SC tem 387 pacientes na fila da UTI e segue em colapso

SC segue com alta lotação nos leitos adultos da Covid-19 e lockdown volta para o centro da discussão; decisão judicial pressiona gestão estadual e Grande Florianópolis decretou fechamento de 7 dias

Os últimos dados, divulgados nesta segunda-feira (15), indicam que um total de 387 pacientes ainda aguardam na fila da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), dando continuidade ao colapso do sistema público de saúde, provocado pelo agravamento da pandemia da Covid-19 em SC.

São, atualmente, 33 mil pacientes ativos da Covid-19, e o índice de lotação global de UTI é 96% segundo os dados oficiais, sendo que a própria Secretaria de Saúde afirma que o dado é “virtualmente inferior à realidade”.

Atualmente, são quatro dos 55 hospitais de Santa Catarina que ofertam leitos adultos para a Covid-19, sendo que o total são nove leitos dentre as quatro unidades.

A região de Chapecó foi a primeira a dar indícios do colapso do sistema público de saúde. Na transição de fevereiro para março, SC passou a somar uma lotação acima de 90% e atualmente soma uma fila de pacientes – Foto: HRSP/Divulgação/NDA região de Chapecó foi a primeira a dar indícios do colapso do sistema público de saúde. Na transição de fevereiro para março, SC passou a somar uma lotação acima de 90% e atualmente soma uma fila de pacientes – Foto: HRSP/Divulgação/ND

Dada a alta volatilidade de internações, esses nove leitos devem estar ocupados até o fechamento desta matéria.

O Estado vive uma superlotação ampla e irrestrita ao longo dos 55 hospitais que ofertam UTI desde a transição de fevereiro para março, com agravamento no número de mortes e de casos diários.

Por dias consecutivos, foram registradas mais de 100 mortes diárias em decorrência da Covid-19.

Mesmo hospitais bem estruturados, como o Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, apresentam dificuldades em lidar com tamanha demanda de pacientes. A unidade em questão viveu uma situação emblemática no fim de semana, quando fiéis fizeram uma fila de oração.

Chapecó e Florianópolis acumulam fila mais extensa

Se analisada regionalmente, a fila é maior no Oeste, na região de Chapecó, e na Grande Florianópolis, com 94 e 68 pacientes, respectivamente.

O entorno de Chapecó foi a primeira parte de Santa Catarina que apresentou indício de colapso, que mais tarde veio a se estender por todo o território.

O agravamento obrigou autoridades a enviarem pacientes para outros Estados, como o Espírito Santo. Contudo, o desfecho foi crítico.

Quatro dos 16 pacientes que foram transferidos para o Estado capixaba morreram, sendo a mais recente ainda nesta segunda (15). Ivani Oliveira Ratkiewicz, de 63 anos, estava internada no Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, no município da Serra, na região metropolitana de Vitória (ES).

Além da porcentagem que não resistiu ao vírus, o Espírito Santo também reportou alta na lotação de leitos e suspendeu as transferências na última sexta (11).

A decisão foi anunciada em decorrência do aumento da demanda do atendimento na região de Vitória, cidade para onde os pacientes seriam transferidos.

De acordo com o painel de ocupação de leitos hospitalares do governo do Espírito Santo, o total de ocupação das UTIs para Covid-19 é de 89%, enquanto os de enfermaria para Covid-19 é de 68%.

Lockdown em pauta após colapso

Há dias as autoridades do Estado discutem a possibilidade de um lockdown  em decorrência do agravamento da pandemia e do colapso das UTIs.

O governador Carlos Moisés (PSL) decretou fechamento dos serviços não essenciais, mas somente aos fins de semana, além de ampliar algumas restrições em dias úteis.

Nesta segunda (15) o assunto voltou à tona, com uma decisão judicial que determina que a gestão estadual discuta medida com técnicos e divulgue a lista atualizada de espera por leitos de UTI e enfermaria a cada 24 horas.

Isso, após o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e a DPE (Defensoria Pública do Estado) entrarem com ação civil pública, pedindo o lockdown no Estado, no dia 10 de março na 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital. No documento, de 86 páginas, eles alegam que a ação é necessária devido ao atual cenário de colapso do sistema de saúde catarinense.

Entorno da Capital terá lockdown de sete dias

A região Grande Florianópolis se adiantou nas medidas e decretou novas restrições que valerão desta terça (16) até a próxima terça (23).

Entre as ações, está a suspensão das aulas presenciais, seja em escolas públicas ou privadas, em todos os níveis, mantendo somente o ensino remoto.

O transporte coletivo urbano municipal e interestadual poderá continuar operando, mas apenas com ocupação de 50% da lotação total do veículo, como já estabelecido pelo Governo do Estado. 

Ficou decidido ainda que as atividades não essenciais, conforme estabelecido no decreto estadual 1.200, estão suspensas das 18h às 6h, no período de uma semana. Após este horário, apenas entrega em casa e retirada em restaurantes estão autorizadas.

Durante o horário permitido para funcionamento, a lotação máxima permitida é de 25%. Você confere todos os detalhes do novo regramento aqui.

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