Sem isolamento, 56% dos catarinenses seriam infectados pelo coronavírus, mostra estudo

Cenário foi projetado pelo professor e pesquisador da Univille, André Lourenço Nogueira; preocupação maior, no entanto, é com relação à subnotificação dos casos

Dois estudos científicos recentes comparativos sobre a evolução da pandemia do coronavírus em Santa Catarina e no Brasil mostram que, sem medidas de restrição como o isolamento social, 56% da população catarinense seria infectada pela COVID-19, um percentual maior que a previsão no País, 48%, no mesmo cenário.

Os estudos foram feitos pelo professor e pesquisador do curso de Engenharia Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Univille, André Lourenço Nogueira.

André é professor e pesquisador do curso de Engenharia Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Univille – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDAndré é professor e pesquisador do curso de Engenharia Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Univille – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

“Claro que é uma previsão pessimista. Seria o pior cenário para SC. No entanto, medidas de contingenciamento já foram tomadas e esse quadro não vai acontecer”, pondera André Nogueira.

Para fazer as simulações, o pesquisador usou os dados oficiais divulgados pelos governos estadual e federal por meio da Secretaria e Ministério da Saúde, respectivamente, e, considerou um cenário no qual o tempo médio de recuperação de um infectado é de 15 dias.

Os dados reais mostram que pelo menos até o dia 23 de março o vírus estava infectando pessoas em Santa Catarina com uma velocidade aproximadamente 30% maior do que a velocidade média de contaminação no Brasil. Mas o estudo divulgado nessa semana revela que o cenário se inverteu.

Segundo Nogueira, como em SC a restrição de convívio social foi instituída apenas seis dias após o primeiro registro de caso, o número de pessoas infectadas tem crescido com uma taxa mais lenta do que a observada para o território nacional, e vem aumentando de maneira praticamente linear, o que representa uma redução na velocidade com que a COVID-19 está se propagando.

“Os resultados evidenciam que, quanto mais rapidamente medidas de controle ao coronavírus, como políticas públicas de restrição de convívio social, forem instituídas pelos órgãos governamentais, mais eficiente será a redução na taxa de propagação da pandemia”, reforça o professor.

O isolamento social é, de fato, o meio mais eficiente na supressão da evolução da pandemia da COVID-19, complementa.

Subnotificação: alerta e preocupação

Entretanto, há uma grande preocupação em relação à subnotificação de casos de coronavírus. Segundo André Nogueira, a cada dia que passa muitas pessoas estão sendo infectadas sem saber, sem que haja qualquer notificação.

“Os números que temos visto não condizem com a realidade e isso lá na frente pode provocar um colapso na estrutura da saúde”, analisa.

O ideal, diz o pesquisador, seria testagem em massa para mostrar o real quadro de contaminados pela COVID-19 no Estado.

“A partir do momento em que os kits chegarem com os reagentes para fazer as análises vamos verificar um aumento significativo de registros”, alerta o pesquisador.

Nogueira citou como exemplo a Coreia do Sul, que fez testagem massiva logo no inicio e conseguiu desacelerar a pandemia.

O desafio de Nogueira, que faz parte de uma força-tarefa junto com outros cinco pesquisadores da UFSC, é analisar diariamente esses cenários e propor estratégias para avançar tanto na parte dos modelos matemáticos que geram projeções quanto na análise dos dados oficiais.

Isto para que a população tenha acesso ao comportamento desses números e conheça bem o cenário.

Ele explicou, ainda, que os pesquisadores estão avançando na forma de apresentar esses dados, não só comparando SC com o Brasil, mas SC com outros Estados e até outros países.

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