Sequelas pós-Covid: veja sintomas e tratamentos da síndrome que acomete infectados pela doença

Segundo a SES (Secretaria de Estado de Saúde), ao menos 80% das pessoas infectadas com o vírus Sars-Cov-2 em SC apresentam sintomas persistentes após terem Covid-19

A OMS (Organização Mundial de Saúde) define como pós-Covid a condição que acomete as pessoas infectadas pelo vírus Sars-Cov-2 cerca de três meses após o início dos sintomas e perduram por ao menos dois meses sem explicação por diagnóstico alternativo.

No Brasil ainda há dificuldade de se ter um dado absoluto sobre pessoas acometidas pela síndrome pós-Covid, pois não há um Código Internacional de Doenças específico para a condição, uma vez que ela pode se manifestar de maneira variada em cada indivíduo.

pessoas usando máscaraVariante Ômicron não chegou a Santa Catarina, diz superintendente em Saúde – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo a SES (Secretaria de Estado da Saúde) há 1.235.922 casos confirmados de Covid-19 desde o início da pandemia em Santa Catarina, e estima-se que até 80% (988.737,6) das pessoas possam ter apresentado sintomas persistentes, caracterizando a síndrome.

As sequelas pós-Covid podem variar de forma imprevisível de acordo com o organismo de cada pessoa. O BMJ (British Medical Journal) aponta como sintomas mais comuns de longa duração a tosse persistente, fraqueza, falta de ar, mal-estar e cansaço.

Além disso, pode haver mobilidade prejudicada, dormência nas extremidades, tontura e perda de memória. No caso de idosos que já tiveram a doença, as sequelas podem trazer dificuldades neurocognitivas, perturbações do sono, ansiedade e até depressão.

A publicação aponta ainda que sequelas gastrointestinais, incluindo perda de apetite, náuseas, refluxo gastroesofágico e diarreia são comuns em pacientes três meses após a alta médica. Os sintomas mais frequentes após um ano de acompanhamento são cansaço, ansiedade, constrição torácica e dores musculares.

Alguns desses sintomas podem se sobrepor à síndrome pós-tratamento intensivo. Os mais comuns são a incapacidade de retornar às atividades normais, desfechos emocionais e de saúde mental e as perdas financeiras. Entre os estudos observacionais, a frequência varia de 4.7% a 80% e ocorre entre 3 a 24 semanas após a fase aguda ou a alta hospitalar.

O fisioterapeuta Wilson Peres Pinto já tratou alguns pacientes com sequelas pós-Covid. Segundo relato à reportagem do ND+, cansaço, perda de olfato, paladar e equilíbrio são os principais sintomas que afetam os pacientes que já tiveram a doença. Em alguns casos, eles têm medo de não recuperarem as atividades normais da vida diária.

Tratando as sequelas

Wilson indica que a fisioterapia respiratória associada a exercícios motores e cardiovasculares como caminhadas leves, pedal e exercícios com membros superiores e inferiores são importantes para quem sofre com as sequelas da Covid-19.

Pedais utilizados para exercícios de força no tratamento pós-Covid – Foto: Reprodução/ Wilson Peres PintoPedais utilizados para exercícios de força no tratamento pós-Covid – Foto: Reprodução/ Wilson Peres Pinto

Ele explica que os objetivos desses exercícios são “aumentar a oxigenação no sangue, a expansão da caixa torácica, o aumento da complacência pulmonar, além dos ganhos de equilíbrio, motor e cardíaco”.

Para as pessoas que já fizeram sessões de fisioterapia e pararam o tratamento pós-Covid, Wilson recomenda que conciliem os exercícios já aprendidos até terem segurança de viver a vida de maneira “normal”, explica.

Sequelas respiratórias

A fisioterapeuta Camila dos Santos de Oliveira já atendeu mais de 15 pacientes pós-Covid, a maioria com sequelas respiratórias. “Realizei fisioterapia respiratória e motora pois estavam todos muito fracos, com perda de massa muscular e resistência”, conta.

