Tomou Astrazeneca? Confira as reações mais comuns e eficácia da vacina

Sensibilidade, dores no local da aplicação e febre estão entre os sintomas mais comuns; confira a lista e entenda a situação

Com o andamento da vacinação em Santa Catarina e em todo o Brasil, milhares de pessoas tem relatado algum efeito colateral após receber o imunizante Astrazeneca. Os sintomas estão previstos na bula e, normalmente, passam após poucos dias. No entanto, o fato tem preocupado algumas pessoas que evitam ir se imunizar ou mesmo tentam “escolher” qual vacina tomar.

Astrazeneca é um dos imunizantes contra a Covid-19 – Foto: Tânia Rego/Agência Brasil/Arquivo/NDAstrazeneca é um dos imunizantes contra a Covid-19 – Foto: Tânia Rego/Agência Brasil/Arquivo/ND

Para que você, leitor, entenda melhor quais as possíveis reações, o ND+ listou todos os motivos pelo qual você não deve se preocupar ao tomar o imunizante e também não há motivo para escolher entre “A ou B”.

Primeiramente para entender, o vírus SARS-CoV-2 é repleto de proteínas que usa para entrar nas células humanas. Essas proteínas chamadas de spike são um alvo tentador para potenciais vacinas e tratamentos.

A vacina Astrazeneca consiste em utilizar um adenovírus, que é inofensivo para o corpo humano, e modificá-lo geneticamente para que atuem de forma parecida com o coronavírus, mas sem risco para a saúde. Isso faz com que o sistema imunológico treine e produza anticorpos capazes de eliminar o vírus caso aconteça a infecção.

O imunizante, para ter seu efeito totalmente “ativado”, precisa ser tomado em duas doses. A Fiocruz, em nota divulgada nesta terça-feira (13), defendeu a manutenção de 12 semanas de intervalo entre as doses.

A eficácia de uma dose da Astrazeneca é bastante elevada. Uma dose da vacina já tem uma eficácia de 76%, superior a 50%, exigidos pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

De 100 pessoas que tomam a vacina, 76 estarão protegidas a partir do 22º dia”. Entretanto, mesmo com uma eficácia alta, é preciso completar a vacinação com a segunda dose. Após a segunda dose, a proteção aumenta. Você sai de 76% para 81% de proteção, segundo a Fiocruz.

Vale lembrar que Santa Catarina diminuiu o intervalo entre as doses da vacina da Astrazeneca. Com isso, a segunda aplicação poderá ser agendada a partir de 10 semanas (70 dias) da primeira dose, com limite máximo de 12 semanas (84 dias). A decisão foi comunicada através de nota técnica da CIB (Comissão Intergestores Bipartite).

Veja as reações mais comuns da AstraZeneca:

  • Sensibilidade no local da aplicação;
  • dor;
  • sensação de calor;
  • vermelhidão;
  • coceira;
  • inchaço ou hematomas no local da aplicação;
  • sensação de indisposição de forma geral;
  • sensação de cansaço;
  • calafrio ou sensação febril; dor de cabeça;
  • enjoos;
  • dor nas articulações ou dor muscular;
  • febre acima de 38°C; dor de garganta;
  • coriza;
  • tosse;
  • calafrios.

Mesmo aqueles que foram infectados pela Covid-19, devem receber a imunização contra a doença. Além disso, os efeitos colaterais da Astrazeneca nesses indivíduos são os mesmos.

Quando procurar um médico?

A orientação do Ministério da Saúde é de que um médico deve ser consultado se a sensação se prolongar por mais de quatro dias, a dor for muito intensa ou de difícil controle. Até o momento, a Astrazenca é a vacina que tem se mostrado mais reatogênica, ou seja, com mais casos de reação identificados.

Além disto, o profissional de saúde também deve ser procurado se a pessoa imunizada apresentar dor abdominal persistente, inchaço nos membros inferiores e manchas vermelhas na pele longe do local de aplicação.

“É preciso notificar. É importante ficar atento aos sintomas que fogem da curva, que são mais sérios e persistentes por muito tempo, são sinais de que [a reação] não está dentro do esperado. [Mas essas reações] têm tratamento. Se a pessoa vigia os sintomas, faz a notificação e é acompanhada”, afirma a pediatra Flávia Bravo, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Cuidado com os seguintes sintomas:

  • Dores no peito;
  • Inchaço nas pernas;
  • Dificuldades para respirar;
  • Dor de cabeça persistente (por duas semanas);
  • Dores abdominais persistente;
  • Pequenas manchas avermelhadas na pele próximo ao local da aplicação;
  • Visão embaçada.

