Saiba quais são os perigos do mofo para a nossa saúde

Médica alergista Danddara Silveira explica também as diferenças entre rinite e resfriado

O mofo, que costuma aparecer quando há muita umidade, é um problema bastante comum tanto no verão quanto no inverno. E não é só por conta do odor e do desconforto que causa, mas
também por representar alguns perigos para a nossa saúde.

Médica alergista Danddara Silveira explica os perigos do mofo para a saúde - RICTV/Divulgação
Médica alergista Danddara Silveira explica os perigos do mofo para a saúde – RICTV/Divulgação

De acordo com a alergista e imunologista Danddara Silveira, o mofo é especialmente danoso para pessoas que sofrem com rinite e asma pois pode agravar os sintomas dessas doenças.

O mofo são esporos que ficam no ar e quando a pessoa os inala – se ela já for sensibilizada -, seu organismo vai reagir com espirros, obstrução nasal, coceira, tosse e falta de ar, por exemplo. Ele também pode causar a chamada rinoconjuntivite, em que o olho fica avermelhado, lacrimejando e algumas vezes apresenta até inchaço.

“Esse mal-estar é bem importante, especialmente aqui em Joinville que é uma cidade bastante úmida, e é muito difícil de controlar”, afirma a médica.

A alergista diz que o controle ambiental é muito importante, porque doenças como rinite alérgica e asma, têm um fator genético presente. “Então, quem tem pais com rinite ou asma tem mais chance de desenvolver a doença, e esse é um fator que não conseguimos controlar”, explica. “Mas já que conseguimos controlar o fator ambiental, ele tem que ser adequado pois não basta fazer o tratamento correto (das doenças), tem que ter o controle ambiental também”, complementa.

O problema não atinge apenas quem é alérgico. O contato com fungos, muitas vezes presentes até mesmo no ar condicionado, pode afetar qualquer pessoa e causar algumas doenças respiratórias. Um exemplo são as pnemonites, que não são muito comuns, mas podem ocorrer.

Dicas básicas como colocar giz dentro do guardarroupas para sugar parte da umidade e limpar o filtro do ar condicionado pelo menos uma vez ao mês, podem ajudar a minimizar os problemas.

Vale lembrar ainda que é muito comum a rinite ser confundida com resfriados, então quem está sempre com a sensação de estar resfriado – incluindo as crianças em idade escolar – deve passar por uma consulta médica para avaliar o quadro. Isso acontece, segundo a especialista, porque os sintomas são muito parecidos.

Coriza e obstrução nasais e a tosse, por exemplo, são comuns tanto à rinite quanto ao resfriado. Mas coceira no nariz, garganta e ouvidos; crise de espirros ao entrar em ambientes fechados; e acúmulo de secreção dando a sensação de cabeça pesada são típicos da rinite, enquanto a febre é sintoma de resfriado.

Tratamento

No caso de crises de rinite, o primeiro passo é consultar um médico para ter o diagnóstico confirmado.

Para pessoas com o problema recorrente e que já estão diagnosticadas, a indicação é de medicação de resgate. “São medicações para aquele momento específico, quando a pessoa foi à casa de algum parente que tinha carpete, por exemplo, aí basicamente se trata com antialérgicos”, diz a médica.

Já os remédios de uso nasal costumam ser indicados para tratamentos mais prolongados e não para uso pontual, segundo a alergista. “São corticoides inalatórios, de uso nasal, que precisam de orientação médica e são o pilar principal do tratamento da rinite”, explica.

A médica afirma ainda que os corticoides inalatórios são seguros. Mas ela alerta que os descongestionantes nasais, facilmente encontrados em farmácias, não são tão seguros quanto se pensa. “Além de não tratarem a rinite alérgica, eles podem provocar uma rinite medicamentosa, dando um efeito rebote: melhora na hora, mas depois você não consegue mais ficar sem ele para respirar bem”, avalia. “Vira um ciclo, você melhora e piora, melhora e piora. Você precisa sair desse ciclo e tratar a rinite”, aconselha.

O uso de soro fisiológico nas narinas, por outro lado, não só é benéfico como aconselhável, porque ajuda a eliminar a secreção, principalmente nas crianças. Essa limpeza pode ser feita a cada quatro horas, basicamente de três formas:
– com seringa (sem agulha) e soro fisiológico, injeta-se o soro nas narinas, sem inclinar a cabeça para trás. Em seguida, limpe as narinas;
– uso do soro em embalagem spray, para ser aspergido diretamente do frasco nas narinas;
– soro fisiológico em embalagem de jato contínuo.

A médica diz ainda que, em crianças, é bom fazer esse procedimento de limpeza antes da refeição e antes de dormir. Para aquelas que já usam o corticoide nasal, receitado pelo médico, a
indicação é fazer primeiro a limpeza das narinas com o soro e depois aplicar o medicamento.

>> Assista a entrevista completa com a Dra. Danddara no #Programa Ver Mais Joinville:

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