SC segue em colapso com mais de 450 pacientes na fila da UTI

Estado conta com 1.670 leitos de UTI ativos, mas fila de pacientes aguardando vagas se mantém grande; alta na transmissibilidade explica o atual colapso

Já chega a 456 o total de catarinenses aguardando uma vaga em um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em Santa Catarina. A quantidade de pacientes na fila para receber tratamento foi atualizada nesta quinta-feira (18) e mostra há somente um paciente a menos do que no dia anterior.

Os dados indicam a situação que ainda é grave no Estado, com 99% dos leitos adultos ocupados. Contudo, o número é “virtualmente inferior à realidade”, segundo nota da própria Secretaria da Saúde.

Isso porque à medida que um leito é aberto – seja por morte ou por alta do paciente – uma das pessoas que está nesta fila passa a ocupar a estrutura.

Com a situação crítica, os hospitais já ensaiam a adoção do protocolo internacional de saúde, que prevê ofertar  assistência para quem tem maior probabilidade de sobreviver.

Conforme já foi publicado pelo ND+, os três hospitais que atendem casos de Covid-19 em Blumenau, no Vale do Itajaí, informaram que estão se preparando para selecionar os pacientes que terão prioridade de acesso aos leitos de UTI.

Mesmo os hospitais mais bem estruturados da rede pública sofrem com o atual colapso, que soma um montante de quase mil internados em UTI pela Covid-19 – Foto: Joice Kroetz/HRTGB/NDMesmo os hospitais mais bem estruturados da rede pública sofrem com o atual colapso, que soma um montante de quase mil internados em UTI pela Covid-19 – Foto: Joice Kroetz/HRTGB/ND

São 1.670 leitos ativos ao longo da rede pública do Estado, que compreende 55 hospitais. Contudo, mesmo os mais bem estruturados sofrem com o colapso, somando lotações de no mínimo 90%.

Agora, 970 pacientes da Covid-19 estão internados. Tanto na fila quanto nos leitos de UTI, a situação é crítica. Na última quinzena foram registrados casos de pacientes que morreram enquanto aguardavam por um leito de UTI. Foi o caso de um idoso de 79 anos, de Canoinhas, que estava há dois dias intubado na Unidade de Pronto Atendimento 24h.

O agravamento da pandemia obrigou autoridades a enviarem pacientes para outros Estados, como o Espírito Santo.

Dentre os cinco pacientes que foram transferidos para o Estado capixaba, três morreram. A morte mais recente foi de Hércules Antonio Senger, de 59 anos, que faleceu na segunda (15).

Ele estava internado em Chapecó, no Oeste catarinense, e foi levado para Vitória (ES) no dia 9 de março, pelo avião Arcanjo-02 do BOA (Batalhão de Operações Aéreas) do Corpo de Bombeiros.

O que gera o colapso?

Uma porcentagem média dos casos da Covid-19 acaba sendo de casos mais graves, que necessitam de hospitalização, e, em alguns casos, de um leito de UTI. Com isso, quando há um pico no número de casos, a tendência é de alta no número de hospitalizações.

Atualmente Santa Catarina e boa parte dos Estados vivem um momento de alta na transmissibilidade. Apenas no território catarinense há 35,8 mil casos ativos, segundo a Secretaria de Saúde.

Pelos números, no mínimo cerca de 700 pessoas precisarão de um leito de UTI. Somado ao número de internações de pacientes com outras enfermidades, o sistema público acaba não suportando a alta volatilidade nas internações

“Quanto mais casos de coronavírus tivermos, mais casos precisarão de unidades de saúde e vão necessitar de hospitalização. 80% dos casos são assintomáticos ou leves, 20% terão que procurar uma unidade de saúde, e dessas, em média de 2% a 5% necessitam de uma UTI”, explica o Superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário.

Atualmente, contudo, são 970 infectados na UTI, enquanto o número de casos segue crescendo em proporções altas. No boletim desta quinta (18), foram 5,4 mil novos casos confirmados ante 4,9 mil recuperados. Além disso, 126 mortes pelo vírus foram contabilizadas, sendo que o recorde, de 167 óbitos em 24h, foi registrado ainda nesta semana.

Fila reduz regionalmente

Após dias com mais de 100 pacientes na fila de UTI, o entorno de Chapecó passou a ter 87 pessoas no aguardo de um leito. Assim, a Grande Florianópolis passa a ser a região com mais demanda de contaminados pela Covid-19, com 89 pacientes.

O entorno de Chapecó foi a primeira parte de Santa Catarina que apresentou indício de colapso, que mais tarde veio a se estender por todo o Estado. Contudo, todas as regiões seguem sofrendo com o colapso do sistema de saúde, acumulando filas de no mínimo 20 pacientes.

Veja como está a fila à espera de um leito de UTI Covid em SC:

  • Grande Oeste – Chapecó: 87
  • Meio-Oeste – Joaçaba: 54
  • Serra – Lages: 31
  • Norte – Joinville: 81
  • Vale – Blumenau: 16
  • Foz – Itajaí: 25
  • Sul – Criciúma: 73
  • Grande Florianópolis: 89

Lockdown em pauta após colapso

Há dias as autoridades do Estado discutem a possibilidade de um lockdown  em decorrência do agravamento da pandemia e do colapso do sistema público de saúde.

O governador Carlos Moisés (PSL) decretou fechamento dos serviços não essenciais, mas somente aos fins de semana, além de ampliar algumas restrições em dias úteis.

Nesta segunda (15) o assunto voltou à tona, com uma decisão judicial que determina que a gestão estadual discuta a medida com técnicos e divulgue a lista atualizada de espera por leitos de UTI e enfermaria a cada 24 horas.

As restrições são pauta de ação civil pública do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e da DPE (Defensoria Pública do Estado), que já pediram lockdown no Estado, no dia 10 de março.

Uma nova reunião do Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde), nesta quinta-feira (18), definirá quais propostas e recomendações no combate à pandemia de Covid-19 serão enviadas ao governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva (PSL).

Conforme apurado pelo ND+, no primeiro encontro, realizado nesta quarta-feira (17), ao menos quatro entidades foram favoráveis à adoção do lockdown nas regiões do Estado onde os indicadores de saúde estão mais graves: Grande Florianópolis e Planalto Norte e Nordeste.

Grande Florianópolis adota lockdown de sete dias

A região da Grande Florianópolis se adiantou nas medidas e decretou novas restrições, válidas até a próxima terça (23). Entre as ações, está a suspensão das aulas presenciais, seja em escolas públicas ou privadas, em todos os níveis, mantendo somente o ensino remoto.

O transporte coletivo urbano municipal e interestadual poderá continuar operando, mas apenas com ocupação de 50% da lotação total do veículo, como já estabelecido pelo Governo do Estado. 

Ficou decidido ainda que as atividades não essenciais, conforme estabelecido no decreto estadual 1.200, estão suspensas das 18h às 6h, no período de uma semana. Após este horário, apenas entrega em casa e retirada em restaurantes estão autorizadas.

Durante o horário permitido para funcionamento, a lotação máxima permitida é de 25%. Você confere todos os detalhes do novo regramento aqui.

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