SC tem quatro profissionais da saúde mortos por Covid-19

Apenas em Florianópolis, Concórdia e Chapecó, número de trabalhadores infectados chegava a 222 até esta segunda-feira (1º)

Ao menos quatro profissionais da saúde morreram na luta contra a Covid-19 em Santa Catarina, até esta quarta-feira (3). Apenas em Florianópolis, Concórdia e Chapecó, o número de trabalhadores infectados chegava a 222 nessa segunda-feira (1º).

(Dá esquerda para a direita) Claudiomiro Silveira Rattis, Vanessa Neuber Salm, Lúcia Isolde Rocha Henrique e Gastão Dias Junior – Foto: Reprodução/Facebook

As quatro vítimas são os técnicos de enfermagem Claudiomiro Silveira Rattis e Vanessa Neuber Salm, a enfermeira Lúcia Isolde Rocha Henrique, e o médico Gastão Dias Junior.

Casos em hospital de Balneário Camboriú

Morador de Itapema, Gastão trabalhava como médico pediatra no Hospital Municipal Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, e na rede municipal de saúde de Itapema.

Desde o dia 20 de março, quando o primeiro caso no Ruth Cardoso foi registrado, 62 colegas do médico também foram contaminados pelo coronavírus.

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Entre os infectados na unidade de saúde estão enfermeiros, médicos e servidores administrativos, segundo a diretora geral do hospital, Kaita Helen Testoni. Após receberem alta, todos retornaram ao serviço.

A direção também afastou outros 118 servidores, entre profissionais que compunham o grupo de risco e aqueles que apresentaram sintomas da Covid-19. Após os testes apontarem negativo para a doença, os trabalhadores retornaram aos serviços.

“O risco não necessariamente é relacionado ao ambiente hospitalar, mas à propagação do vírus em si. Não temos como saber onde os colaboradores foram contaminados. Exemplo disso foi o contágio do setor administrativo, o que acaba demonstrando um possível contágio inicial externo”, observa Testoni.

Mais de 200 profissionais infectados em três cidades

Apenas em Concórdia, Chapecó e Florianópolis — municípios com mais casos de Covid-19 -, chega a 222 o número de profissionais da saúde infectados. Os dados foram contabilizados até esta segunda-feira (1º).

Nos três municípios é feita a testagem em trabalhadores que apresentam sintomas da doença.

Na Capital catarinense, desde o começa da pandemia foram 122 profissionais de saúde das redes pública e privada que testaram positivo para Covid-19. Segundo a prefeitura, deste total 104 estão curados e 18 estão em tratamento.

Por meio de testes rápidos, Chapecó identificou 44 trabalhadores do setor com o vírus respiratório. Foram feitas, segundo a prefeitura, 396 testagens – das quais 352 deram resultado negativo.

Já em Concórdia, novo epicentro do coronavírus em Santa Catarina, 56 profissionais foram infectados pelo vírus desde o início da pandemia.

AMB recebeu denúncias de falta de EPIs em unidades

Os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) são fundamentais para proteger os profissionais da saúde do contágio. Entre eles estão gorros, óculos de proteção, protetor facial, máscaras, aventais impermeáveis de mangas longas e luvas de procedimento

Com a rápida propagação do vírus no Brasil e o aumento da demanda, as unidades passaram a registrar dificuldades em manter os estoques desses equipamentos.

Um levantamento da AMB (Associação Médica Brasileira) passou a reunir denúncias de profissionais relatando falta de EPIs em seus locais de trabalho.

Conforme a base nacional, os hospitais onde trabalhavam Claudiomiro, Lúcia e Gastão apresentaram falta de equipamentos de proteção em algum momento – não é registrada a data das denúncias na plataforma.

O que dizem as unidades

No Hospital da Unimed de Joinville, onde Lúcia atuava como enfermeira, foi apontada a falta de máscaras de proteção. A unidade, entretanto, disse à reportagem do nd+ que não há ausência do material.

Já no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, onde Claudiomiro trabalhou por 11 anos técnico de enfermagem, há denúncias de falta de máscaras, óculos e capote impermeável. A reportagem tenta contato com a unidade desde a tarde de terça-feira (2), mas não obteve retorno até a publicação.

A unidade onde o pediatra Gastão Dias Junior atuava, o Hospital Municipal Ruth Cardoso, também recebeu denúncias de falta de EPIs na plataforma. Diferente dos casos anteriores, não é especificado quais são os equipamentos em falta no local.

A direção do Ruth Cardoso informou que não houve falta “em nenhum momento” de EPIs, e que havia um nível adequado de reserva. O hospital afirmou que, graças às várias doações que recebem, estão conseguindo manter os profissionais protegidos.

Vice-presidente do SindiSaúde (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde Públicos e Privados de Florianópolis e Região), Djeison Stein, diz que a denúncias sobre a falta de equipamentos acontecem em menor escala. O sindicato não tem um número total de relatos recebidos, mas afirma que atualmente administra a questão de maneira mais tranquila.

“No início [da pandemia] estávamos com bastante dificuldade dos trabalhadores terem acesso aos EPIs, mas depois normalizou essa situação. Hoje há mais controle nesse sentido”, comenta Stein.

Profissionais infectados no Estado

A reportagem do nd+ tenta desde o dia 29 de maio obter, junto à secretaria de Estado da Saúde, mais detalhes sobre os profissionais da saúde infectados pela Covid-19 em Santa Catarina. Até a publicação, não obteve retorno.

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