SC aplicou 73 doses de lote da Coronavac suspenso pela Anvisa; veja as cidades

Lote chegou ao Estado no dia 27 de julho, e doses foram distribuídas para Entre Rios e Rio Rufino; quase metade destas aplicações se deram em reserva indígena

Santa Catarina aplicou 73 doses do lote L202106038, que foi interditado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no último sábado (4). No dia 27 de julho, o Estado recebeu o lote com 2.100 doses do imunizante Coronavac, distribuído pelo Instituto Butantan.

Destas, 293 doses foram distribuídas para as Centrais Regionais. A reportagem do ND+ rastreou o lote, e apurou que elas foram aplicadas em 38 pessoas em Rio Rufino, na Serra, e em outras 35 – sendo todas estas de uma reserva indígena –  em Entre Rios, no Oeste catarinense.

Santa Catarina aplicou doses de lote da coronavac interditado pela Anvisa – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Divulgação/NDSanta Catarina aplicou doses de lote da coronavac interditado pela Anvisa – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Divulgação/ND

Uma nota emitida pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), ainda no dia 4 de setembro, informou que 40 doses do lote haviam sido enviadas para a Central de Lages, outras 252 para Xanxerê e uma dose para Chapecó.

A área técnica do órgão detalhou que as 40 doses foram encaminhadas da Central de Lages para o município de Rio Rufino. Além disso, a partir da Central de Xanxerê, 252 doses foram para Entre Rios, e de Chapecó, a única dose havia ido para Saudades.

Quem tomou vacina desse lote em Rio Rufino

De acordo com a Secretaria de Saúde de Rio Rufino, o lote de vacinas contra a Covid-19 chegou no dia 29 de julho, e foi aplicado como segunda dose em 38 pessoas. Na carteira de vacinação do município, não consta o número do lote.

Dessa forma, o cidadão que foi vacinado no período deve conferir se recebeu a vacina do lote L202106038 por meio do aplicativo ConecteSus. Caso realmente tenha tomado o imunizante deste lote, a indicação é procurar a Vigilância Sanitária do município para realizar o acompanhamento.

Rastreio das doses aplicadas em Entre Rios

Já em Entre Rios, onde foi entregue a imensa maioria das doses deste lote em Santa Catarina, a situação é diferente. A Secretaria de Saúde do município informou que, felizmente, 217 das 250 doses ainda estão na geladeira, e não foram utilizadas.

No entanto, 35 doses foram utilizadas na reserva indígena da cidade. A prefeitura informou que há um setor de saúde específico dentro da reserva, e as informações sobre a suspensão do lote e o monitoramento já foram repassadas para a equipe.

Conflito na região de Chapecó

Em relação à dose que foi entregue na Central Regional de Chapecó, há um desencontro de informações. O secretário de Saúde de Chapecó, Luiz Carlos Balsan, garantiu que o lote não foi aplicado no município.

A Dive informou, posteriormente, que esta dose teria ido para Saudades. A Secretaria de Saúde de Saudades, no entanto, nega a informação, alegando que também não recebeu doses deste lote. Até o fechamento desta reportagem, a Dive não deu retorno sobre o paradeiro da dose.

Quem recebeu a dose deve se preocupar?

No dia 4 de setembro, a Anvisa determinou a interdição cautelar de 25 lotes da coronavac, porque eles foram envasados em uma planta de produção não inspecionada.

A distribuição e a aplicação das 12.113.934 doses exclusivamente destes lotes foram proibidas por até 90 dias, enquanto as demais seguem com uso liberado no pPaís.

Em nota, a agência afirmou ter sido informada pelo Instituto Butantan sobre a situação em uma reunião na sexta-feira, às 16h, e, posteriormente, também por meio de um ofício.

A informação repassada pela instituição à Anvisa é que as doses foram envasadas (em frascos com uma e duas doses) em uma planta fabril da Sinovac (desenvolvedora da vacina) na China que não foi inspecionada e aprovada para AUE (Autorização de Uso Emergencial) no Brasil.

Orientação é que pacientes que receberam doses do lote interditado sejam monitorados por 30 dias – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Divulgação/NDOrientação é que pacientes que receberam doses do lote interditado sejam monitorados por 30 dias – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Divulgação/ND

“As medidas cautelares também são um ato de precaução, que visa proteger a saúde da população, sendo adotadas em caso de risco iminente à saúde, sem a prévia manifestação do interessado, fundamentadas nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sendo aplicáveis para a ação de fiscalização de interdição cautelar”, explicou a agência.

Até esta quinta-feira (9), portanto, não há indícios de que as doses produzidas pelo laboratório provocaram algum tipo de efeito adverso.

Na última segunda-feira (6), o Ministério da Saúde emitiu uma Nota Técnica com as orientações sobre os lotes.

“As doses administradas deverão ser registradas nos sistemas de informação (Sistema do Programa Nacional de Imunizações SI-PNI, e-SUS AB ou sistemas próprios que interoperem com o SI-PNI por meio da RNDS), devendo os usuários, que receberam a vacina, ser acompanhados, durante 30 dias para avaliação de possíveis eventos adversos; Os lotes já distribuídos e/ou aplicados estão sendo rastreados pelas equipes técnicas responsáveis e serão monitorados e controlados até definição final da Anvisa”, conclui a nota do Ministério.

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