Trombose

Alguns casos de trombose foram detectados em pacientes que receberam vacina contra a Covid-19 ao redor do mundo. O fenômeno acendeu um alerta e causou um certo receio na população com alguns imunizantes, alimentando o grupo dos “sommeliers de vacinas”, que chegaram a evitar a Astrazeneca.

O imunologista e vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri, detalha o que se sabe na comunidade científica a respeito dos casos, e garante que o evento é “raro”.

Os casos foram detectados em vacinas de vetor viral, ou seja, não apenas com a Astrazeneca mas também com o imunizante da Janssen.

Quais são os riscos?

Vale destacar que as chances de contrair trombose depois de receber a vacina representam um perigo muito menor do que se infectar com a Covid-19, por exemplo.

“O risco varia, tem países que tem até um para cada 50 mil casos, e outros um para 500 mil, então podemos dizer que fica entre um infectado para 250 mil pessoas. Isso depende da vigilância, obviamente, quanto mais você ficar atento, mais você acha”, diz Renato Kfouri.

Risco x benefício muito favorável à vacinação

“Dada a raridade do evento, os pareceres internacionais continuam com a relação risco e benefício muito favorável a manutenção da vacinação. Não se recomenda contraindicar a vacina porque você vai ter muito mais vidas salvas do que casos de trombose em indivíduos vacinados”, garante Kfouri.

Aplicadora manipula vacina Astrazeneca contra a Covid-19 – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom SC/NDAplicadora manipula vacina Astrazeneca contra a Covid-19 – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom SC/ND

Ele destaca que não existem contraindicações para nenhuma vacina, em nenhum caso específico.

“Não tem correlação com gestação ou outros fatores. Alguns países que têm várias opções de vacinas tem preferido usar a Astrazeneca nos mais velhos, já que é um fenômeno que no início pareceu estar associado aos mais jovens. Aqui no Brasil obviamente não podemos nos dar esse luxo, o balanço risco x benefício continua muito favorável, então não há nenhuma contraindicação de uso dessa vacina por aqui e muito menos de suspensão”, reforça.

Kfouri prossegue lembrando que “como aconteceu um caso em uma grávida, se suspendeu o uso das vacinas de vetor viral – Astrazeneca e Janssen – na gravidez, mas muito mais como precaução, mas não tem nenhuma relação de risco”, conclui.

Benefícios da vacinação

Os benefícios da vacina superam, e muito, os efeitos colaterais. Os imunizantes garantem que a pessoa não morra devido à doença após ser imunizada da maneira correta.

Vale lembrar que especialistas apontam que a pessoa só deverá se considerar imunizada após receber as duas doses da vacina, contando 14 dias após a aplicação. Esse é considerado o tempo que o organismo leva para criar anticorpos necessários para combater o vírus.

Contudo, mesmo imunizado é necessário seguir mantendo as medidas de recomendação para evitar o contágio da doença, como o uso de máscaras, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Pessoas que se vacinarem devem seguir usando máscaras – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/NDPessoas que se vacinarem devem seguir usando máscaras – Foto: Cristiano Andujar/PMF/Divulgação/ND

Uma vez aprovadas para o uso em massa, as vacinas são consideradas eficazes e seguras.

Número “mágico” da vacinação

Em entrevista ao ND+, o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro confirmou que o número divulgado por especialistas que aponta que 70% das pessoas totalmente imunizadas, ou seja, que receberam as duas doses ou dose única, seja o ideal para se ter uma vida menos restritiva.

“Eu imagino que para novembro, lá para o Natal, a gente consiga ter uma data mais calorosa, com as pessoas podendo se abraçar, se reunir de uma forma mais tranquila. Mas claro que isso tudo depende do que irá acontecer, da efetividade da vacina a médio e longo prazo, porque a curto prazo sabemos que ela é boa”, explica.

Até às 18h19 desta quinta-feira (15), segundo o Vacinômetro do governo do Estado, 15,05% da população catarinense, ou 1.091.724 já completaram o ciclo vacinal.

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