Moacir Pereira

Notícias, comentários e análises sobre política, economia, arte e cultura de Santa Catarina com o melhor comentarista politico de Santa Catarina. Fundador do Curso de Jornalismo da UFSC. Integrante da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, é autor de 53 livros publicados.


Repúdio dos médicos e de entidades contra vergonhosa CPI do Senado

Atitudes prepotentes e acintosas de desrespeito e falta de educação de Omar Aziz, Renan Calheiros e outros provoca condenação politica geral no Brasil

O Conselho Federal de Medicina emitiu nota de repúdio exigindo respeito aos médicos e a todos os que depõem na CPI da Pandemia no Senado Federal. Vários de seus membros extrapolaram todos os limites da falta de respeito e educação, afrontando os depoentes.

Médica Nise Yamaguchi prestou depoimento na CPI da Covid, – Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/NDMédica Nise Yamaguchi prestou depoimento na CPI da Covid, – Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado/ND

A nota destaca que os médicos e profissionais da saúde vêm se desdobrando no atendimento aos pacientes com a Covid-19. Condena a postura de vários senadores, enfatizando que são inadmissíveis os ataques à honra e dignidade dos médicos e de todos os depoentes.

E enfatiza textualmente: “O Conselho Federal de Medicina e os 530 mil médicos repudiam com veemência os excessos e abusos no trato de parlamentares em relação aos depoentes e convidados.”

Confira a íntegra:

MOÇÃO DE REPÚDIO

Em defesa do médico, ao respeito e à civilidade na CPI da Pandemia

O Conselho Federal de Medicina (CFM), em nome dos mais de 530 mil médicos brasileiros, vem publicamente manifestar sua indignação quanto a manifestações que revelam ausência de civilidade e respeito no trato de senadores com relação a depoentes e convidados médicos no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.

Os médicos brasileiros têm se desdobrado na Linha de Frente contra a covid-19. Graças a eles e às equipes de saúde, milhões de pessoas conseguiram recuperar sua saúde e hoje estão em casa, com suas famílias e amigos. Essa atuação tem ocorrido com dedicação, empenho e, muitas vezes, sem condições de trabalho. Por isso, merece ser reconhecida de forma individual e coletiva.

São esses mesmos médicos, que estão na Linha de Frente, que buscaram o CFM para manifestar sua insatisfação com a postura de membros da CPI nas oitivas em que profissionais da medicina participam como convidados ou testemunhas. É com eles que o CFM se solidariza nessas críticas.
A classe lamenta que esses médicos chamados a depor estejam sendo submetidos a situações de constrangimento e humilhação. Ao comparecer na CPI da Pandemia, qualquer depoente ou testemunha tem garantidos seus direitos constitucionais, não sendo admissíveis ataques à sua honra e dignidade, por meio de afirmações vexatórias.

No entendimento do CFM, e da classe médica, o que tem sido exibido em rede nacional configura situação inaceitável e incoerente com o clima esperado em um ambiente onde as discussões devem se pautar pela transparência e idoneidade. Em lugar disso, testemunha-se situações que desmoralizam os médicos e as médicas.

Reitere-se que os comentários dessa nota se referem aos médicos e médicas depoentes enquanto indivíduos, não significando apoio aos seus posicionamentos técnicos, éticos, políticos, partidários e ideológicos. Na CPI, eles responderão por suas ações e omissões, as quais, se forem consideradas indevidas, serão alvo de providências por parte do Ministério Público e de outros órgãos competentes.

Assim, o CFM e os 530 mil médicos repudiam veementemente os excessos e abusos no trato de parlamentares em relação aos depoentes e convidados, em especial médicos e médicas, e clama ao Senado Federal que os trabalhos sejam conduzidos com sobriedade para que o País tenha acesso às informações, dados e percepções que permitirão à CPI concluir seus trabalhos de modo efetivo.

Neste sentido, encaminha esse documento ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, para que, ciente destes fatos, tome as providências que considerar necessárias.”

Assinam o Conselho Federal de Medicina e todos os os Conselhos Regionais de Medicina, incluindo Santa Catarina.