Tecnologia no combate à pandemia

Plataformas de dados auxiliam na tomada de decisões e indicam a importância do acolhimento precoce

O enfrentamento da Covid-19 em Santa Catarina conta com aliados tecnológicos que auxiliam na tomada de decisões de acordo com o cenário.

Fundadora do SGB (Social Good Brasil), a empresária Fernanda Bornhausen lidera uma série de iniciativas que usam dados para a solução de problemas sociais complexos, chamados de Data for Good.

Com base nos dados, Fernanda também defende a liberdade do cidadão de buscar atendimento diante dos primeiros sintomas, um direito fundamental de todos.

Fundadora do Social Good Brasil, a empresária Fernanda Bornhausen – Foto: Divulgação/ND

“Analisamos diariamente os dados sobre a situação da pandemia, os dados históricos que temos desde os primeiros casos e óbitos em Santa Catarina e os cenários projetados pelos produtos de inteligência de dados. Com base nestas análises, estamos convictos que algo a mais tem que ser feito”, diz a empresária.

Ela acrescenta: “As orientações que os catarinenses receberam até o momento, de não procurar atendimento médico nos primeiros sintomas, estão fazendo com que um grande número de pessoas só busquem atendimento ao apresentarem sintomas graves da doença e, em muitos casos, a possibilidade de cura fica comprometida”.

A equipe do SGB está unindo esforços para levar informações e dados confiáveis às pessoas o quanto antes.

“Defendemos que todas as pessoas têm o direito de ser atendidas por um médico nos primeiros sintomas, fazendo os exames laboratoriais, acompanhamento, monitoramento e tratamento prescrito”, completa Fernanda.

Em tempo recorde, o SGB liderou e coordenou uma frente intersetorial que desenhou e construiu sete produtos de inteligência de dados de alto nível para ajudar SC. Em menos de quatro meses, foram entregues e são utilizados pelo governo de SC, TJSC, MPSC, Fecam e Cosems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde), bem como pela sociedade em geral.

Sala de Situação Digital auxiliará municípios

Com o objetivo de apoiar os municípios no controle da pandemia e na tomada de decisão, o Núcleo Intersetorial de Inteligência de Dados para a Covid-19 lançou na quarta-feira (15) a SSD (Sala de Situação Digital), onde foram centralizadas as ferramentas de inteligência de dados desenvolvidas até o momento.

Ferramenta de inteligência para monitoramento dos casos de Covid-19 foi entregue na quarta-feira (15) aos municípios de SC – Foto: Reprodução/ND

A SSD está disponível para todos os municípios e está hospedada no ambiente “Lista de Espera SUS”, mantido pelo MPSC, ao qual todas as secretarias municipais de Saúde já possuem acesso.

O núcleo intersetorial é uma organização não-governamental precursora no Brasil do uso de tecnologia e dados para ajudar na solução de problemas sociais. Formam o núcleo o governo do Estado, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Social Good Brasil, Laboratório Engin/UFSC e Associação Catarinense de Medicina. Recentemente, somaram-se à iniciativa o Ciasc, as empresas Data Science Brigade e Aquarela Data Analytics e o Cosems/SC.

O conjunto das ferramentas disponibilizadas na SSD possibilita ao gestor municipal ter uma visão completa de inteligência de dados sobre o que aconteceu, a situação atual e as projeções para os cenários futuros, para o seu município, região e todo o Estado. Isso é possível, pois as ferramentas de inteligência de dados são totalmente interativas e de fácil manejo.

Conheça os seus direitos

A pessoa que apresenta sintomas de Covid-19 tem direito a:

  • Atendimento médico ambulatorial nos primeiros sintomas;
  • Realização dos exames laboratoriais indicados para avaliação do quanto a Covid pode estar comprometendo a sua saúde, tomografia computadorizada e exames complementares se for o caso;
  • Ser informada sobre as opções de tratamento disponíveis. Embora ainda não exista um padrão ouro de comprovação de eficácia, o médico e o paciente podem decidir mediante avaliação dos riscos;
  • Ser informada de que o tratamento tem que ser personalizado de acordo com a condição de saúde do paciente, tem que ser prescrito e acompanhado por um médico;
  • Receber os medicamentos prescritos pelo médico para seu caso;
  • Monitoramento e o acompanhamento da evolução da doença.

