SC tem sistema fora do ar e Saúde em alerta para infecções por gripe

Entre novembro e dezembro foram mais de 50 casos de Influenza, 33 de um subtipo sem vacina. Infectologista acredita que epidemia é questão de tempo

Santa Catarina acendeu o alerta para as infecções por Influenza, o vírus da gripe. A SES (Secretaria de Estado da Saúde), no entanto, está com dados represados, há cinco dias, e admite que o sistema de controle de doses de vacina está fora do ar.

Vacina da gripeSanta Catarina ficou abaixo da meta da vacinação contra a gripe em 2021 – Foto: Maurício Vieira/Secom/Divulgação/ND

Procurada, a assessoria reiterou os 56 casos divulgados na semana passada, sendo três de janeiro a outubro de 2021 e a disparada de novembro a dezembro, quando foram registrados 53 casos, sendo 33 do subtipo H3N2, para o qual não existe vacina.

Prometendo a atualização nesta semana, a SES alerta os municípios para o aumento de casos em momento atípico – a Influenza circula mais no inverno. Na semana passada, a secretaria inclusive enviou um alerta para os serviços de saúde dos municípios catarinenses com orientações.

No ofício, enfatiza que as cidades devem considerar o Influenza um agente causador de casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave. Crianças, idosos e pessoas com comorbidades pertencem ao grupo de risco.

O Estado não atingiu a meta de vacinar 90% da população contra a Influenza. Segundo a Secretaria da Saúde, com dados do LocalizaSUS, 66% dos catarinenses foram imunizados para o vírus da gripe este ano.

A secretaria não classifica o Estado em cenário de surto. Informou que não enfrenta sobrecarga de atendimento em seus hospitais em função da Influenza e que o fluxo de atendimento está normalizado.

Idosos, crianças e pessoas com comorbidades pertencem ao grupo de risco da gripe – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/NDIdosos, crianças e pessoas com comorbidades pertencem ao grupo de risco da gripe – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/ND

A reportagem, entretanto, recebeu reclamações de um paciente que, na semana passada, esperou várias horas para ser atendido no Hospital Celso Ramos, um dos maiores administrados pelo Estado e localizado na Capital. A espera também foi longa no posto de saúde da Trindade, este administrado pela Prefeitura de Florianópolis.

“Aumento importante em Florianópolis”, diz secretário

O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, o professor Paraná, disse que a Capital percebe um aumento importante de pessoas com sintomas respiratórios, o que tem levado os pacientes a uma busca intensa nas unidades de pronto atendimento. Ele se refere à uma epidemia em relação aos casos de gripe na Capital.

“Temos dois vírus circulando juntos e há necessidade de um tempo maior para identificar um e outro. Inclusive, a possibilidade de fazer teste. Estamos sentindo isso nas unidades, mas não tivemos, até agora, casos extremamente graves”, relatou o secretário.

Segundo secretário de Saúde de Florianópolis, cenário é epidêmico para a gripe na Capital – Foto: Divulgação/NDSegundo secretário de Saúde de Florianópolis, cenário é epidêmico para a gripe na Capital – Foto: Divulgação/ND

Segundo Paraná, a Capital utilizou todas as vacinas contra a gripe – a Saúde estadual sinalizou que havia 1.000 disponíveis. “Para as tradicionais cepas da Influenza, Florianópolis está relativamente protegida. Mas essa vacina não protege para H3N2 e fica mais fácil identificar quem apresenta um quadro mais grave em nossas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)”, descreveu Paraná.

Embora negue uma pressão nas unidades de saúde da Capital por contaminação da H3N2, o secretário concorda que o quadro é de alerta.

Segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, em novembro, foram 8.163 atendimentos de pessoas com sintomas gripais na Capital, 6,55% do total de atendimentos. Até 20 de dezembro, foram 6.077 atendimentos, 7% do total.

Para infectologista, epidemia é uma questão de tempo

O infectologista Martoni Moura e Silva acredita que é uma questão de tempo para que o vírus da gripe seja considerado uma epidemia. Moura atua no sistema público de Balneário Camboriú e num consultório particular.

Infectologista fala sobre a gripe em SCInfectologista, Dr. Moura acredita que epidemia de gripe é uma questão de tempo – Foto: Arquivo pessoal

“No Brasil, estamos com um surto de gripe, que vai virar epidemia logo. Teremos um foco de H3N2 tranquilamente”, ponderou Moura. O especialista teme, inclusive, que os brasileiros sejam proibidos de entrar em outros países, principalmente na Europa.

Recomendando cuidados à população, Moura enfatizou que, tanto a infecção de coronavírus quanto a de H3N2, podem evoluir para a síndrome respiratória aguda grave. O especialista disse que as pessoas não devem relaxar nas medidas preventivas.

Ele está preocupado principalmente com as festas e viagens de fim de ano para a disseminação dos vírus. “Na Covid, não temos um anti-viral, mas para Influenza, temos. Por isso, no início dos sintomas, é preciso avaliação imediata médica, exames confirmatórios e o tratamento conveniente, para que não haja internação, nem óbito”.

Sobre o fato de Santa Catarina não ter atingido a meta de vacinação para Influenza, Moura opinou que o sistema público precisa se engajar na conscientização: “Temos, hoje, um papel de cidadania que é a vacinação, seja para Influenza ou Covid. A vacina é a melhor tecnologia que se tem para combater doenças infecciosas”, destacou Moura. Ele enfatizou que os imunizantes diminuem a transmissibilidade e a gravidade das doenças.

Onde há vacinas disponíveis

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Santa Catarina ainda dispõe de cerca de 19.470 doses da vacina contra a gripe. Elas estão distribuídas em oito cidades, a maioria em Joinville.

Os dados, no entanto, podem estar defasados, considerando que o sistema está fora do ar. Veja:

  • Joinville (17.190)
  • Florianópolis (1.130)
  • São Miguel do Oeste (620)
  • Xanxerê (210),
  • Joaçaba (150),
  • Rio do Sul (120),
  • Jaraguá do Sul (40)
  • Chapecó (10)

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