Santa Catarina tem somente 12 leitos de UTI adultos disponíveis

Superlotação atinge 46 dos 55 hospitais de Santa Catarina, que já não tem nenhum leito adulto de UTI; no total, Estado tem somente cinco leitos da Covid-19 disponíveis

Os últimos dados, desta segunda-feira (1º), indicam que dentre 1.279 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ativos em Santa Catarina, são somente 12 disponíveis, representando uma ocupação de 99% que, na prática, é um colapso do sistema de saúde pública.

Isso, pois a fila para novas internações e a rapidez com que saem e entram pacientes nos hospitais tornam os dados mais graves do que são. Na última quinta (25) o Secretário de Estado de Saúde já havia anunciado o colapso do sistema de saúde, que teve a situação agravada até então.

SC; Santa Catarina; leitos; uti; hospitais; covid-19; lotadosSituação de superlotação hospitalar começou no Oeste, mas atualmente atinge todo o Estado de Santa Catarina – Foto: HRSP/Divulgação/ND

Além disso, se analisados os leitos para os pacientes adultos da Covid-19, são somente cinco disponíveis, tornando a situação ainda mais grave, dado o alto contágio que vigora atualmente.

Desde o início da pandemia, Santa Catarina nunca havia somado tantos pacientes infectados ativos. Os dados do primeiro dia de março indicam 33,5 mil ativos, considerando que o número deve ser ainda maior, dada a subnotificação e a parcela de assintomáticos.

Tanto os dados de transmissibilidade quanto os de ocupação hospitalar mudam o panorama de risco que, atualmente, exibe todas as regiões em vermelho no mapeamento de risco potencial do Estado.

O mapa serve para restringir ou afrouxar atividades conforme o contágio, mas, pela primeira vez em praticamente um ano de pandemia, foi decretado lockdown pela gestão estadual. A medida, porém, vale somente aos fins de semana, e deve vigorar até o dia 7.

Autoridades judiciais já solicitaram uma restrição igual, porém que valesse por 14 dias, mas tiveram a recomendação negada. Atualmente, Secretários de Saúde pleiteiam um lockdown nacional, que prevê suspensão de eventos, aulas presenciais, toque de recolher das 20h até as 6h, dentre outras medidas.

Duas regiões não possuem mais leitos de UTI

Além do panorama global, se analisadas as regiões em separado, a Foz do Rio Itajaí e a Grande Oeste não apresentam nenhum leito de UTI adulto disponível.

Todas as demais possuem 98% ou 99% de ocupação, e somente oito dos 55 hospitais de todo o Estado possuem algum leito disponível. O que tem menor ocupação, atualmente, é o Hospital São Donato, em Içara, que tem 15 de 18 leitos ocupados.

Ocupação dos leitos de UTI do SUS por região – Foto: Divulgação/Governo de SC/NDOcupação dos leitos de UTI do SUS por região – Foto: Divulgação/Governo de SC/ND

No Norte, sete dos nove hospitais estão com os leitos totalmente ocupados, deixando somente duas alternativas, o Hospital São José, em Joinville, e o Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra.

Da mesma forma, os leitos especiais para a Covid-19 são mais escassos, com somente quatro hospitais tendo vagas disponíveis, sendo o Hospital Doutor Waldomiro Colautti, em Ibirama, e o Hospital Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Nova Trento, além dos dois citados acima.

Contudo, todos eles somam lotação na casa dos 90%, o que os deixa na prática, como se estivessem lotados.

A situação é tão grave que força os agentes de saúde a adotarem o protocolo universal dos hospitais, de ceder assistência aos pacientes que possuem mais chances de sobreviver.

“Vamos ter que escolher quem vem e quem fica, com base no quadro médico e idade”, lamenta a médica Paola David, diretora clínica do hospital Regional de Biguaçu, em entrevista ao ND+.

SC abre corrida para abrir novos leitos

Mesmo que desde o início da pandemia o número de leitos abertos pelo Governo do Estado seja grande, a superlotação ocorre nesta transição de fevereiro para março, quando o Estado vive a pior fase da pandemia.

A ideia das autoridades é de abrir leitos de UTI, além de comprar leitos da rede particular. Em negociação, o governador Carlos Moisés (PSL) já sinalizou que tem R$ 600 milhões em caixa para a compra de leitos da rede particular, mas ainda não teve sinal verde para a aquisição.

Em Itajaí, o secretario de Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, prometeu recursos aos hospitais da região e abertura de novos 40 leitos de UTI e outros 40 de enfermaria, que geralmente abrigam pacientes que estão na fase final e não apresentam quadro grave da doença.

Na ocasião, Motta afirmou que o “entendimento do momento” é um problema.

“Nós temos uma dificuldade de consciência coletiva, das pessoas entenderem que estamos em uma pandemia. Hoje nós temos vários problemas, dentre eles o entendimento de processo, entendimento de momento, recursos humanos, equipamentos, insumos, mas nós temos a obrigação de achar as soluções”, diz André.

Outro percalço é a contratação de profissionais, já que para cada leito de UTI são cerca de oito pessoas em serviço, enfrentando jornadas cada vez mais exaustivas com o colapso do sistema público.

A contratação de profissionais, da mesma forma, também custa mais caro aos cofres do Estado, sendo que a justificativa para o orçamento relativamente alto do Hospital de Campanha de Itajaí, planejado e não executado, era de que contratar médicos custaria muito mais do que custear infraestrutura.

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