Fique atento

A nova orientação do Ministério da Saúde para que as pessoas procurem atendimento médico nos primeiros dias de sintomas pode salvar vidas. Santa Catarina e Florianópolis se encontram em um momento de exponencialidade no número de casos e de óbitos de Covid-19 e a beira de uma situação muito difícil para todas as pessoas.

Entrevista: Gean Loureiro, prefeito de Florianópolis

 “Estamos no aguardo da chegada da hidroxicloroquina”

Prefeito da Capital, Gean Loureiro (DEM) não se opõe ao acolhimento precoce, desde que seja decisão do médico. Nessa entrevista, Gean fala do assunto, diz que aguarda a hidroxicloroquina solicitada ao Ministério da Saúde e projeta cenários da pandemia.

Prefeito Gean Loureiro – Foto: Reprodução/Facebook

Como a prefeitura avalia o acolhimento precoce em pacientes que apresentam sintomas de Covid-19?

A avaliação e o entendimento da prefeitura de Florianópolis em relação ao tratamento precoce para Covid-19 são os mesmos adotados pelo governo do Estado e prefeituras da região, ou seja, a decisão é do médico. Por parte da prefeitura, não há qualquer impedimento em relação a isso. Reconhecemos que não há, ainda, comprovação científica sobre os benefícios dos medicamentos. Por outro lado, há evidências médicas diárias de melhoras em determinados pacientes após o uso desses medicamentos. Levando em conta que vivemos uma situação absolutamente atípica, é obrigatório levar em conta e analisar tudo que pode ajudar no combate à pandemia.

Médicos indicam que é importante o acompanhamento de perto de pessoas que testam positivo, com o eventual uso de medicamentos. Qual sua avaliação?

Como já me manifestei, há meses, sou formado em direito e administração, e não na área da saúde. Portanto, não poderia jamais prescrever ou indicar medicamentos a quem quer que seja. A mim, como administrador público, cabe dar liberdade profissional aos médicos da rede municipal para que eles definam, segundo critério próprio, acordado com seus pacientes, o melhor tratamento, caso a caso. Da nossa parte, cabe também providenciar que esses medicamentos estejam à disposição na rede. No momento, aguardamos apenas a chegada da hidroxicloroquina, já solicitada, há alguma semanas, ao Ministério da Saúde do governo federal.

Qual o prognóstico da prefeitura para o pico da pandemia na cidade?

Quanto ao prognóstico de pico da pandemia é difícil definir, já que toda ação de enfrentamento tem o poder de achatar esse pico. O certo é que, com a chegada do inverno, todos os Estados do Sul enfrentam um aumento no número de casos, o que já era esperado. Mas é fundamental que todos saibam que Florianópolis tem a segunda a menor mortalidade entre as 50 cidades mais populosas do Brasil, o que nos traz a certeza que todo o esforço e sacrifício da população têm valido a pena, pois seguramente salvaram dezenas de vidas. Basta olharmos para capitais vizinhas e compararmos os números.

A prefeitura cogita tomar medidas ainda mais restritivas diante do agravamento do cenário da doença?

Vamos ficar de olho nesse avanço diariamente, seja agindo para aumentar a estrutura hospitalar, mesmo essa não sendo uma responsabilidade municipal, seja tomando medidas para diminuir a circulação do vírus entre as pessoas. Temos uma rede extremamente capacitada e estruturada, com um dos mais completos programas de telemedicina do

país, um programa de testagem em larga escala, ações de monitoramento, barreiras sanitárias no aeroporto, enfim, nos preparamos para uma guerra. No momento, todas as medidas de isolamento estão sendo definidas em comum acordo entre os municípios da região e governo do Estado.

Procon/SC identifica preços abusivos de testes para coronavírus

O Procon/SC divulgou na quarta-feira (15) uma pesquisa que identificou prática abusiva de 19 laboratórios em Santa Catarina nos preços de testes para coronavírus. De acordo com o órgão, laboratórios tiveram lucros entre 100% e até 200% em cima de preços de exames. Os valores cobrados vão de R$ 180 a R$ 380.

