Reações da Astrazeneca, Janssen, Pfizer e Coronavac: veja as mais comuns e eficácias

Entenda os níveis de segurança dos imunizantes e saiba como lidar com as reações de cada um dos quatro disponíveis contra a Covid-19 no Brasil

Reações provocadas por vacinas, em geral, sempre foram naturais e esperadas no processo de imunização contra doenças. Com as atenções voltadas para a vacinação no atual momento de pandemia da Covid-19, o assunto vem gerando debates e desconfiança acerca da eficácia e da segurança dos imunizantes.

Para ajudar o leitor a entender as possíveis reações provocadas pelas vacinas desenvolvidas pelos laboratórios, o ND+ reuniu todos os detalhes, curiosidades e informações sobre as quatro vacinas disponíveis no Brasil.

Saiba as reações e eficácia das vacinas disponíveis contra a Covid-19 – Foto: Julio Cavalheiro/Divulgação/NDSaiba as reações e eficácia das vacinas disponíveis contra a Covid-19 – Foto: Julio Cavalheiro/Divulgação/ND

Astrazeneca: eficácia elevada e reações

Em Santa Catarina e em todo o país, muitas pessoas relatam algum efeito colateral após receber o imunizante da Astrazeneca. Vale ressaltar que os sintomas estão previstos na bula e, normalmente, passam após poucos dias.

O vírus SARS-CoV-2 é repleto de proteínas usadas para entrar nas células humanas. Essas proteínas chamadas de spike são um alvo tentador para potenciais vacinas e tratamentos. A vacina Astrazeneca consiste em utilizar um adenovírus, que é inofensivo para o corpo humano, e modificá-lo geneticamente para que atuem de forma parecida com o coronavírus, mas sem risco para a saúde.

Isso faz com que o sistema imunológico treine e produza anticorpos capazes de eliminar o vírus caso aconteça a infecção. O imunizante, para ter seu efeito totalmente “ativado” precisa ser tomado em duas doses.

A eficácia de uma dose da Astrazeneca é bastante elevada. Uma dose da vacina já tem uma eficácia de 76%, superior a 50%, exigidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Veja as reações mais comuns da Astrazeneca:

  • Sensibilidade no local da aplicação;
  • Dor;
  • Densação de calor;
  • Vermelhidão;
  • Coceira;
  • Inchaço ou hematomas no local da aplicação;
  • Sensação de indisposição de forma geral;
  • Sensação de cansaço;
  • Calafrio ou sensação febril;
  • Dor de cabeça;
  • Enjoos;
  • Dor nas articulações ou dor muscular;
  • Febre acima de 38°C;
  • Dor de garganta;
  • Coriza;
  • Tosse;
  • Calafrios.

Mesmo aqueles que foram infectados pela Covid-19 devem receber a imunização contra a doença. Os efeitos colaterais da Astrazeneca nesses indivíduos são os mesmos.

A orientação do Ministério da Saúde é de que um médico deve ser consultado se a sensação se prolongar por mais de quatro dias, se a dor for muito intensa ou de difícil controle. Até o momento, a Astrazenca é a vacina que tem se mostrado mais reatogênica, ou seja, com mais casos de efeitos colaterais identificados.

Além disso, o profissional de saúde também deve ser procurado se a pessoa imunizada apresentar dor abdominal persistente, inchaço nos membros inferiores e manchas vermelhas na pele longe do local de aplicação.

Cuidado com os seguintes sintomas:

  • Dores no peito;
  • Inchaço nas pernas;
  • Dificuldades para respirar;
  • Dor de cabeça persistente (por duas semanas);
  • Dores abdominais persistente;
  • Pequenas manchas avermelhadas na pele próximo ao local da aplicação;
  • Visão embaçada.
Imunizante da Astrazeneca tem eficácia elevada contra a Covid-19 – Foto: Mauricio_Vieira/Secom/NDImunizante da Astrazeneca tem eficácia elevada contra a Covid-19 – Foto: Mauricio_Vieira/Secom/ND

Janssen: dose única, vermelhidão, cansaço

A vacina da Janssen imuniza totalmente com apenas uma dose. Lembrando que o corpo precisa de cerca de 15 dias após a aplicação da dose para uma resposta imune adequada.

