Série Vidas salvas: as estratégias das cidades com os menores índices de mortes

Equipe de reportagem do Grupo ND viajou mais de 2 mil quilômetros em três estados para conferir as estratégias adotadas em cada município

Desde o início da pandemia os números pautaram o noticiário, do registro de mortes até a taxa de lotação de leitos e de impactos econômicos causados pela Covid-19.

Mas os números também podem trazer boas notícias como o caso de pessoas que venceram a doença ou empresas que superaram as adversidades, mantiveram empregos e prosperaram.

Série Vidas salvas: as estratégias das cidades com os menores índices de mortes. Municípios com os menores índices de mortes adotaram estratégias para controlar a contaminação – Foto: Reprodução/NDTVSérie Vidas salvas: as estratégias das cidades com os menores índices de mortes. Municípios com os menores índices de mortes adotaram estratégias para controlar a contaminação – Foto: Reprodução/NDTV

Em busca dessas histórias, o Grupo ND mapeou o número de contaminados e de mortes nos municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. As localidades que apresentaram os menores índices foram contatadas pela equipe de reportagem.

As histórias de cinco municípios chamaram a atenção (veja a lista abaixo). As iniciativas vão desde ações de conscientização da população até fiscalização conjunta e investimentos em tecnologia.

Os municípios foram visitados pela equipe e terão as suas experiências retratadas na série Vidas Salvas – números e soluções na pandemia que será publicada a partir desta quarta-feira (10) no ND+.

 Medidas descartam lockdown

A pandemia trouxe desafios novos e não há soluções simples. Medidas adotadas numa cidade não necessariamente podem ser efetivas em outras. Uma característica comum entre as cinco cidades analisadas é que nenhuma adotou o lockdown e todas mantiveram as atividades econômicas.

“A população entendeu que nós não optamos pelo lockdown como muitas cidades do Brasil fizeram e que chegaram até fechar as cidades. Nós não fizemos isso. Sempre acreditamos que a lógica da contaminação era intrafamiliar. Era nos grupos familiares que as pessoas se descuidavam porque relaxavam e não utilizavam as máscaras com tanta rigidez como se fazia em outros tipos de reuniões”, diz Celso Goes (Cidadania), prefeito de Guarapuava, no Paraná, uma das cidades visitadas pela reportagem.

Os números na pandemia

No apoio à tomada de decisão, os números passaram a guiar as ações do poder público. São os indicadores que apontam a evolução dos casos de contaminação e as áreas onde agir.

“Essas técnicas utilizadas orientam as administrações para tomar decisões em relação às políticas para enfrentamento da pandemia”, diz Lauro Mattei, coordenador do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) da UFSC.

Taxa de mortalidade e taxa de letalidade: entenda a diferença

As taxas de mortalidade e letalidade tornaram-se comuns durante a pandemia da Covid-19 já que avaliam a evolução dos casos.

A taxa de mortalidade é um cálculo que mostra o número de mortes por população. Logo, o cálculo é feito com o número de pessoas que morreram dividido pelo número de habitantes de uma cidade, estado ou país.

Já a taxa de letalidade é referente ao número de mortes por casos confirmados. Ou seja, mede a proporção de pessoas com a doença que evoluíram para morte.

“Essas taxas são usadas para que possamos saber como o vírus age na população. Ambos são de extrema importância para a saúde pública”, diz Mattei.

Cálculo por 100 mil

Outra informação que se tornou recorrente é o cálculo por 100 mil habitantes. A medida é utilizada para comparar os indicadores de cidades, estados e países colocando os números no mesmo patamar conforme a população de cada local.

Assim, uma cidade com 50 mortes pode ser comparada com um país com 230 mil óbitos (como é o caso do Brasil) através do cálculo de incidência de falecimentos conforme a população.

Independente da população de cada local, os números são colocados na medida de 100 mil habitantes. No caso do número de falecimentos, esse cálculo gera a taxa de mortalidade de cada local.

Veja quais são as 5 cidades analisadas:

Porto Feliz (SP): ‘kit covid’ é distribuído à população

Rio do Sul (SC): a consciência da população é destaque no município

Caçador (SC): desenvolveu ações de fiscalização conjunta para o cumprimento das regras sanitárias

Guarapuava (PR): investiu em tecnologia para monitoramento de casos e coleta de dados para a tomada de decisão

Santana do Livramento (RS): cidade de fronteira com forte movimento no comércio investiu no em serviços online para manter as vendas

Série mostra as estratégias adotadas em cidades como Porto Feliz (SP) para controlar a contaminação de Covid-19 – Foto: Reprodução/NDTVSérie mostra as estratégias adotadas em cidades como Porto Feliz (SP) para controlar a contaminação de Covid-19 – Foto: Reprodução/NDTV

Os números das 5 cidades analisadas e o comparativo com estados e países

Em Santa Catarina, dois municípios foram analisados. Rio do Sul chamou a atenção pelo número de mortes que é menor do que outros municípios catarinenses com população aproximada.

Já Caçador apresentou número de casos confirmados menor do que os demais municípios, entretanto, apresentou taxa de letalidade elevada.

Quanto menor o número de casos confirmados e maior o número de mortes, também maior fica a taxa de letalidade, visto que essa taxa analisa a quantidade de mortos entre os contaminados.

Por outro lado, um local com confirmação de muitos casos da doença, como ocorre nos Estados Unidos, gera a redução da taxa de letalidade.

Na comparação entre as taxas de mortalidade, que ignora o número de casos confirmados e mede a quantidade de óbitos em relação à população, o Brasil tem uma taxa menor do que os Estados Unidos, Itália, França e Reino Unido.

Rogério Moreira Jr/Arte/NDRogério Moreira Jr/Arte/ND
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