Setembro Amarelo: a história da chapecoense que superou os medos

No mês de prevenção ao suicídio, Vanusa Dias, de 36 anos, conta sua história

“Pensar em suicídio é, na verdade, querer matar a dor que sente. Ela é tão grande que tudo perde o sentido. Ver meus sonhos desmoronando, algo que batalhei para conquistar, e não ter mais forças para lutar, foi absurdamente doloroso”.

Um ato de amor ao próximo – Foto: Arquivo pessoal/ND

É assim que a chapecoense Vanusa Dias, de 36 anos, descreve o que sentiu quando chegou ao limite de tirar a própria vida. A mulher, que luta contra a depressão desde 2016, viveu momentos difíceis, mas decidiu contar sua história como forma de ajudar pessoas que passam por situações semelhantes. Ela mostra que, sim, existe uma luz no fim do túnel.

O momento escolhido para abordar o assunto foi o “Setembro Amarelo”, que traz a campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. A iniciativa foi criada no Brasil em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), em parceria com o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A cor e o mês marcam o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro).

Um dia após o outro 

Vanusa teve os primeiros sintomas da depressão em 2016. Mas a situação se agravou em 2018, quando enfrentou sérios problemas financeiros. “Perdi dinheiro, amigos, familiares. Me senti sozinha no meio da montanha de entulhos que estava minha vida. Nada mais fazia sentido”, relembra.

Setembro Amarelo: a história da chapecoense que superou os medos – Foto: Arquivo pessoal/ND

Para ela, só o silêncio importava. “Eu não queria ler nem ouvir nenhum julgamento. O ‘barulho’ da opinião dos outros não me importava. A alma doía e tudo que queria era acabar com aquilo. Como em um piscar de olhos, arrancar aquela dor”.

O socorro veio de quatro patas e muito amor. O “anjo amarelo”, como classifica Vanusa, é Mimi, o gato vira-lata adotado por ela. “Foi ele que, em todas as vezes que estava preparada para acabar com tudo, veio até mim e me fez desistir daquela terrível ideia. Lambia meu rosto, minhas lágrimas, e deitava ao meu lado. Fazia carinho e acalmava o meu coração, como quem dizia: ‘você não perdeu tudo, eu preciso de você’”, relata ela, emocionada.

De acordo com Vanusa, uma pessoa depressiva não quer ouvir conselhos, mas precisa, urgentemente, de amor. “Foi esse amor que me salvou. Ele me olhou, abraçou e entendeu como ninguém. Me fez voltar à vida e, hoje, somos eu por ele e ele por mim”, conta.

Fique atento aos sinais 

Auto-desvalorização, falta de vontade/iniciativa, sensação de tristeza constante, dificuldade de concentração, pressentimentos negativos, medo persistente, preocupação exagerada que não condiz com a realidade, pensamentos descontrolados e obsessivos sobre determinada situação ou problema. Estes são alguns dos sintomas da depressão, principal caminho para o suicídio.

Foto: Arte/ND

A psicóloga especialista em Terapia Cognitivo e Comportamental, Suele dos Santos Silva, explica que o suicídio não vem sozinho: é atrelado à depressão. “Essa é uma doença vista, por muitos, como tabu, mas que precisa ser diagnosticada e tratada como qualquer outra”.

No vídeo, a psicóloga fala mais sobre o suicídio e como identificar o comportamento. (Assista abaixo)

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