Segunda dose da Astrazeneca dá reação? Saiba as mais comuns e quando ficar em alerta

Estudos clínicos, bula do imunizante e especialistas apontam efeitos diferentes na primeira e segunda doses da Astrazeneca

Muitas pessoas estão fugindo do reforço vacinal da Astrazeneca por conta das reações da primeira dose. Assim, estão comprometendo seriamente a imunidade contra a Covid-19. E sem motivo: na maioria dos casos, a segunda dose provoca menos efeitos que a primeira.

Segunda dose da Astrazeneca dá reação? Saiba as mais comuns e quando ficar em alertaAplicadora manipula vacina Astrazeneca contra a Covid-19 – Foto: RICARDO WOLFFENBUTTEL/ND

A Astrazeneca ficou famosa pelas fortes reações. Elas ocorrem por conta das características deste imunizante, que utiliza o adenovírus – um outro vírus, modificado, e que carrega material genético do coronavírus. Cabe ressaltar a intensidade da reação faz jus a eficácia contra a Covid-19, que ultrapassa os 76% com as duas doses.

“A segunda dose costuma apresentar menos efeitos – é menos ‘reatogênica’. Mas não é regra, cada organismo reage de uma forma”, explica enfermeira Chaiana Esmeraldino Mendes Marcon, enfermeira da FMS (Fundação Municipal de Saúde de Tubarão).

Também pesquisadora e professora da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), ela explica que ainda não se sabe o porquê da diminuição. Mas é nítida a queda nas notificações, ou casos bem mais brandos com o reforço vacinal. A última da bula da Astrazeneca também registra que “menos efeitos colaterais foram relatados após a segunda dose”.

Quando os efeitos podem ser preocupantes?

Na maioria dos casos os efeitos não se manifestam por mais de 72h, assim como os outros imunizantes. Mas, em algumas situações, permanecem por até dez dias. “Tem relatos de pacientes com mais de cinco dias de febre, falta de apetite, dor de cabeça, sonolência e náuseas”, afirma a pesquisadora.

Se os efeitos estourarem o prazo de dez dias é recomendado procurar um médico. Pode ser sintoma de alguma outra infecção ou doença. Também deve-se atentar caso o conjunto de sintomas seja semelhante aos da Covid-19. “Deve ser feito um exame para ver se a pessoa se infectou paralelamente a vacinação”, explica.

Quanto aos efeitos raros, como trombose, a PHE (agência governamental de Saúde Pública da Inglaterra) emitiu comunicado no fim de junho informando que os casos caem consideravelmente. Com a primeira dose, uma a cada 50 mil pessoas relatou trombose. Com a segunda, foi para um em um milhão – todos eles estavam em investigação na época.

A agência também ressalta que a segunda dose da Astrazeneca é menos ‘reatogênica’ que os reforços vacinais dos imunizantes Pfizer e Moderna. Estes últimos, segundo a PHE, causam mais efeitos que as suas respectivas primeiras doses.

Segunda dose é fundamental

O receio devido aos efeitos colaterais da vacina não pode justificar a “fuga” do reforço. Todos os estudos que asseguram a eficácia dos imunizantes levam em consideram o esquema vacina completo.

“Com uma dose não se alcança imunidade. O número de anticorpos ainda não é suficiente”, pontua Marcon. Hoje, o reforço vacinal da Astrazeneca é aplicado no intervalo de dez a 12 semanas. A ausência de reação também é normal.

Efeitos mais comuns

Os seguintes efeitos são os mais comuns com o uso da Astrazeneca, segundo os estudos clínicos que constam em bula. Não há distinção entre a primeira e segunda dose.

Muito comum (pode afetar mais de 1 em cada 10 pessoas)

  • Sensibilidade, dor, sensação de calor, coceira ou hematoma (manchas roxas) onde a injeção é administrada;
  • Sensação de indisposição de forma geral;
  • Sensação de cansaço (fadiga);
  • Calafrio ou sensação febril;
  • Dor de cabeça;
  • Enjoos (náusea); e
  • Dor na articulação ou dor muscula.

Comum (pode afetar até 1 em cada 10 pessoas)

  • Inchaço, vermelhidão ou um caroço no local da injeção;
  • Febre;
  • Enjoos (vômitos) ou diarreia; e
  • Sintomas semelhantes aos de um resfriado como febre acima de 38 °C, dor de garganta, coriza (nariz escorrendo), tosse e calafrios.

Incomum (pode afetar até 1 em cada 100 pessoas)

  • Sonolência ou sensação de tontura;
  • Diminuição do apetite;
  • Dor abdominal;
  • Linfonodos (ínguas) aumentados; e
  • Sudorese excessiva, coceira na pele ou erupção na pele.

Muito raro (pode afetar até 1 em cada 10.000 pessoas)

  • Coágulos sanguíneos importantes em combinação com níveis baixos de plaquetas no sangue (trombocitopenia) foram observados com uma frequência inferior a 1 em 100.000 indivíduos vacinados; e
  • Plaquetas sanguíneas baixas (trombocitopenia).

Desconhecida (não pode ser calculada a partir dos dados disponíveis)

  • Reação alérgica grave (anafilaxia); e
  • Inchaços graves nos lábios, face, boca e garganta (que pode causar dificuldade em engolir ou respirar.
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Saúde

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