Subvariante da Ômicron representa mais risco que Deltacron, afirma virologista

A subvariante pode estar ligada ao número crescente de infecções na Europa e já foi detectada no Brasil

Apesar da Deltacron ter chamado atenção essa semana, em entrevista ao R7, o virologista José Eduardo Levi, chefe da unidade de biologia molecular da rede de saúde integrada Dasa, afirmou que a variante  é mais uma “curiosidade biológica” e não representa ameaça, diferentemente da subvariante da Ômicron, BA.2,  que já foi detectada no Brasil e está ligada a um aumento de caso de Covid-19 na Europa.

Subvariante da Ômicron já foi identificada no Brasil – Foto: Reprodução/Getty ImagesSubvariante da Ômicron já foi identificada no Brasil – Foto: Reprodução/Getty Images

Atualmente a Europa vive um aumento progressivo das infecções do vírus. Segundo o virologista, no entanto, não se sabe o aumento está ligado ao surgimento da subvariante BA.2 da Ômicron ou da flexibilização de algumas medidas de proteção, como o uso de máscaras.  No Reino Unido, por exemplo, o número de casos subiu em 48% na última semana, desde o afrouxamento de algumas restrições.

De acordo com Levi, quando a Ômicron foi identificada, em novembro de 2021, na África do Sul, foram encontradas três subvariantes “irmãs”: a BA.1, BA.2 e BA.3.

A BA.1 foi responsável pela maior parte dos casos relacionados a Ômicron, causando uma grande onda de casos entre janeiro e fevereiro. A BA.3 até então só foi identificada na África do Sul.

Já a BA.2, que já foi identificada em algumas localidades do Brasil, é mais transmissível que a BA.1. “Ela é muito diferente da BA.1, tanto que pode receber uma nova letra grega e se tornar a sexta variante de preocupação”, alerta o virologista.

No Brasil, alguns estados já começaram a flexibilizar algumas medidas, incluindo o uso de máscaras em ambientes fechados. Os governos estaduais que liberaram o uso são: Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Roraima, Acre, além do Distrito Federal.

“Não tem como ao tirar a máscara, principalmente em ambientes fechados, que a gente não veja um aumento do número de casos”, comenta Levi.

Até o momento, a presença da variante BA.2 é baixa. Com um índice de 0,4% no total de amostras analisadas no monitoramento da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Para o virologista é difícil prever por enquanto se a subvariante terá impacto no número de casos do Brasil. Mas sinaliza que a resposta está na proteção conferida pela irmã desta subvariante, a BA.1.

Nesta quarta-feira (16), depois do anúncio do ministro da saúde, Marcelo Queiroga de dois casos suspeitos da variante Deltacron – híbrido da Delta com a Ômicron -, o ministro se corrigiu sobre a confirmação dos casos, afirmando que as notificações foram feitas pelos estados, precisando passar ainda pela validação da Fiocruz.

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Saúde

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