Subnotificação das mortes por coronavírus em SC chega perto de 300%, diz estudo

Pesquisadores da Univille, UFSC e universidade do Canadá chegaram a conclusão de que o número de mortes no Estado seria de 117 e não as 42 oficialmente confirmadas até 26/04/2020

Mais um estudo comandando pelo professor e pesquisador do curso de Engenharia Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Univille, André Lourenço Nogueira, junto com outros quatro pesquisadores da UFSC e uma do Canadá, trouxe à tona estimativas sobre a COVID-19 em Santa Catarina.

Professor e pesquisador do curso de Engenharia Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Univille, André Lourenço Nogueira – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação NDProfessor e pesquisador do curso de Engenharia Química e do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos da Univille, André Lourenço Nogueira – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

Diante da falta de testagem no Estado e tendo em mãos o número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (que pode ser COVID-19) ocorridas nas primeiras 16 semanas epidemiológicas de 2020, o estudo chegou à conclusão que há uma subnotificação de óbitos de 278% em SC.

Isto quer dizer que seriam 117 mortes ao invés das 42 oficialmente confirmadas até 26/04/2020.

Para chegar a esse número, o estudo levou em conta a taxa de letalidade do novo coronavírus próxima de 1% e a projeção de 58.500 infectados no Estado. Sabendo que apenas 20% das pessoas apresentam sintomas, ou seja, 11.700, as mortes chegariam a 117.

Outro dado apurado na pesquisa foi a quantidade de mortes relacionadas à SRAG e COVID-19 registradas nas primeiras 16 semanas epidemiológicas de 2020 comparada à média óbitos por SRAG entre 2015 e 2019, com exceção de 2016 (surto de H1N1).

Se pacientes com quadro clínico compatível ao novo coronavírus morreram e não foram testados para confirmar a causa, a morte é normalmente atribuída à SRAG. Isto levou os pesquisadores a concluírem que todas as mortes registradas como SRAG acima da média nos últimos anos poderiam ser atribuídas à COVID-19 e não foram notificadas como tal.

Fonte: www.sc.gov.br e http://info.gripe.fiocruz.brFonte: www.sc.gov.br e http://info.gripe.fiocruz.br

O perigo dos assintomáticos

Entretanto, os outros 80% dos contaminados preocupam e acendem um alerta, pois são assintomáticos e podem estar transmitindo a doença, “alarmando para uma possível progressão silenciosa da doença no Estado”, pontua Nogueira.

Por isso, a testagem em massa é uma das principais estratégias defendidas pelos pesquisadores.

“Quando testes diagnósticos são aplicados a uma significativa parcela da população, reduz-se a subnotificação, permitindo que uma expressiva quantidade de indivíduos infectados possam ser isolados e tratados, se necessário, atenuando a curva de evolução da pandemia.”

Santa Catarina, de acordo com o levantamento, apresentava, em 28 de abril de 2020, um índice de testagem de aproximadamente 1275 por milhão de habitantes, número menor que a média nacional.

Para o professor André Nogueira, o baixo número de testes faz com que o número de casos confirmados, oficialmente divulgados, não revelem a realidade da pandemia.

“Hoje, os cenários e as estratégias de saúde estão sendo projetados em cima dos números oficiais, mas sabemos que há subnotificações. Se forem projetados em cima das estimativas, aí teremos um quadro mais assertivo da evolução da doença, tanto no número de contaminados quanto no de óbitos”, explica o pesquisador da Univille.

Esses estudos e estimativas, insiste Nogueira, podem servir para alimentar modelos matemáticos projetando um cenário muito mais realista da doença no Estado e ajudando, inclusive, a direcionar políticas públicas.

A pesquisa, entitulada “Estimativa da Subnotificação de Casos da Covid-19 no Estado de Santa Catarina”, contou com a participação de Christiane L. Nogueira (University of Waterloo, School of Pharmacy, Waterloo, Ontario, Canadá); André W. Zibetti, Nestor Roqueiro, Oscar Bruna-Romero, Bruno A. M. Carciofi, estes da UFSC.

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