Saiba como identificar a intolerância alimentar na primeira infância e veja alternativas

Médica alergista indica atenção ao comportamento dos bebês após o consumo de alguns alimentos

A intolerância alimentar é uma situação causada pela ausência ou deficiência de enzimas digestivas no organismo. Assim, os alimentos não conseguem ser digeridos corretamente, o que resulta no aparecimento de  sintomas como cólicas, distensão abdominal, gases, diarreia, dor de estômago e náusea.

Intolerância alimentar em bebês requer cuidados redobrados – Foto: Pexels/Divulgação/NDIntolerância alimentar em bebês requer cuidados redobrados – Foto: Pexels/Divulgação/ND

A médica alergista Andressa Zanandréa, da ASBAISC (Sociedade Catarinense de Alergia e Imunologia), explica que a intolerância pode ocorrer em qualquer época da vida.

“Pode ser permanente/primária (durar a vida inteira) ou transitória/secundária após infecções ou uso de medicações que destroem a flora intestinal, como antibióticos”, diz.

A intolerância em bebês

No caso da intolerância em bebês, é necessário cuidado redobrado. Por isso, outra médica alergista da ASBAISC, Maria Claudia Pozzebon Schulz,  indica atenção ao comportamento dos pequenos. “Observe se a criança chora depois do consumo de determinados alimentos, apresenta refluxo e barriga inchada”.

Ela diz que, devido a vários tipos de intolerância, “a criança pode comer um pedaço de queijo sem sentir qualquer sintoma, mas não consegue tomar um copo de leite sem passar mal”.

Diagnóstico

O diagnóstico de intolerância alimentar é baseado no aparecimento de sintomas imediatos ou em até duas horas após o consumo do produto que contém a substância à qual a criança é intolerante.

Ainda de acordo com a médica, não há exames laboratoriais ou testes alérgicos para detectar o problema.

Alguns dos principais sintomas que indicam a intolerância alimentar infantil são dor no abdômen, azia, dor nas articulações, dor de cabeça e irritabilidade.

Tratamento

Segundo a alergista Maria Claudia Schulz, o tratamento da intolerância alimentar consiste em evitar o consumo do alimento associado aos sintomas e merece acompanhamento de especialistas, que promovem adaptações e substituições na dieta para que se receba todos os nutrientes necessários.

A engenheira Luisa Guenther, de 37 anos, conta que seu filho Augusto Guenther Leonardi, de 2 anos e 3 meses, teve alergia à proteína do leite de vaca, chamada APVL, que evoluiu para uma intolerância alimentar por imaturidade intestinal.

Luisa Guenther e seu filho Augusto de 2 anos e 3 meses – Foto: Arquivo pessoal/NDLuisa Guenther e seu filho Augusto de 2 anos e 3 meses – Foto: Arquivo pessoal/ND

Ela conta que, quando o menino tinha 30 a 40 dias de vida, começou a apresentar refluxo e sangue nas fezes.

A partir de então, a gastropediatra orientou a tirar alimentos como a proteína do leite, da soja e alguns alergênicos da dieta dela, enquanto ele ainda mamava.

Com isso, Augusto passou a melhorar, mas ainda apresentava sintomas. Luisa conta que manteve a dieta restritiva por mais de um ano.

Quando o filho começou a comer, todos tiveram muito cuidado para que ele não ingerisse alimentos com leite e soja, pois eles geram diarreia. Por causa disso, com medo de contaminação, a família não comia nada fora de casa.

Por causa disso, a família sempre tem de estar preparada em eventos sociais que vão com Augusto, como festinhas e eventos. Luisa costuma levar alimentos que ele pode comer, como chocolate vegano (sem soja), pão de queijo vegano e bolachinhas.

Alimentos que pesam no bolso

A engenheira conta que os alimentos substitutos, como os veganos e os de base vegetal, castanhas, arroz e aveia, “muitas vezes são mais salgados para o bolso”. Segundo ela, é preciso pesquisar e conhecer a procedência das comidas.

Luisa passou a perceber os valores mais altos depois que fizeram os testes e perceberam que a alergia de Augusto já tinha se tornado uma intolerância.

“Em Florianópolis existem várias opções, mas são lugares que utilizam ingredientes diferenciados e têm todo cuidado no preparo dos alimentos. Consequentemente, são mais caros”, afirma a mãe do garoto.

Augusto comendo alimentos como macarrão – Foto: Arquivo pessoal/NDAugusto comendo alimentos como macarrão – Foto: Arquivo pessoal/ND

Luisa ficou mais de um ano comendo apenas em casa com o filho e hoje pergunta aos lugares como são preparadas as comidas.

“A internet ajuda, pois consigo mandar mensagem antes e avaliar se temos opções. Hoje temos uma lista de lugares que já sabemos que vamos comer tranquilos, inclusive pizzaria. E tenho sempre lugares para ‘testar'”, explica.

“São poucos, mas alguns restaurantes colocam todos os ingredientes no cardápio, o que ajuda bastante”, completa.

Adaptação da família

Augusto não costuma consumir leite e soja e Luisa procurou adaptar a dieta da família. Ela, o marido e o filho passaram a comer o queijo como substituto.

“Tentamos não comer coisas que ele não pode quando estamos junto dele, mas quando isso acontece explicamos que ele não pode comer, que faz mal. Tentamos ao máximo manter o mesmo cardápio para todos”, diz a mãe.

Segundo ela, o tipo de intolerância alimentar do pequeno Augusto tem cura e, normalmente, acontece próximo aos 2 anos. “Às vezes, percebemos que algo não fez muito bem a ele, mas cada vez mais faz menos mal”.

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