Mapa de SC ainda mostra 99% dos leitos de UTI ocupados

Número é "virtualmente" inferior à realidade, com indicativo de colapso completo; mesmo com UTI ampliada, SC não teve capacidade para suportar pico

Os últimos dados do painel da Covid-19 de Santa Catarina, desta sexta-feira (5), indicam 99% dos leitos adultos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ocupados em todo o território catarinense. O dado, contudo, pode ser arredondado aos 100%, dada a situação de colapso já admitida pelas autoridades de saúde.

Na própria tabela que exibe os dados de ocupação o Governo do Estado incluiu uma nota que diz que os indicadores são “virtualmente inferiores” à taxa de ocupação real, considerando os horários de atualização e a alta oscilação e demanda de pacientes graves nas UTIs dos hospitais.

sc; leitos; covid-19; uti; ocupados; hospitaisNúmero de UTIs no Estado foi aumentado desde o início da pandemia, mas último surto tornou as 1,6 mil unidades insuficientes – Foto: Divulgação/O Trentino/ND

A fila para internação de pacientes ainda segue, mesmo com a corrida para abrir novos leitos no Estado. A situação teve tamanho agravamento, que pacientes foram transferidos para fora do Estado para receberem assistência médica.

A expectativa é que até 16 pessoas recebam assistência médica no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, no município da Serra (ES), região da Grande Vitória. O segundo paciente foi transferido ainda durante quinta (4), e você confere os registros da operação para transportá-lo aqui.

Além disso, um paciente de 61 anos que está infectado pediu leito de UTI na justiça e também foi transferido nesta quinta (4). Anteriormente, a justiça havia negado seu pedido por assistência hospitalar.

A situação de superlotação força os agentes de saúde a adotarem o protocolo universal dos hospitais, de ceder assistência aos pacientes que possuem mais chances de sobreviver.

Os agentes de saúde são uma das grandes complicações da gestão estadual, já que são cerca de oito profissionais para cada leito de UTI, demandando maior esforço e recursos do Estado.

Somente três hospitais estão com leitos adultos disponíveis segundo a última atualização. Se analisarmos os leitos da Covid-19, o número cai para dois.

Contudo, os leitos já devem ter sido ocupados entre a atualização do painel do governo e a publicação desta matéria.

SC chega a 700 mil casos da Covid-19

Santa Catarina chegou à marca de 700.127 casos confirmados da Covid-19 desde o início da pandemia, em março. O número expressivo – que aponta quase 10% da população do Estado, se desconsiderados os casos de reinfecção – foi alcançado nesta sexta-feira (5). Além disso, houve o registro de 107 mortes em apenas 24 horas.

Conforme o boletim da SES (Secretaria de Estado da Saúde), divulgado nesta sexta-feira (5), o Estado registrou 5.853 casos confirmados nas últimas 24 horas, ultrapassando os 700 mil casos.

As 107 mortes registradas no mesmo período levam o acumulado de óbitos para 7.816 desde março de 2020. A taxa de letalidade aumentou para 1,12%.

O número de casos positivos aumentou pelo 4° dia seguido. No total, Santa Catarina tem 38.156 pessoas que ainda não se recuperaram e podem transmitir o novo coronavírus. Vale ressaltar que é o maior índice registrado em Santa Catarina.

“Pode ser que não tenhamos local para enterrar os corpos”, diz epidemiologista

“Sem medidas enérgicas não temos como ter nenhum retorno à normalidade, nem ao crescimento econômico. Os hospitais estão lotando, as pessoas estão morrendo na porta do hospitais, morrendo em casa. Pode ser que não tenhamos local para enterrar os corpos”.

As palavras estarrecedoras são da doutora em Saúde Pública e Epidemiologia pela Fundação Oswaldo Cruz, Eleonora D’Orsi, que também leciona na UFSC.

Diante do colapso na saúde provocado pelo avanço da pandemia de Covid-19 no Estado, a pesquisadora ressalta que, com as medidas atuais tomadas em solo catarinense, não tão cedo haverá perspectiva de melhora na crise que se abateu em Santa Catarina.

Essa situação, já vista em outros estados e capitais, como Manaus, não trata-se de uma tendência, segundo a cientista, mas de um fruto das decisões do poder público.

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