Com 3 casos suspeitos em SC, hepatite ‘misteriosa’ pode ter relação com infecção por Covid-19

Artigo foi publicado na revista The Lancet na última sexta (13); ainda não se sabe por que adenovírus estaria provocando consequência tão grave e inesperada

Nesta sexta-feira (13), dia em que foi anunciado o terceiro caso suspeito de hepatite infantil de origem ainda misteriosa em Santa Catarina pela DIVE/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), novas pesquisas apontaram a teoria de que uma infecção prévia provocada pelo Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19, pode ter relação com a doença que já provocou mais de 300 casos pelo mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A pesquisa foi realizada  no Imperial College de Londres, no Reino Unido, e no Centro Médico Cedars Sinai, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica The Lancet Gastroenterology & Hepatology, por meio de um artigo.

Pesquisa foi realizada  no Imperial College de Londres, no Reino Unido, e no Centro Médico Cedars Sinai, nos Estados Unidos – Foto: Reprodução: Getty Images via BBC NewsPesquisa foi realizada  no Imperial College de Londres, no Reino Unido, e no Centro Médico Cedars Sinai, nos Estados Unidos – Foto: Reprodução: Getty Images via BBC News

Pesquisadores suspeitam que um adenovírus – patógeno que causa resfriados comuns – esteja por trás da doença. No entanto, ainda não se sabe por que esses agentes rotineiros estariam provocando uma consequência tão grave e inesperada.

Os casos da hepatite registrados até o momento testaram negativo para os vírus tradicionais causadores da inflamação: A, B, C, D e E. Por este motivo, desde abril, quando começaram os relatos, especialistas têm buscado explicações para o mistério.

A principal hipótese da agência britânica de saúde é que a causa seja o adenovírus 41F, patógeno identificado em 72% das crianças diagnosticadas com a inflamação no Reino Unido. Porém, eles consideram ainda a possibilidade de o problema ser uma síndrome pós-infecção pela Covid-19, um efeito que seria restrito à variante Ômicron. De acordo com os pesquisadores, as duas hipóteses podem estar certas.

O artigo levanta a possibilidade de o Sars-CoV-2 ter efeitos prolongados no organismo que eventualmente propiciem a inflamação exacerbada quando as crianças são infectadas pelo adenovírus. Eles explicam que o vírus da Covid-19 forma reservatórios que persistem no trato gastrointestinal mesmo após a infecção e podem levar à liberação repetida de proteínas virais que ativam células imunes.

A repetição seria associada ao Sars-CoV-2 ter um efeito chamado de superantígeno, que leva determinados vírus ou bactérias a estimularem uma concentração muito mais alta que o normal de células T de defesa em algumas pessoas. O problema é que essa alta população de células do sistema imune, fora do normal, provoca vários eventos inflamatórios no organismo.

A tese ganha força porque em Israel, 11 de 12 crianças com hepatite terem testado positivo para a Covid-19 nos meses anteriores. Os especialistas ressaltam que qualquer relação com as vacinas foi descartada. Isso porque a maioria dos casos são em crianças menores de 5 anos, público que não foi vacinado.

Casos suspeitos em SC

Em Santa Catarina, três casos suspeitos estão sendo investigados. O último caso, divulgado na sexta-feira, é de uma criança de três anos de São José, na Grande Florianópolis, que está internada em um hospital da Capital. Os sintomas começaram em abril e o fato curioso é que os exames para hepatite A, B e C deram negativo.

De acordo com a DIVE, os três casos estão sendo investigados pelas Secretarias Municipais de Saúde. A apuração também está sendo feita com apoio da DIVE e do Laboratório Central de Santa Catarina (LACEN/SC) para a realização dos exames laboratoriais necessários.

Relembre os outros casos

No dia 6 de maio o primeiro caso suspeito de hepatite “misteriosa” foi notificado em Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina. A menina de 7 anos estava internada no Hospital Infantil Pequeno Anjo e foi liberada na segunda-feira (9).

O segundo caso foi notificado apenas três dias depois (9). O registro é de um adolescente de 16 anos, de Balneário Camboriú, também no Litoral Norte do Estado.

O adolescente não precisou ser internado e está sendo acompanhado em casa pela vigilância epidemiológica estadual e municipal.

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