Sua caderneta de vacinação está em dia?

Saiba quais são os imunizantes disponíveis para toda a população hoje na Capital e que protegem contra outras doenças, além da Covid-19, que são graves, fatais e facilmente evitáveis pela imunização

Enquanto a vacina contra a Covid-19 ainda não está disponível e é aguardada pela maioria da população no país e em todo o mundo, outros imunizantes, contra doenças graves e também fatais, permanecem armazenadas nas unidades de saúde e não têm demanda. A cobertura vacinal de algumas enfermidades não atinge sequer o mínimo necessário no Brasil.

Florianópolis não enfrenta mais surto de sarampo, mas, por ser um destino turístico, pode receber pessoas de outros Estados onde o vírus ainda circula – Foto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/NDFlorianópolis não enfrenta mais surto de sarampo, mas, por ser um destino turístico, pode receber pessoas de outros Estados onde o vírus ainda circula – Foto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/ND

O sarampo é um exemplo. Apenas no ano passado, seis das sete mortes causadas pela doença no Brasil ocorreram em crianças com menos de 18 meses. A última vítima foi um homem de 34 anos. Nenhuma destas pessoas havia sido vacinada contra a doença.

Florianópolis também enfrentou uma epidemia que começou em julho de 2019 e só terminou em meados do último ano, após o início do isolamento social e das restrições impostas pela Prefeitura da Capital para reduzir a curva de contágio pelo coronavírus.

Ana Cristina Vidor, gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, avalia que as restrições impostas pela pandemia, que reduziram significativamente a circulação da população adulta e as aglomerações, fizeram com que o sarampo fosse controlado de forma mais rápida na cidade.

Manter a caderneta de vacinação em dia é fundamental

Apesar do surto ter terminado no município, ela alerta que é fundamental que todos, crianças e adultos, mantenham caderneta e o cartão de vacinação em dia.

“É importante a gente ressaltar que o vírus do sarampo ainda está circulando em vários Estados do Brasil e nós somos um destino turístico e um destino de negócios muito frequente. Então, tudo o que estiver circulando em outras partes do Brasil, mais dia menos dia vai acabar chegando em Florianópolis novamente. Desta forma, se a cobertura vacinal dos adultos não estiver adequada nós vamos ter sarampo novamente entrando na cidade. É muito importante que a população adulta fique atenta e verifique a sua situação”, destaca.

A vacinação é a única forma de proteção contra o sarampo, que tem circulado de forma cada vez mais frequente em vários pontos do mundo – Foto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/NDA vacinação é a única forma de proteção contra o sarampo, que tem circulado de forma cada vez mais frequente em vários pontos do mundo – Foto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/ND

Ana Vidor lembra ainda que o sarampo tem circulado de forma cada vez mais frequente em vários pontos do mundo, principalmente por conta da redução da cobertura vacinal que vem sendo observada em várias populações. Isso levou o Brasil a também viver uma epidemia entre 2016 e 2017 e, novamente, em 2019.

A vacinação é a única forma de proteção contra a doença, no entanto, há quatro anos, a primeira e segunda doses da vacina tríplice viral em crianças — que além do sarampo protege também contra caxumba e rubéola — não alcançou os 95% de cobertura, necessários para deixar a população protegida no Brasil. No ano passado, foram confirmados 8.419 casos de sarampo no país, até o dia 19 de dezembro.

Em 2019, o sarampo matou mais de 207 mil pessoas no mundo em 2019 – um aumento de 50% em quatro anos – segundo relatório divulgado pela OMS,  Organização Mundial da Saúde, em conjunto com os CDC (Centros para Controle e Prevenção de Doenças), dos Estados Unidos.

Prevenção contra a febre amarela

O ano de 2020 foi marcado pelo surgimento da pandemia do coronavírus, mas velhos conhecidos dos brasileiros continuaram a crescer e representar riscos para a saúde da população como a dengue, chikungunya, zika e febre amarela, que atingiram centenas de milhares de pessoas em todo o país.

Segundo Ana Vidor, até há muito pouco tempo atrás a febre amarela não era uma preocupação da nossa população e os adultos só eram vacinados contra a enfermidade quando iam viajar.

“Isso não é mais a realidade. Também desde 2019 a vacina contra a febre amarela começou a fazer parte do calendário básico de vacinação do adulto aqui.  Já fazia parte do calendário básico de vacinação da criança, mas agora não está sendo mais utilizada só quando o adulto vai viajar, porque nós temos circulação e, inclusive, já tivemos óbito por febre amarela no Estado. A melhor forma de evitar essas doenças é a vacinação”, enfatiza a médica.

