Saiba por que jovens estão sendo intubados por Covid-19 em SC

O aumento no número de casos de Covid-19 em jovens preocupa especialistas após chegada da nova variante ao Estado

O grupo de risco em situação grave por causa da Covid-19 não tem sido apenas idosos e pessoas com comorbidades. O aumento no número de jovens intubados por coronavírus em Santa Catarina preocupa especialistas. 

UTIsSanta Catarina matem em 16 o número de regiões em nível gravíssimo (vermelho) para Covid-19  – Foto: Hospital de Maravilha/Divulgação/ND

Para o coordenador do ambulatório de infectologia da USP, Max Igor Banks Ferreira Lopes, o aumento no número de casos graves em jovens está associado à variante brasileira da Covid-19.

“As variantes possuem maior replicação viral e a quantidade de vírus é um dos fatores que está relacionado à gravidade”, explica. 

Com a exposição a qual o jovem se submete ao não respeitar o isolamento social, o risco de agravamento da doença é o mesmo, independente da faixa etária ou de comorbidades.

“A Covid-19, em sua variante, acomete a todos com a mesma intensidade. Idosos adoecem em proporção maior, mas hoje em dia o vírus tem circulado mais entre jovens que possuem exposição a aglomerações e sem proteção”, comenta Lopes. 

Santa Catarina já contabiliza 700.127 pessoas testadas positivas desde o início da pandemia e com a identificação da nova variante do vírus no Estado, o maior número de casos ativos no momento está na faixa etária de 20 a 49 anos.

O Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis, confirmou um aumento nos casos graves em jovens, principalmente de obesos, desde o início do ano. Atualmente, 50% da UTI, está ocupada por essa faixa etária.

Uso de corticoide

De acordo com o infectologista, o aumento de casos na faixa etária mais jovem pode ter relação também com o uso de corticoide em fase errada da doença.

“O uso de corticoides na primeira semana não tem benefícios e, se usado, pode agravar a doença por interferir na imunidade em um momento em que o corpo precisaria eliminar o vírus”, explica.

Muitos médicos, segundo Lopes, receitam o uso desse medicamento na primeira semana.  

Não existe um estudo sobre  o uso precoce de corticoide. “O uso mais tardio, a partir do sétimo dia de sintomas, é fundamental para reduzir a gravidade. Nessa fase, o corticoide pode ajudar, mas apenas nessa fase”, explica.

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