Assim como a vacina da Astrazeneca, a Janssen utiliza um adenovírus humano (tipo de vírus que causa o resfriado comum) não replicante para combater a Covid-19. Para a produção da vacina, é colocado um pedaço da proteína “S” do Sars-CoV-2 dentro do adenovírus.

Ao receber a vacina, o sistema detecta essa proteína e passa a criar maneiras de combater esse invasor.

Entre os efeitos colaterais mais comuns da vacina estão a vermelhidão no local da aplicação, inchaço, dor de cabeça, sensação de muito cansaço, dores musculares, náuseas e febre.

Segundo a fabricante, assim como outras vacinas, a vacina da Janssen pode causar uma reação alérgica grave. Essa reação geralmente ocorre dentro de alguns minutos a uma hora após a administração da dose.

O risco, no entanto, é baixo, de acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

Vacina da Janssen é a única aplicada em dose única – Foto: Breno Esaki/Fotos Públicas/Reprodução/NDVacina da Janssen é a única aplicada em dose única – Foto: Breno Esaki/Fotos Públicas/Reprodução/ND

Quem tomou a vacina e apresentou menos ou mais reações, não precisa se preocupar pois isso não é um indicativo da eficiência da vacina. O infectologista e coordenador do curso de Medicina da Univali, Pablo Sebastian Velho, explica que cada organismo age de maneira diferente.

“Tenho pacientes que fizeram a vacina e não tiveram nada, enquanto colegas médicos ficaram incapacitados no mesmo dia. É diferente”, ressalta. O infectologista também destaca que as vacinas são seguras e que os efeitos adversos são normais.

Pablo explica que o estado de febre por 48 horas, além de dor no local da aplicação e desconforto no corpo são comuns. “Isso é benigno, transitório e vai passar”, destaca.

Ele recomenda que o paciente não faça uso de anti-inflamatórios, uma vez que a inflamação é importante para o processo de criação de anticorpos. Para aliviar a dor e conter a febre, pode-se usar analgésicos.

Eficácia 

Em janeiro, a empresa que fabrica o imunizante anunciou que a eficácia global (para casos leves e moderados) da vacina é de 66%, menor que as taxas globais da Astrazeneca (70%) e Pfizer (acima de 95%) e maior que a Coronavac (50,38%).

Porém, a resposta para casos graves da doença, que provocam internações e podem levar a morte, chegou a 85%. Os dados são do estudo da revista científica New England Journal of Medicine.

Pfizer: tecnologia inovadora e muitos sintomas

A plataforma tecnológica por trás da vacina da Pfizer é considerada inovadora, já que as doses contêm apenas partículas de RNA mensageiro do coronavírus produzidas sinteticamente. Esse ácido nucleico sintético leva informações que permitem que nossas células repliquem a proteína S, e a reconheçam para preparar as defesas do organismo.

Ou seja, o imunizante não coloca o vírus atenuado ou inativo no organismo de uma pessoa, mas ensina as células a produzirem uma proteína que estimula a resposta imunológica.

Quem tomou a Pfizer pode apresentar reações como dor no local da aplicação, fadiga, dores musculares, nas articulações e calafrios – Foto: Carlos Osório/Reprodução/NDQuem tomou a Pfizer pode apresentar reações como dor no local da aplicação, fadiga, dores musculares, nas articulações e calafrios – Foto: Carlos Osório/Reprodução/ND

vacina da Pfizer também requer a aplicação de duas doses, cujo intervalo sugerido pelo fabricante é de 21 dias. Apesar disso, países como o Brasil, o Reino Unido e o Canadá decidiram estender esse prazo, com base em pesquisas que apontam que a vacina já produz imunidade na primeira dose.

Mesmo assim, a segunda dose continua necessária para que a vacina atinja a proteção ideal. No Brasil, o prazo para recebê-la é de até 12 semanas após a primeira.

Conforme a bula da vacina, com base em um estudo com mais de 19 mil participantes, as reações da vacina Pfizer mais comuns são dor no local da aplicação (mais de 80%), fadiga (mais de 60%), dor muscular e calafrios (mais de 30%), dor nas articulações (mais de 20%) e inchaço no local  (mais de 10%).

O estado de febre por 48 horas, além de dor no local da aplicação e desconforto no corpo, são comuns.

Neste caso, a recomendação é que o paciente também não faça uso de anti-inflamatórios. Para aliviar a dor e conter a febre, pode-se usar analgésicos.

