Projeto do IFSC de Urupema produz 550 litros de álcool 70° a partir de vinho

Além do álcool, projeto também vai produzir sabonetes e sabão; produtos serão distribuídos para serviços de saúde pública e a comunidade serrana

Um projeto idealizado por professores do campus do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) de Urupema está produzindo álcool 70°GL a partir de vinho. Além do produto, o projeto também produzirá sabonetes e sabão para distribuir em postos de saúde, escolas e para a comunidade serrana.

Segundo o professor de matemática e autor da iniciativa, Geovani Raulino, serão produzidos aproximadamente 550 litros de álcool, com os 3.200 litros de vinho que foram arrecadados nos últimos meses.

Projeto do IFSC vai produzir 550L de álcool 70° a partir de vinho – Foto: Mariana Dullius/IFSC

“Além da escassez no mercado de produtos à base de álcool-gel, observou-se uma elevação do preço deste produto. Com isso, uma terceira situação nos chamou a atenção: muitas pessoas no Brasil não têm acesso a produtos de higiene; na verdade, muitas pessoas sequer têm acesso à água”, argumenta o professor de matemática e autor da iniciativa, Geovani Raulino.

A doação do vinho aconteceu tanto por parte da parceira Vinícola Abreu Garcia, de Campo Belo do Sul, quanto das apreensões da Receita Federal.

Os 2.500 litros de vinho doados pela empresa privada foram transportados pelo Corpo de Bombeiros do 5º Batalhão da Brigada Militar de Lages.

A coleta do vinho descartado pela Delegacia da Receita Federal – cerca de 600 litros – aconteceu no mês de julho. O projeto ainda conta com 100 litros que já estão no laboratório para produção.

Sabonetes e sabão serão distribuídos

Os sabonetes são produtos de base glicerinada e que levarão extratos essenciais de plantas cultivadas ou nativas da região, como a goiaba-serrana.

Esses produtos serão repassados para uso nos serviços de saúde pública municipal de Urupema e municípios da região da Serra Catarinense, bem como para a população de baixa renda desses municípios.

Para Geovani, os diferenciais dessa proposta em relação a outras iniciativas existentes são o engajamento da comunidade local e da sociedade civil na doação de insumos (óleo e banha para a produção de sabão), sustentabilidade (ação de utilização dos subprodutos da uva, do vinho e de outras matérias-primas alimentícias aptas à produção de álcool por destilação) e articulação com os órgãos municipais.

“Toda essa etapa tem à frente a Comissão de Sustentabilidade do Câmpus Urupema que fortalece as ações já preconizadas pela administração do município na separação dos resíduos e rejeitos e no descarte adequado de lixo, incluídas as gorduras”, ressalta Raulino.

Como funciona a produção

O professor Geovani explica que o processo de produção do álcool é simples. “O álcool é resultado do processo de fermentação alcoólica a partir do consumo de açúcares simples por microrganismos de vida simples, as leveduras”, diz. É partir desse processo que são produzidas bebidas como a cerveja e o vinho.

“A destilação é uma operação em que o produto fermentado é aquecido, e as frações mais voláteis vão sendo evaporadas à medida que atingem a temperatura de evaporação. Nessa operação, os álcoois são arrastados do fermentado e, depois, condensados para serem coletados”, explica Geovani.

Ainda segundo ele, “operações de destilação em sequência vão fracionando os diferentes álcoois, numa etapa a qual se denomina purificação. A retificação, que sucede a purificação, é a operação de acréscimo de água ao álcool, ajustando a concentração da solução na graduação que corresponde àquela que têm efeito de sanitização, ou seja, a graduação de 70 °GL”, completa.

Bombeiros ajudaram no transporte do vinho até o IFSC – Foto: Geovani Raulino/Divulgação

Ele esclarece que a partir da obtenção do álcool, podem ser elaborados o gel alcoólico, com o acréscimo do polímero que gelifica o álcool e o coloca numa forma mais segura para a sua distribuição como produto de limpeza e de higiene.

“Também com o álcool purificado, a adição de uma base forte de gordura e açúcar faremos sabão. Já os sabonetes serão elaborados a partir de base glicerinada, que tem poder hidratante, e a elas serão incluídas essências e extratos de plantas nativas da região, como a goiaba-serrana, que tem comprovadas propriedades antimicrobianas”, pontua o professor.

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