Sem novas doses, Florianópolis vai interromper vacinação de Covid-19

Secretário municipal de Saúde afirmou que, após finalizar a imunização de idosos acima de 90 anos, o município não terá mais vacinas

A vacinação contra Covid-19 será interrompida em Florianópolis caso o município não receba mais doses dos imunizantes. A informação é do secretário de Saúde da Capital, Carlos Alberto Justo da Silva, o Professor Paraná, em entrevista ao Grupo ND nesta terça-feira (16).

Florianópolis deve suspender vacinação contra Covid-19 caso não receba novas doses- Foto: PMF/Chaiana Muller/Divulgação/NDFlorianópolis deve suspender vacinação contra Covid-19 caso não receba novas doses- Foto: PMF/Chaiana Muller/Divulgação/ND

“Nós conseguimos vacinar 98% dos indivíduos acima de 90 anos. Temos 400 vacinas para aqueles que não foram encontrados em casa. Estamos fazendo ainda essas pequenas doses que faltam na região do Estreito e no Centro, e aí vão acabar as nossas vacinas”, afirmou o secretário.

No último sábado (13), o município realizou uma força-tarefa na tentativa de completar a imunização de idosos acima de 90 anos. Até o início da tarde desta terça, foram vacinadas 1.756 pessoas nessa faixa etária com a primeira dose. Conforme o sistema de cadastro do SUS municipal, há 2.150 idosos no município.

Segundo o secretário Paraná, a ideia é avançar a imunização do grupo de de 85 a 89 anos, mas para isso são necessárias, pelo menos, 2.500 novas doses. A expectativa é receber imunizantes ainda neste fim de semana.

Baixa cobertura

Ele ressalta que o número de vacinados no Estado é baixo pela quantidade de doses recebidas. “Santa Catarina foi o penúltimo Estado que menos recebeu vacina. Estamos vacinando pouco porque estamos recebendo poucas vacinas. Precisamos aumentar o número de vacinas para que possamos agilizar a vacinação da população de 80 a 90 anos”, explica.

Nesta segunda-feira (15), a SES (Secretaria de Estado da Saúde) afirmou que Santa Catarina não tem previsão de uma nova remessa de doses dos imunizantes, porque o Ministério da Saúde não sinalizou quando irá enviar mais vacinas.

Colapso nas UTIs da Capital

“Nossas UTIs estão chegando ao limite”, afirmou nesta terça, o prefeito Gean Loureiro (DEM). Ele anunciou que irá contratar dez novos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) no Hospital de Caridade para evitar um colapso no sistema de saúde.

Ainda incerto sobre como irá proceder, disse que “é preciso ser transparente com todos, porque há uma insegurança jurídica sobre o tema: ainda há dúvidas se podemos pagar para abrir um leito que ainda não está sendo ocupado”, ressaltou o prefeito.

O secretário Carlos Alberto Paraná explicou que o custeio de leitos no SUS (Sistema Único de Saúde) só é realizado após o procedimento executado. “Só podemos pagar os leitos depois que o hospital atende o paciente e nos manda a conta”, diz.

Paraná detalha os impactos financeiros de leitos vazios para os hospitais. “Eles têm criado suas estruturas de UTI, ficam com os profissionais contratados disponíveis e, se os leitos não são ocupados, eles ficam inviáveis de poder honrar seus compromissos porque não há receita.”

Conforme anunciado pelo prefeito, o município está em contato com o Tribunal de Contas para garantir o pagamento dos leitos. “Desde que o hospital coloque a sua capacidade instaurada à disposição da central de regulação de leitos de UTI afirmando ‘tenho 10 leitos disponíveis para vocês’. Se esses leitos estão reservados e disponíveis para SES, então a gente pode efetuar o pagamento efetivamente desses leitos”, salientou Paraná.

O secretário informou também que a prefeitura tem solicitado ao governo federal o credenciamento desses leitos no Hospital de Caridade para ficarem disponíveis no SUS.

“O governo federal alegou que tem dificuldade de renovar o credenciamento desses [dez] leitos, então temos pendências de regulamentação por parte do Ministério da Saúde e estamos trabalhando com o secretário de Estado da Saúde para que seja feito no menor prazo possível”, finalizou Paraná.

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