Santa Catarina mantém vacinação contra Covid-19 para adolescentes

Ministério da Saúde divulgou que foram aplicadas doses 'erradas' por cidades catarinenses. Ministro pediu a suspensão da vacinação de adolescentes sem comorbidades no país

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, esclareceu em coletiva de imprensa concedida na tarde desta quinta-feira (16) que o pedido de suspensão da vacinação contra Covid-19 em adolescentes sem comorbidades se deve à “cautela” e falta de “comprovações científicas sólidas” da segurança do imunizante no grupo.

Além disso, o ministério destacou um certo “descontrole” por parte dos Estados e falta de coerência com o que estaria descrito no PNI (Programa Nacional de Imunização).

Contudo, em reunião do CIB (Comissão Intergestora Bipartite), concluída no início da noite, ficou definido que a vacinação dos adolescentes de 12 a 17 anos de idade em Santa Catarina será mantida, priorizando aqueles portadores de comorbidades, deficiência permanentes, gestantes, puérperas, lactantes e sob medidas sócio educativas.

“Para isso, deverá ser utilizada a vacina do laboratório Pfizer, único autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser utilizado nesse grupo etário”, informou a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, em nota.

Além disso, o intervalo para a aplicação da segunda dose da vacina da Pfizer foi reduzido de 12 para 8 semanas, seguindo a orientação do Ministério da Saúde.

As doses serão encaminhadas a partir da próxima segunda feira (20), e os municípios deverão organizar as estratégias de vacinação, considerando o novo prazo.

Durante a coletiva de imprensa do ministério da Saúde, foi apresentada uma tabela que mostra o número de doses de imunizantes diferentes da Pfizer aplicadas no grupo pelo país, e que estariam diretamente ligadas aos efeitos adversos em adolescentes. Em Santa Catarina, foram 797 doses “erradas” pelos municípios.

Vacinação em adolescentes sem comorbidades foi suspensa em todo o país – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação/NDVacinação em adolescentes sem comorbidades foi suspensa em todo o país – Foto: Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação/ND

Segundo a tabela levantada pelo Ministério da Saúde com as Secretarias de Saúde, foram aplicadas 41.592 doses em adolescentes de 12 a 17 anos nos municípios de Santa Catarina.

Destas, 353 da Astrazeneca, 420 do Butantan, e outras 24 da Janssen. No entanto, a única vacina que está autorizada para este público era a da Pfizer.

Dados levantados de aplicação de vacinas em adolescentes no Brasil mostra a aplicação de doses “erradas” em adolescentes – Foto: Divulgação/Ministério da SaúdeDados levantados de aplicação de vacinas em adolescentes no Brasil mostra a aplicação de doses “erradas” em adolescentes – Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

Doses “erradas” e os efeitos adversos

Ainda de acordo com os levantamentos do Ministério da Saúde, em todo o Brasil foram aplicadas mais de 3 milhões de doses em adolescentes. Deste número, 1.545 pessoas apresentaram efeitos adversos.

O secretário da pasta, Dr. Arnaldo Medeiros, explicou que os dados foram apurados com as secretarias municipais ainda nesta quarta-feira (15).

“Destes 1.545 relatados até ontem – não quer dizer que o número não seja maior-, 95% são considerados erros de imunização, ou seja, um quantitativo muito grande de pessoas imunizadas por vacina que não é indicada para aquela faixa etária”, disse Arnaldo.

Ministério da Saúde levantou gravidade por tipo de vacina para adolescentes - Divulgação/Ministério da Saúde
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Ministério da Saúde levantou gravidade por tipo de vacina para adolescentes - Divulgação/Ministério da Saúde
Eventos adversos por imunizante também foi apurado - Divulgação/Ministério da Saúde
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Eventos adversos por imunizante também foi apurado - Divulgação/Ministério da Saúde

Quem tomou a primeira dose não receberá a segunda

Com a suspensão da vacinação em meio a tantas aplicações pelo Brasil, muitos adolescentes ficarão sem receber a segunda dose. Ainda conforme os dados mostrados na coletiva, 246 pessoas da faixa etária chegaram a concluir o ciclo vacinal em Santa Catarina.

No entanto, todos os outros adolescentes sem comorbidades que receberam a primeira dose, seja ou não da Pfizer, não deve receber a segunda dose, frisou Marcelo Queiroga.

Essa situação se mantém “até que se tenham comprovações científicas sólidas”, garantiu o ministro.

Afinal, por que o Ministério da Saúde decidiu suspender a vacinação?

Entre os motivos para a suspensão da vacinação em adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades, o Ministério da Saúde citou, além das aplicações de doses “erradas” e um início muito precoce, visto que o PNI indicava o começo deste grupo apenas para 15 de setembro, outras circunstâncias.

Uma delas é a morte de um adolescente em São Paulo. Marcelo Queiroga destacou que ele havia recebido uma dose da Pfizer, e o nexo de causalidade da morte ainda não está confirmado.

“Estamos investigando esta morte, mas é temporalmente associada à vacinação. É um exemplo de coisas que devemos ficar atentos”, destacou o Dr. Arnaldo de Medeiros.

Com isso, Queiroga lembrou do caso de uma gestante que morreu no mês de maio, após receber uma dose da Astrazeneca, que na ocasião também foi suspensa para aquele público específico.

Além disso, o ministro fez questão de citar que há uma lei que indica que apenas adolescentes com comorbidades sejam vacinados, e citou a indicação da OMS (Organização Mundial da Saúde) e o exemplo do Reino Unido, que voltou atrás e suspendeu a vacinação de adolescentes sem comorbidades.

O ministro da Saúde, Marcello Queiroga,durante anúncio à imprensa, sobre a produção de vacinas no Brasil – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/NDO ministro da Saúde, Marcello Queiroga,durante anúncio à imprensa, sobre a produção de vacinas no Brasil – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/ND

“Em julho foi aprovada lei que prevê que crianças e adolescentes com comorbidades sejam considerados prioridade, e em virtude disso se deu a aprovação da Anvisa, o PNI incluiu os adolescentes nesta perspectiva. Naquele contexto os adolescentes em geral foram incluídos. Mas o processo de vacinação contra Covid-19 é recente. Evidências estão sendo construídas”, declarou Queiroga.

“Decidimos manter como está no texto da lei. Sigam a recomendação do PNI. Vejam o que a OMS recomendou para os adolescentes. Não apliquem vacinas que não têm autorização da Anvisa. Mães: não levem suas crianças para tomar vacina que não tem autorização da Anvisa”, concluiu o ministro.

Mais tarde, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que investiga o caso da morte de uma adolescente de 16 anos após aplicação da vacina da Pfizer. A Agência foi informada nesta quarta-feira (15/9) que, no dia 2 de setembro, ocorreu uma reação adversa grave em uma adolescente após uso da vacina contra a Covid-19.

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