SC mantém ocupação alta nas UTIs, com transferência de pacientes e disputa judicial

Os dados desta quinta indicam 96% de ocupação das UTIs, o que, na prática, é de 100%; governo já citou que informação é "virtualmente inferiores" à taxa de ocupação real

Durante esta quinta-feira (4) Santa Catarina segue com ocupação de UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) em nível altíssimo, ainda demonstrando um colapso no sistema público, com transferências de pacientes para outros Estados e disputa judicial por leitos.

Após o procurador-geral do Estado citar que “Santa Catarina tem 261 pessoas na fila para UTIs e muitas morrerão na fila de espera”, a situação ainda segue com complicações, e pacientes foram transferidos para o Espírito Santo devido à ausência de capacidade em solo catarinense.

sc;leitos; uti; covid-19;ocupaçãoEstado segue na corrida para abertura de leitos, mas sistema de saúde ainda encontra-se colapsado  – Foto: Divulgação/Prefeitura de Chapecó/ND

A expectativa é que até 16 pessoas recebam assistência médica no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, no município da Serra (ES), região da Grande Vitória. O segundo paciente foi transferido ainda nesta quinta (4), e você confere os registros da operação para transportá-lo aqui.

Além disso, um paciente de 61 anos que está infectado pediu leito de UTI na justiça e também foi transferido nesta quinta (4). Anteriormente, a justiça havia negado seu pedido por assistência hospitalar.

Ocupação de 96% nos dados é de 100% na prática

Os dados desta quinta (4) indicam 96% de ocupação de leitos de UTI, o que, na prática, é de 100%, dada a velocidade com que os pacientes entram em pedido de assistência hospitalar.

Atualmente são 863 pacientes da Covid-19 internados no Estado, 25 a mais em 24h. Em toda a rede pública são 1.599 leitos ativos, estrutura que foi ampliada durante a pandemia, mas não suficiente para frear a quantidade de casos ativos e graves que teve pico nas últimas semanas.

São somente três leitos da Covid-19 que estão livres segundo os dados, mas que já devem ter sido ocupados entre a atualização do painel do governo e a publicação desta matéria.

Na própria tabela que exibe os dados de ocupação o Governo do Estado incluiu uma nota que diz que os indicadores são “virtualmente inferiores” à taxa de ocupação real, considerando os horários de atualização e a alta oscilação e demanda de pacientes graves nas UTIs dos hospitais.

A situação é tão grave que força os agentes de saúde a adotarem o protocolo universal dos hospitais, de ceder assistência aos pacientes que possuem mais chances de sobreviver.

“Vamos ter que escolher quem vem e quem fica, com base no quadro médico e idade”, lamenta a médica Paola David, diretora clínica do hospital Regional de Biguaçu, que também está em colapso, em entrevista ao ND+.

Segundo os dados, somente 7 dos 55 hospitais ofertam algum leito de UTI adulto, sendo que quatro deles estão com ocupação acima dos 90%.

O Hospital Regional São Paulo, de Xanxerê, por exemplo, emitiu um alerta nesta semana.

“Não tem mais possibilidade para receber mais pacientes que necessitem de ventilação mecânica ou suporte de oxigênio. Estamos com pacientes graves, acomodados em poltronas ou em espaços improvisados, pois já se esgotou toda a estrutura física para atendimento”, diz a nota.

Governo do Estado segue na corrida para abertura de UTIs

Atualmente, a gestão estadual e demais autoridades procuram ampliação da oferta de leitos de UTI.

Em Itajaí, o secretario de Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, prometeu recursos aos hospitais da região e abertura de novos 40 leitos UTIs e outros 40 de enfermaria.

Uma portaria assinada nesta semana também habilitou diversos leitos adultos e pediátricos.

Cientistas, contudo, ressaltam que a medida ainda não é suficiente e pode ser algo somente paliativo, dada a situação.

“Os leitos são importantes, mas é uma parte da estratégia, não pode ser a estratégia toda. Isso é parte, é o final. A estratégia deve começar pela contenção, monitorar casos positivos, testar em massa, liberar resultado. Não dá pra esperar 10 ou 12 dias para liberar o teste. Não dá para conviver com esse cenário”, afirma o chefe do Departamento de Saúde Pública da UFSC, Fabrício Augusto Menegon.

“Pode ser que não tenhamos local para enterrar os corpos”, diz epidemiologista

“Sem medidas enérgicas não temos como ter nenhum retorno à normalidade, nem ao crescimento econômico. Os hospitais estão lotando, as pessoas estão morrendo na porta do hospitais, morrendo em casa. Pode ser que não tenhamos local para enterrar os corpos”.

As palavras estarrecedoras são da doutora em Saúde Pública e Epidemiologia pela Fundação Oswaldo Cruz, Eleonora D’Orsi, que também leciona na UFSC.

Diante do colapso na saúde provocado pelo avanço da pandemia de Covid-19 no Estado, a pesquisadora ressalta que, com as medidas atuais tomadas em solo catarinense, não tão cedo haverá perspectiva de melhora na crise que se abateu em Santa Catarina.

Essa situação, já vista em outros estados e capitais, como Manaus, não trata-se de uma tendência, segundo a cientista, mas de um fruto das decisões do poder público.

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Saúde

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