Eficácia

A Pfizer divulgou eficácia de sua vacina de 91,3% contra casos sintomáticos, e de 100% contra casos graves e hospitalizações.

Comparada a outras marcas de imunizantes disponíveis no país contra a Covid-19, essa é a que tem o maior índice de eficiência.

Imunizante da Pfizer tem a maior eficácia – Foto: Rogério da Silva/Secom/Divulgação NDImunizante da Pfizer tem a maior eficácia – Foto: Rogério da Silva/Secom/Divulgação ND

Coronavac: a “primeira” vacina com vírus inativado

Produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, a Coronavac foi uma das primeiras a serem aplicadas no país contra a Covid-19.

O imunizante é o único dos utilizados até o momento no país que se baseia em uma tecnologia que já era usada no Programa Nacional de Imunizações.

Trata-se de uma vacina de vírus inativado que contém o microorganismo “morto” para que nossas defesas consigam conhecê-lo e se preparar para uma infecção.

A Coronavac requer duas doses, que devem ser aplicadas em um intervalo de duas a quatro semanas, segundo a bula aprovada com autorização de uso emergencial pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Coronavac: “a vacina do Brasil” – Foto: Divulgação/ Governo de São PauloCoronavac: “a vacina do Brasil” – Foto: Divulgação/ Governo de São Paulo

Os sintomas colaterais mais comuns após a aplicação foram dor de cabeça, inchaço e dor no local da aplicação e fadiga.

Além disso, também foram relatados outros sintomas como diarreia, dor de garganta, conjuntivite, perda de paladar ou olfato, descoloração dos dedos e erupção cutânea.

Entre os sintomas graves reportados aos órgãos de saúde estão dor ou pressão no peito, perda de fala ou movimento e dificuldade para respirar.

No caso da Coronavac, o estado de febre por 48 horas e dor no local da aplicação e desconforto no corpo também são normais. É recomendável que o paciente não faça uso de anti-inflamatórios, uma vez que a inflamação é importante para o processo de criação de anticorpos.

Eficácia

Eficácia geral (global): 50,38%. Desenvolvida pela chinesa Sinovac e produzida aqui pelo Instituto Butantan. Ela usa o vírus inativado, ou seja, o vírus morto para estimular a produção de imunidade.

Quantidade de doses para imunização: duas doses. O intervalo recomendado é de até 28 dias. O uso emergencial foi aprovado em 17 de janeiro.

Benefícios da vacinação

Os benefícios das vacinas superam, e muito, os efeitos colaterais. Os imunizantes garantem que a pessoa não morra pela doença após ser imunizada da maneira correta.

Vale lembrar que especialistas apontam que a imunização só estará completa após as duas doses da vacina ministradas, contando 14 dias após a aplicação. Esse é considerado o tempo que o organismo leva para criar anticorpos necessários para combater o vírus.

Contudo, mesmo imunizado, é necessário seguir mantendo as medidas de recomendação para evitar o contágio da doença, como o uso de máscaras, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Uma vez aprovadas para o uso em massa, as vacinas são consideradas eficazes e seguras.

Número “mágico” da vacinação

Em entrevista ao ND+, o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro confirmou que o número divulgado por especialistas aponta que 70% das pessoas totalmente imunizadas, ou seja, que receberam as duas doses ou dose única, no caso da Janssen, seja o ideal para se ter uma vida menos restritiva.

“Eu imagino que para novembro, lá para o Natal, a gente consiga ter uma data mais calorosa, com pessoas podendo se abraçar, se reunindo de uma forma mais tranquila. Mas claro que isso tudo depende do que irá acontecer, da efetividade da vacina a médio e longo prazo, porque a curto prazo sabemos que ela é boa”, explica.

Até a tarde desta quinta-feira (22), Santa Catarina já havia aplicado a primeira dose em 3.335.883 pessoas, o que corresponde a 46% da população. A segunda dose foi aplicada em 17,13%, ou 1.242.205 pessoas.

São 4.578.088 doses aplicadas no total, segundo o Vacinômetro do governo do Estado.

Santa Catarina vacinou 46% da população total pelo menos com a primeira dose – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/NDSanta Catarina vacinou 46% da população total pelo menos com a primeira dose – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/ND
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