O Procon notificou 86 laboratórios para que apresentassem as notas fiscais de aquisição do exame coronavírus. O motivo, segundo o órgão, é que “especialistas da área epidemiológica afirmam que, quanto mais testes são realizados, mais robustas são as informações do gestor público”.

O Procon irá, portanto, abrir processos administrativos contra os laboratórios, conforme o artigo 39 Código de Defesa do Consumidor.

“É justo, é legítimo a busca do lucro, mas não de forma abusiva, aproveitando de uma situação de emergência de saúde mundial. Fato é que lucrar 100% em tempos de emergência de saúde de importância mundial, conforme declarado pela própria OMS (Organização Mundial de Saúde), não configura justa causa, mas sim insensibilidade para com os mandamentos emanados da solidariedade social”, diz um trecho da nota emitida pelo órgão.

SAIU NO ND+ 

Em editorial publicado na página 3 do jornal Notícias do Dia e também no site ND+, o Grupo ND defendeu que os cidadãos tenham liberdade para se tratar de forma precoce da Covid-19.

Diante do cenário desafiador imposto pelo vírus, o movimento editorial lançado pelo ND propõe que a opção por tratamento ou medicamento deve ser do indivíduo, em conjunto com seu médico, e não do Estado.

Com a recente mudança de protocolo do Ministério da Saúde, que prevê que o atendimento ao paciente deve ser atendido assim que surgirem os primeiros sintomas, o Grupo ND defende que esse protocolo de atendimento seja incorporado à rede pública do Estado.

“Em tempos de pandemia, a informação e a liberdade de decisão também ajudam a preservar vidas”, pontua o editorial.

Depoimentos

Laércio Luiz Moser

“Excelente o editorial do Grupo ND, sem retoques. Parabéns pela clareza, abrangência e lucidez”.

Elaine

“Esclarecedor o editorial sobre medicamentos, sem pressões políticas, onde o paciente pode falar livremente sobre a cloroquina”.

Paulo

“Essa iniciativa do Grupo ND é importante para a sociedade, que está sendo dominada por políticos interesseiros, sem nenhum escrúpulo pelo cidadão que paga os impostos para bancar esses indivíduos”.

Vivian Di Napoli

“Parabéns ao Grupo ND pela iniciativa. Eu tenho percebido essa falta de informação e diria preocupação com a população. Vocês me representam. É bom saber que tem quem se interessa pelo bem-estar de todos”.

Diana Cunha

“Parabéns ao Grupo ND sobre o editorial e reportagem que falam sobre a liberdade de usar ou não o medicamento da Covid. Nós aqui em casa, que somos em dez pessoas, somos a favor. Obrigada pela informação verdadeira sem direcionamento”.

Maurício Silva

“Precisamos cobrar a responsabilidade dos órgãos competentes pela distribuição da medicação de prevenção da Covid-19, seja em escala municipal, estadual ou federal. Vamos buscar onde está o erro”.

Juarez Castro

“Engraçado, para outras doenças, como o câncer, é aconselhado tomar todas as precauções o mais cedo possível. Para a Covid-19, o conselho para os pobres é bem diferente: se recolha, piore bem e volte aqui que nós vamos lhe entubar”.

Miguel JL

“Parabéns ao Grupo ND pelo editorial ‘Liberdade para se tratar’. Chega de incompetentes políticos interferindo na vida das pessoas”.

Luciano Leon do Carmo

“Quero dar os parabéns ao editorial em que esse conceituado periódico inicia a campanha de conscientização e esclarecimentos sobre o tratamento precoce contra a Covid-19. É elogiável a iniciativa que poderá ser um marco no tratamento no Estado, que pelas projeções, se avizinha do caos. Não é a cura certamente, mas serão procedimentos de esperança em meio ao turbilhão ideológico em que vivemos”.

Joaquim Lemos

“Vejo com alegria o editorial do Grupo ND, por ter decidido caminhar na direção natural da realidade, do bom senso. O primoroso editorial ‘Liberdade para se tratar’ é um marco extraordinário. O erro praticado pelo STF, governadores e prefeitos, uma violência ditatorial impensável, terá sim que ser julgado no futuro”.

Paula Bragaglia

“Lavaram minha alma com o editorial e as reportagens. Há tempos venho acompanhando (de olhos e mente aberta) a defesa deste protocolo”.

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