso só é possível graças às notificações das epizootias [morte ou adoecimento de primatas] em tempo oportuno. Por isso, é tão importante que a população avise a Secretaria de Saúde do seu município sempre que encontrar um macaco morto ou doente”, destaca o diretor da DIVE/SC, João Augusto Brancher Fuck.

Ele comenta também que “o animal sinaliza a presença do vírus na região e acende um alerta para as equipes de saúde”. Logo, ao notarem o adoecimento de primatas ao redor de suas moradias, a população deve notificar prontamente as equipes de vigilância.

Além dos convencionais meios telefônicos, outra forma de notificação é por meio do aplicativo SISSGeo. A ferramenta, que está disponível para download, permite o registro da morte do primata em tempo real, levando o dado diretamente para o sistema que atualiza os modelos de risco da febre amarela.

Vacinação

Durante a oficina, “foram inseridas informações sobre a cobertura vacinal desses locais para avaliar as áreas mais suscetíveis e vulneráveis para a circulação do vírus” explica a bióloga da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, Renata Gatti.

Santa Catarina tem 79,52% do público-alvo vacinado contra a febre amarela. O ideal, segundo o Ministério da Saúde, é que 95% desse público seja imunizado contra a doença para evitar possíveis surtos da doença no Estado.

“A melhor maneira de prevenir a febre amarela em humanos é através da vacinação. Todos os moradores de Santa Catarina a partir dos nove meses de idade devem receber a dose da vacina, que está disponível gratuitamente nos postos de saúde”, destaca a gerente de imunização da DIVE/SC, Arieli Schiessl Fialho.

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