Saiba como envelhecer com saúde e aproveitar a vida depois dos 60 anos

Reportagem do ND+ mostra atividades que fazem parte de uma rotina saudável para viver com qualidade de vida

Viver a vida por mais tempo é um desejo que todos têm, sobretudo com saúde, qualidade e liberdade para aproveitar a vida depois dos 60 anos.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2019, mais de 1,8 milhão de pessoas em Santa Catarina têm mais de 60 anos de idade. Saber envelhecer é um aprendizado que começa desde criança, com hábitos saudáveis que devem ser mantidos por toda a vida.

Idosos que passam pelo envelhecimento juntos – Foto: Pixabay/NDIdosos que passam pelo envelhecimento juntos – Foto: Pixabay/ND

A psicóloga Vanessa Cardoso tem pacientes de 60 até 77 anos de idade que ainda trabalham. Há pessoas que relatam ansiedade e algumas com casos recentes de sequelas físicas pós-Covid.

Principais queixas

De acordo com Cardoso, as queixas dos pacientes abrangem a incapacitação física com mente saudável e como um corpo com restrições de movimento lida com uma cabeça que ainda está jovem.

Outras reclamações abordam a autonomia de idosos, ou seja, até que ponto pessoas acima de 60 anos conseguem manter a independência a partir do envelhecimento.

“Seria a questão de gerenciar o que eles podem fazer dentro dessa autonomia, ainda que em uma condição de envelhecimento físico”, pontua.

Outra questão que gera bastante ansiedade e preocupação são as questões mentais. “Quanto mais a gente cuidar da autonomia, quanto mais o idoso for autônomo, mais saúde mental ele terá”.

Autonomia, sustentabilidade e relações saudáveis

A psicóloga aponta que atividades físicas geram ganho de força e autonomia, e o pensamento em uma sustentabilidade do envelhecimento a longo prazo, como alimentação saudável, sono, hidratação e relações saudáveis ajudam no processo. A organização de aspectos burocráticos, como a definição da herança, também são essenciais para envelhecer com mais saúde.

“Ter uma vida com mobilidade física, emocional e relacional são elementos para viver mais e viver melhor”, destaca.

Boas práticas para um envelhecimento saudável

A médica geriatra Juliane Ferrari indica algumas regras que idosos precisam seguir para ter um envelhecimento saudável: alimentação saudável, atividade física regular, não fumar e não beber, ter um bom sono, cuidar da saúde mental e controlar vacinas e doenças crônicas, caso já existam.

“Atividades lúdicas, sempre buscar aprender algo novo, ser intelectualmente e socialmente ativo, ter sonhos, planos para o futuro, ter cuidado com sua saúde física, mental e espiritual”, aponta.

A geriatra ressalta que ter um estilo de vida saudável é essencial para evitar doenças como pressão alta, diabetes, colesterol alto e obesidade, responsáveis por consequências como AVC (acidente vascular cerebral), isquemia, hemorragia cerebral e infarto.

Segundo a médica, as doenças que mais matam idosos são:

  • Infarto
  • AVC (Acidente Vascular Cerebral)
  • Infecção urinária
  • Covid-19
  • Infecções por gripe e pneumonia, que podem levar a complicações ou à morte

Doenças consideradas de idade

Essas doenças ajudam a aumentar a depressão, ansiedade, insônia, osteoporose e demências como o Alzheimer, que gera esquecimento.

Idade certa para procurar médico

Segundo a geriatra, não há idade certa para procurar o médico, mas alerta: “quanto antes cuidarmos da nossa saúde melhor, principalmente pensando em prevenção e qualidade de vida”.

A médica esclarece que os idosos têm de ser avaliados de forma integral. “Não somente as questões físicas, mas questões familiares, fatores de risco e rever medicamentos e vacinas. É preciso focar na prevenção de doenças”.

