SC tem mais de 600 indígenas infectados pela Covid-19

Representantes do povos Guarani, Xokleng e Kaingang compartilharam dificuldades enfrentadas durante a pandemia do novo coronavírus no Estado

“Quando a gente soube que tinha um contaminado na família, a família inteira já estava contaminada”. Walderes Coctá Priprá, indígena do povo Laklano-Xokleng, descreveu assim a chegada da Covid-19 às aldeias no Alto Vale do Itajaí. São oito no total, espalhadas pelos municípios de José Boiteux, Doutor Pedrinho, Vitor Meireles e Itaiópolis.

SC tem mais de 600 indígenas infectados pela Covid-19 – Foto: Agência Brasil/Divulgação

A fala de Walderes aconteceu na live promovida pelo IMDH (Instituto Memória e Direitos Humanos) e o Laboratório Interdisciplinar de Ensino de Filosofia e Sociologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), na última quinta-feira (27). Além dela também participaram as representantes Kerexu Yxapyry (Guarani), Joziléia Daniza Jagso Inácio Shild (Kaingang).

Durante o debate as três representantes apresentaram os principais dilemas enfrentados por seus pares em Santa Catarina na luta contra a pandemia.

Membro da “Frente Indígena de Combate e Prevenção ao Covid-19” na região Sul, Joziléia Daniza falou da necessidade em adequar as medidas de prevenção à realidade do povo indígena, que é diferente do que é feito nas áreas urbanas. “O isolamento não é só de uma famíla, é comunitário”, conta.

“As nossas terras indígenas, por serem pequenas, têm uma proximidade entre as famílias indígenas muito grande. E o nosso modo de vida, nosso modo de organização social dentro dos territórios, é também de muita proximidade. Nós temos dentro das casas desde crianças pequenas até idosos”, completou Joziléia.

Segundo ela, até 12 de agosto, 560 Kaingang foram infectados e quatro morreram. Entre os Xokleng, eram 44 contaminados e dois mortos. Já no povo Guarani, foram registrados 49 casos. Assim, no total, 653 indígenas se contaminaram pelo vírus.

Kerexu Yxapyry contou que duas mulheres morreram pela Covid-19 no povo Guarani. As vítimas são uma idosa de 97 anos, moradora de Major Gercino e uma jovem de 27 anos, que residia na aldeia M’Biguaçu, em Biguaçu, na Grande Florianópolis.

No Morro dos Cavalos, segundo Kerexu, duas das três aldeias tiveram casos positivos do vírus. “Estamos passando por um momento bem crucial para as aldeias daqui que testaram positivo com uma quantidade expressiva de Guaranis”.

Dados divergentes

O último boletim sobre o número de indígenas infectados pela Covid-19, atualizado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (1º), contabilizou 23.489 casos positivos e 148 povos afetados. Foram 388 mortes desde o início da pandemia.

Os números são menores se comparados aos divulgados pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) que também monitora os casos entre indígenas. Segundo o panorama divulgado nesta quarta-feira (2), são 29.381 infectados e 775 mortos. Ainda de acordo com os dados da Apib, Santa Catarina tem seis indígenas mortos pela doença, entre elas a de um bebê recém-nascido.

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