Qual a eficácia das vacinas para variante Delta da Covid-19, com casos investigados em SC

OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que a variante, considerada mais contagiosa, logo se transformará em dominante mundialmente

A investigação de dois casos suspeitos de infecção pela variante Delta da Covid-19 em Santa Catarina acende o alerta para a eficácia das vacinas em uso no país.

A variante Delta, também chamada de variante indiana, teve os primeiros casos detectados em outubro de 2020 – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilA variante Delta, também chamada de variante indiana, teve os primeiros casos detectados em outubro de 2020 – Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Os casos estão sendo monitorados na cidade de Joinville, no Norte do Estado. Se confirmados, será a primeira vez que a variante indiana do novo coronavírus é diagnostica em Santa Catarina.

Nesta segunda-feira (12), a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que a variante Delta, já detectada em 98 países, logo se transformará em dominante mundialmente. Isso porque ela é mais contagiosa do que as outras detectadas anteriormente.

“O mundo está experimentando, em tempo real, como o vírus continua mudando e se tornando mais contagioso”, afirmou o diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A variante Delta, também chamada de variante indiana, teve os primeiros casos detectados em outubro de 2020. No Brasil, duas pessoas infectadas por ela morreram, uma no Paraná e outra no Maranhão.

Eficácia das vacinas

Estudo publicado pela revista científica Nature aponta que duas doses das vacinas da Pfizer ou da AstraZeneca geram resposta imune contra a variante Delta em 95% dos pacientes vacinados, mesmo que ela seja capaz de escapar de alguns anticorpos monoclonais de laboratório.

Os cientistas franceses responsáveis pela pesquisa, no entanto, indicam que a cepa é menos inibida por anticorpos presentes em pessoas que já tiveram Covid-19 e não receberam nenhuma injeção ou que receberam apenas uma dose dos imunizantes.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a Coronavac apresentou bons resultados contra a variante Delta do coronavírus em testes realizados em laboratório, mas ainda faltam dados populacionais sobre a proteção da vacina em relação à variante originária na Índia.

À agência de notícias Reuters, o porta-voz da Sinovac, farmacêutica chinesa que desenvolveu a Coronavac, Liu Peicheng, não apresentou dados detalhados, mas disse que os resultados preliminares baseados em amostras de sangue dos vacinados mostraram uma redução de três vezes no efeito neutralizante contra a Delta.

Já a Johnson & Johnson anunciou que a vacina de dose única produzida pela farmacêutica é eficaz contra a variante Delta com uma resposta imunológica que dura pelo menos oito meses.

Os anticorpos e as células do sistema imunológico de oito pessoas inoculadas com a vacina Janssen neutralizaram efetivamente a cepa, de acordo com os pesquisadores.

“Acreditamos que nossa vacina oferece proteção duradoura contra a Covid-19 e provoca uma atividade neutralizante contra a variante Delta”, disse o diretor científico da J&J, Paul Stoffels, em um comunicado da empresa.

Aspectos da variante

Especialistas da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), afiliada da OMS nas Américas afirmaram que “foi visto que as variantes se tornaram mais contagiosas”, o que garantiu sua propagação bem sucedida em tantos territórios.

Entretanto, não são mais letais, nem causam sintomas diferentes. “Não há evidência científica para dizer que é mais agressiva ou que está gerando mais mortes”, disse Jairo Mendez-Rico, assessor da OPAS sobre doenças virais, esclarecendo que se trata de uma questão de proporções.

“Se eu tiver mais pessoas infectadas, há uma maior probabilidade de que essas pessoas fiquem gravemente doentes e eventualmente morram, mas é um efeito de proporção, e não um efeito do vírus”, acrescentou.

Mendez-Rico também destacou que há “algumas dúvidas sobre se a variante Delta está matando mais jovens, mas é simplesmente uma percepção”.

“Como em muitos países começou-se a vacinar a população de maior risco, os idosos, então o vírus está se deslocando. E, nos jovens, que de fato estão relaxados com as medidas, o vírus está em movimento, e lá começamos a ver um grande número de pessoas infectadas. Não é porque o vírus está infectando mais jovens. Ele está se movendo porque estamos protegendo mais outras populações”, argumentou.

Cuidados devem continuar

A Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) informou que, apesar dos estudos indicarem que as vacinas oferecem alta proteção contra a variante Delta, não impedem que a doença seja transmitida.

Sendo assim, o órgão reforça que o uso de máscaras, distanciamento social, evitar aglomerações, manter ambientes arejados com ventilação natural e praticar a higiene respiratória, utilizando água e sabão e álcool gel 70% para lavar as mãos, são medidas essenciais que precisam ser mantidas por todos nesse momento.

*Com informações do Portal R7. 

+

Saúde

Loading...