Sem vaga hospitalar, homem usa respirador improvisado em Florianópolis

Sidnei Petry utilizou um cilindro de oxigênio ligado a uma máscara de nebulização enquanto aguardava vaga no Hospital Universitário

Com 40% do pulmão comprometido e sofrendo com a falta de ar na espera por um leito no HU (Hospital Universitário), em Florianópolis, Sidnei Petry, de 46 anos, improvisou da forma que pôde para conseguir algum tipo de alívio.

Diagnosticado com a Covid-19 desde o fim de fevereiro, o homem passa por dificuldades para ter acesso a um leito de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), em meio ao colapso no sistema de saúde da Capital.

“Como ele estava com muita falta de ar, ele conseguiu um cilindro de oxigênio com um amigo, e tinha nebulizador em casa, então pegou o fio e conseguiu encaixar no cilindro, e ficava com aquela máscara de nebulização respirando o oxigênio”, conta a filha Beatriz Petry.

Hospital Universitário, em Florianópolis, tem vagas lotadas – Foto: Bruno Ropelato/Arquivo/NDHospital Universitário, em Florianópolis, tem vagas lotadas – Foto: Bruno Ropelato/Arquivo/ND

O improviso ajudou por um tempo, mas a situação continua delicada. “Isso ajudou por dois dias, mas no terceiro não estava mais funcionando, a saturação ainda estava muito baixa”, relata Beatriz.

A situação ocorreu na terça-feira (9). Já nesta sexta-feira (12), Sidnei Petry está em um leito na emergência do Hospital Universitário, mas ainda precisa de cuidados maiores.

“Ele começou a apresentar os sintomas há 13 dias, sentia muita falta de ar. Agora conseguiu uma vaga, mas pela evolução da doença, vai precisar ser intubado, e não tem vaga na UTI”, lamenta a filha.

Demora para procurar hospital

Beatriz Petry relata, ainda, que o pai levou tempo demais para procurar ajuda médica. “Quando ele resolveu procurar um hospital, já havia demorado muito. Ele estava fazendo atendimento médico por telefone, o médico prescreveu medicamentos sem eficácia, e não sei se havia orientado ele a procurar um hospital, e aí complicou.”

Estudante de enfermagem na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Beatriz Petry estava atenta às vagas do HU em meio à lotação dos leitos em Florianópolis.

“Na terça-feira, eu estava fazendo estágio no centro de saúde e meu pai foi fazer uma tomografia do pulmão no Baía Sul, porque não estava conseguindo respirar. A tomografia mostrou que 40% do pulmão estava comprometido e o hospital precisou mandar ele para casa porque não tinha leito, não ia dar”, descreve.

“Eu dei sorte que tenho uma amiga que faz residência no HU e ela me avisou que estavam abrindo leitos lá, então falei: ‘pai, vem pro HU, te encontro ali e vamos tentar um leito’. Enquanto isso meu noivo ligou para todos os hospitais, e realmente o único que poderia ter alguma vaga era mesmo o HU”, conta.

Sidnei Petry permanece internado na emergência do Hospital Universitário, no aguardo de um leito de UTI. De acordo com o Covidômetro, da Prefeitura de Florianópolis, na tarde desta sexta (12) a taxa de ocupação dos leitos para adultos na Capital está em 98,7%.

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Saúde