SC confirma o quinto caso de febre amarela em 2021

Grande parte das notificações de casos foram descartados, mas os cinco confirmados eram de pessoas que não tinham registro de vacina; febre amarela já ocasionou uma morte em SC

O quinto caso de febre amarela em Santa Catarina foi confirmado nesta quinta-feira (8), pela DIVE/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de SC), tratand0-se de um homem de 59 anos, de São Bonifácio, na região da Grande Florianópolis.

O paciente segue internado no Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, e não tinha registro de vacina no SIPNI (Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações), assim como os demais quatro casos confirmados.

Estes foram de uma moradora de Taió, região do Alto Vale do Itajaí, de 40 anos; três na região da Grande Florianópolis: um homem, de 62 anos, morador de Águas Mornas; um homem de 46 anos, morador do município de Anitápolis; e, um homem de 34 anos, morador de Águas Mornas.

O primeiro, caso, da moradora de Taió, foi registrado em janeiro, e o último caso, de Águas Mornas, acabou evoluindo e ocasionando a morte do paciente de 34 anos.

Meio-Oeste e Serra catarinense concentram os casos confirmados em primatas. Animais não são responsáveis pela transmissão da febre amarela, mas sinalizam o contágio – Foto: Arquivo/Fábio Massalli/Agência Brasil/Divulgação/NDMeio-Oeste e Serra catarinense concentram os casos confirmados em primatas. Animais não são responsáveis pela transmissão da febre amarela, mas sinalizam o contágio – Foto: Arquivo/Fábio Massalli/Agência Brasil/Divulgação/ND

Além disso, atualmente há outro caso suspeito que ainda aguarda resultado do exame laboratorial, notificado pelo município de Lages.

Todos os casos confirmados foram autóctones, ou seja, foram contaminados em Santa Catarina, sem ter contato com o vírus fora do território catarinense.

Os números de 2021, segundo a bióloga Renata Gatti, que atua na Secretaria de Estado Saúde nos agravos de febre amarela, não são críticos se comparados aos dos anos anteriores, mas refletem a atual cobertura vacinal.

“Temos pessoas que se recusam a se vacinar ou que possuem alguma restrição. O vírus circula em Santa Catarina desde 2019, entrando por Joinville e Mafra, e desde então temos cada vez menos casos em decorrência da cobertura vacinal”, afirma.

A vacina é, atualmente, o único método de frear o contágio da doença, sendo que o imunizante é “altamente imunogênico, seguro e confere proteção a 95% a 99% dos vacinados”, segundo a vigilância epidemiológica.

A cobertura vacinal de Santa Catarina é de 76% da população, ao passo que o ideal é 95% ou mais. Além disso, a cobertura vacinal pode explicar a disparidade de casos e notificações entre regiões do Estado.

“Estamos intensificando as vacinas desde 2018, e a Grande Florianópolis não era uma área de recomendação de vacina até então. A cobertura vacinal ainda é baixa na região”, explica Gatti.

Além disso, a infeção em macacos ou primatas também pode ser um fator relevante para o comportamento da febre em Santa Catarina.

2021 teve 23 casos suspeitos de febre amarela em SC

De janeiro até esta quarta (7), foram 23 casos de febre amarela notificados à DIVE, sendo que a maioria (17) foi descartada.

De julho do julho de 2020 até então foram notificados 57 casos suspeitos, sendo que 51 foram descartados (43 pelo critério laboratorial e 8 pelo critério clínico-epidemiológico).

A maioria dos casos epizootias em macacos foram confirmados fica no Entorno de Lages, Urupema, São Joaquim e região, no Meio-Oeste e na Serra catarinense.

Os primatas não transmitem a doença, mas são sinalizadores da contaminação em determinado local.

Casos de doenças virais em macacos ou primatas – Foto: DIVE/SC/NDCasos de doenças virais em macacos ou primatas – Foto: DIVE/SC/ND

A região em questão possui uma cobertura vacinal mais adequada, e o número de notificações de macacos mortos pode ter sido um fator de sensibilização da população.

De dezembro a maior, a tendência é de alta nos registros da doença entre primatas, figurando como o período sazonal.

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