Ela relata que nas primeiras sessões havia pacientes que não conseguiam levantar da cama, tamanha falta de ar.

Boa alimentação e atividades físicas

Para as pessoas com Covid-19 que ficaram muitos dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), Camila diz que é importante priorizar boa alimentação e atividades no limite de cada um.

Segundo a profissional, há casos em que os pacientes ficam de cama por muito tempo. “Por mais que a gente não pratique atividade física, temos efeitos e algo no nosso corpo que faz nossa musculatura se manter ativa. Ao ficar acamada, a pessoa acaba perdendo massa muscular e gordura”, diz.

A fisioterapeuta instrui seus pacientes a fazerem exercícios já utilizados em outras lesões respiratórias para aumentar a capacidade de respiração. Ela cita alguns movimentos que auxiliam na recuperação pós-Covid: exercícios de flexão de tornozelo; abertura e fechamento de mãos; elevação, flexão e extensão de pernas e treino de marcha (caminhada).

Projeto Pós-Covid no Hospital Universitário

O Hospital Universitário da UFSC oferece um programa de reabilitação após a internação por Covid-19 desde fevereiro de 2021 para acolher  pacientes que estiveram internados pela doença na unidade hospitalar.

A fisioterapeuta do Ambulatório de Reabilitação, Lilian Bet, explica que o programa é uma continuidade da reabilitação já iniciada na internação. São pacientes que, em geral, chegam bastante debilitados e após o tratamento conseguem boa recuperação das alterações causadas pela infecção e pela internação, que muitas vezes é prolongada.

“No momento da alta hospitalar, quando a equipe de fisioterapeutas percebe ainda alguma alteração motora, neurológica, respiratória ou funcional, encaminham para o nosso programa de reabilitação ambulatorial, que conta com dois planos: um com fisioterapeuta e outro com profissional de Educação Física”, explica.

Após uma avaliação criteriosa é feito o diagnóstico fisioterapêutico e são traçadas as metas do programa de reabilitação. Esta avaliação conta com a aplicação de testes funcionais, questionários, avaliação da forças musculares respiratória e periférica, entre outros.

Segundo Lilian, as principais queixas são a sensação de fadiga e de dispneia, que é a sensação de falta de ar. Além disso, a maioria apresenta redução da capacidade funcional, não conseguindo realizar mais atividades que antes conseguiam sem qualquer dificuldade. Muitos têm fraqueza muscular importante na avaliação e alguns necessitam até de cadeira de rodas ou andador para se locomoverem.

Outras queixas frequentes observadas são déficit de memória, dor de cabeça e ansiedade. A boa notícia é que após o tratamento individualizado os pacientes se recuperam bem.

Lilian explica como funciona o programa de internação do HU pós-Covid-19. Inicialmente são oferecidas 12 sessões bissemanais individuais de 40 minutos podendo ser ampliadas para 24 sessões para atingir as metas propostas na avaliação. “Na maioria das vezes o paciente já apresenta bons resultados no prazo inicial estipulado”, pontua.

No início do tratamento os pacientes recebem um folder com orientações de exercícios domiciliares para participarem ativamente do processo de reabilitação. No momento da alta do programa são orientados de forma individualizada a continuarem com a prática de exercícios físicos, essencial para a manutenção da saúde.

Sessões

Lilian diz que, por segurança, os pacientes são monitorados durante as sessões de reabilitação com a verificação da pressão arterial, da saturação periférica de oxigênio e da frequência cardíaca antes, durante e após as atividades. Além disso, os pacientes são avaliados sobre a sensação de dor, fadiga e dispneia.

As principais estratégias do programa são o fortalecimento da musculatura periférica, o treinamento aeróbio, o treinamento neurofuncional e o treinamento muscular inspiratório, onde importantes resultados têm sido alcançados.

+

Saúde

Loading...