Tétano, doença fatal e facilmente evitável

Outra vacina importantíssima no calendário de vacinação são as doses contra o tétano, uma doença fatal que pode ser prevenida com a imunização.

“Além da febre amarela e do sarampo, que são situações novas, vacinas antigas, mas que estão prevenindo de novas ondas dessas doenças que não faziam parte da nossa realidade, nós temos o recurso das vacinas contra o tétano que infelizmente é uma doença de alta letalidade. Está cada vez mais rara principalmente por conta da vacina, mas quando acontece ela geralmente leva à morte. É uma doença facilmente evitável com a vacinação, então o tétano, a difteria as hepatites principalmente a hepatite B, têm a vacinação, já de rotina, para o adulto”, afirma a gerente da Vigilância Epidemiológica da Capital.

Ana explica que estas são as principais doenças que podem ser evitadas com a vacinação e que não há necessidade de nenhum tipo de avaliação prévia para o recebimento dessas vacinas.

Se o usuário não sabe se recebeu ou não as vacinas, pode tomar e atualizar a carteira de imunização – Foto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/NDSe o usuário não sabe se recebeu ou não as vacinas, pode tomar e atualizar a carteira de imunização – Foto: Allan Carvalho/PMF/Divulgação/ND

Qualquer adulto que queira saber seu status vacinal pode entrar em contato com uma equipe de saúde pelo WhatsApp, inclusive não precisando se deslocar a unidade se não tiver interesse ou comparecer a qualquer centro de saúde.

Em caso de dúvidas, a orientação é tomar as vacinas necessárias

Se o adulto tiver caderneta de vacina é muito melhor, pode já atualizar ou verificar quais são as vacinas que ainda precisam ser tomadas e quais são os reforços que precisam ser feitos. Lembrando que a vacina contra tétano e difteria deve ser renovada a cada dez anos ou a cada cinco em caso de gestação ou de algum ferimento com risco de tétano e vacinas como o da hepatite.

A médica destaca também que para vacinas como a hepatite, que precisam de doses de reforço são aplicadas a primeira dose, depois de seis meses a segunda dose e terceira dose.

Se o adulto não tiver caderneta de vacina, explica ela, não tem problema. Se tem dúvidas se recebeu ou não recebeu uma determinada vacina também não tem problema, ele pode receber a vacinação de acordo com a sua faixa etária como se não tivesse recebido a vacina e a partir dali receber o certificado para poder guardar e ficar arquivado no seu prontuário simultaneamente.

“O que faz mal é a gente não receber a vacina se recebeu uma dose a mais não tem problema. Então, o que a gente orienta é que todo adulto valorize isso. Existe vacina para todas as faixas etárias, a vacinação de criança, vacinação pré-adolescente, vacinação para adulto e vacinação para a terceira idade”, esclarece a gerente.

Vacinas têm efeito comunitário

A imunização em massa é muito importante, pois se a população mantiver a vacinação em dia, várias doenças terão um curso muito limitado e grandes epidemias serão evitadas.

“‘Foi assim que vencemos várias doenças graves, é assim que vamos vencer a poliomielite e, se possível, é assim que a gente vai vencer o sarampo, que estava quase erradicado já nas Américas. Grandes coberturas vacinais realmente trazem grandes benefícios para a população, até para quem não se vacina. Quando a pessoa não pode se vacinar por alguma contraindicação ou por alguma outra situação, enfim, até por sua opção, e  vive numa comunidade com alta cobertura vacinal, ela  também fica protegida porque o vírus ou bactéria causadores da doença não vão circular por muito tempo  ali porque a população está protegida”, explica Ana Cristina Vidor.

“Quando nós recebemos uma vacina estamos recebendo o benefício da vacina e as pessoas que convivem com a gente estão recebendo aquele benefício também, porque nós somos uma pessoa a menos para manter aquele vírus ou bactéria circulando na nossa comunidade, no nosso meio, então isso é uma decisão comunitária, inclusive é uma grande decisão de saúde pública”.

Ana Cristina Vidor
gerente de Vigilância Epidemiológica de Florianópolis

Por outro lado, acrescenta a especialista, quando se vive em um local com baixa cobertura vacinal todo mundo corre mais risco, inclusive quem já se vacinou porque nenhuma vacina garante 100% de proteção.

“As vacinas que são as mais eficazes dão acima de 90% de proteção. Mas se tiver muito vírus circulando, mesmo as pessoas que receberam a vacina podem ficar doentes. É claro que a probabilidade é muito menor de ficar doente do que se ela não tivesse recebido a vacina mas, esse risco ainda existe. Então a vacinação acaba tendo esse efeito. Ele é um efeito comunitário. Ela vai para além do efeito individual”, conclui a gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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