Questão familiar

Ferrari ressalta que a importância do suporte familiar e a convivência intergeracional em um ambiente sem violência são “fundamentais para um envelhecimento saudável”.

Importância dos exercícios

O fisioterapeuta Wilson Peres Pinto aponta que exercícios físicos são essenciais para que haja um envelhecimento de forma saudável, ainda mais nos dias de hoje.

Para isso, ele indica alongamentos nos membros superiores e inferiores, caminhadas leves e exercícios na piscina, já que a “água é uma excelente fonte terapêutica”.

Marlene da Costa Anunciação, de 85 anos, durante sessão do pilates – Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Dreher/NDMarlene da Costa Anunciação, de 85 anos, durante sessão do pilates – Foto: Arquivo Pessoal/Pedro Dreher/ND

Além disso, existem alternativas como academias ao ar livre, com aparelhos específicos a uma série de exercícios. Sessões de pilates também ajudam no fortalecimento muscular.

Pilates e drenagem linfática

Maurilio João da Costa, de 88 anos, pratica pilates há pelo menos oito anos.

“A idade vem e a gente começa a sentir dores, dificuldades e falta de equilíbrio, e vi a necessidade do exercício”, aponta Costa.

Sr. Maurilio durante a aula de pilates na academia – Foto: Arquivo pessoal/ Pedro Dreher/NDSr. Maurilio durante a aula de pilates na academia – Foto: Arquivo pessoal/ Pedro Dreher/ND

Maurilio faz pilates duas vezes por semana, às segundas e quartas, e sente-se revigorado. “Me faz bem. Exercício é eficiente. A pessoa tem que ser ativa”, comenta. O idoso até tentou, mas não faz caminhadas. “Me faria muito bem, mas não faço por encontrar calçadas irregulares” em Santo Amaro da Imperatriz, onde mora.

Além do pilates, o comerciante faz drenagem linfática uma vez por semana para ativar a circulação. Aos 88 anos e, apesar de usar aparelho auditivo, ele se sente bem. “Me sinto feliz por ter essa idade e quero ir além. Eu quero viver”.

Com cinco filhos e 10 netos, ele vê o apoio familiar como fundamental para continuar com as atividades. “Todos eles (filhos) estão enfrentando a vida. O apoio faz bem para mim. Me sinto gratificado e me sinto bem tendo chance de fazer minhas tarefas diárias”, finaliza.

Guardar com inteligência

Segundo a economista Francine Mendes, os idosos precisam ser equilibrados na questão financeira. É importante que consigam guardar algum dinheiro com inteligência nesta idade.

Mendes aponta três categorias de gastos de pessoas com mais idade: essenciais, com custos para alimentação; supérfluos, como lazer e cinema; e desperdícios, que são aqueles serviços pagos, mas não são aproveitados.

Ela afirma que o Brasil não tem a cultura de educação financeira e cita uma pesquisa do Instituto BCG (Boston Consulting Group) que diz que, de quatro pessoas pobres, pelo menos três são mulheres.

A economista destaca que muitos idosos dependem do INSS (Insituto Nacional de Seguro Social), e a falta de dinheiro nesta idade pode causar depressão. “O idoso pobre, vulnerável e sem alternativa”.

Alternativas

O investimento em títulos públicos e títulos privados com garantias podem ser uma alternativa para conseguir mais renda, o que requer um investimento inicial. “Idoso tem de ser conservador e preciso, não pode mais se aventurar”, pontua.

De acordo com Mendes, os idosos têm o viés comportamental de achar que a poupança é mais rentável porque aprenderam dessa forma. Ela destaca que, atualmente, o tesouro Selic rende 1,1%, enquanto a poupança rende 0,5%.

Socialização

De acordo com Mendes, os idosos precisam ter empregos legais e prazerosos e precisam se socializar. A economista indica sempre o filme “Um Senhor Estagiário”, pois abre a mente dos idosos a novas perspectivas.

+

Saúde

Loading...