Transtorno do Espectro Autista merece abordagem inclusiva e mais informações

Acompanhamento multidisciplinar ajuda na inclusão dos autistas em suas atividades cotidianas e colabora para uma vida mais funcional

Autismo – Foto: Divulgação

Com o avanço dos estudos sobre o Transtorno do Espectro Autista, cada vez mais muda-se a forma como se olha para esse transtorno.

Porém, muitos mitos de que o autista não consegue socializar, ou que não pode ter uma vida cotidiana como a das pessoas sem o espectro estão deixando de ser uma realidade.

Diante da questão, o SC Saúde destaca a importância do diagnóstico precoce para que o tratamento acompanhe o desenvolvimento infantil e continue na vida adulta.

Afinal, o que é Autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo, é uma condição de saúde caracterizada por déficit em duas áreas importantes do desenvolvimento: comunicação social e comportamento.

Assim, não existe um único tipo de autismo, mas muitos subtipos, que se manifestam de uma maneira singular em cada pessoa.

Essa questão é tão abrangente, que se usa o termo “espectro” pelos vários níveis de comprometimento.

Há, desde pessoas com outras doenças (comorbidades), como deficiência intelectual e epilepsia, até pessoas independentes, sem que haja grande alteração no seu dia a dia devido aos déficits.

Algumas pessoas nem sabem que são autistas, pois nunca receberam diagnóstico. O desenvolvimento de habilidades comportamentais e sociais faz parte do tratamento do autismo.

Uma abordagem multidisciplinar

A psicóloga do SC Saúde Fabíola Guzzo explica que o tratamento do autismo (TEA) é realizado de acordo com cada quadro apresentado. Ela diz que é preciso uma análise minuciosa para o melhor acompanhamento.

“Não há um método único para tratar as pessoas que possuem o transtorno, pois cada uma necessita de um acompanhamento específico.

No entanto, é importante que o tratamento do autismo seja feito por meio de uma abordagem multidisciplinar, com auxílio de diferentes profissionais, como médicos, psicólogos, fonoaudiólogos e professores especializados”, explica a profissional.

Segundo Fabíola, o objetivo do tratamento é desenvolver as habilidades comportamentais e sociais, para que suas dificuldades afetem cada vez menos sua vida.

“Normalmente, os autistas recebem atendimento por meio da psicologia comportamental e do reforço pedagógico”, diz.

Mais casos registrados no mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tem autismo. Porém, esse dado apresenta grande variação de um estudo para outro.

Com base em estudos epidemiológicos realizados nos últimos 50 anos, a prevalência de TEA parece estar aumentando globalmente.

Há muitas explicações possíveis para esse aumento aparente:

  • Aumento da conscientização sobre o tema
  • Expansão dos critérios diagnósticos
  • Melhores ferramentas de diagnóstico
  • Aprimoramento das informações reportadas.
  • Antes, havia um problema de registro de casos de TEA.

Transtorno de espectro autista e a inclusão

Inclusão – Foto: Divulgação

Fabíola destaca que, quanto mais os afetos próximos incluírem o autista nas atividades do dia a dia, mas acolhido ele se sentirá, o que acaba por trazer resultados positivos no seu tratamento.

“Antigamente, o autista costumava ficar isolado, ser ‘o diferente’. Precisamos ter esse olhar singular para cada ser humano, cada um é diferente do outro, respeitar essas diferenças faz com que se pare de isolar alguém por conta de uma condição específica.

Quanto mais as pessoas, principalmente os familiares e pessoas mais próximas, buscarem informação sobre o autismo, mais o autista estará incluso aos núcleos aos quais ele já faz parte”, explica a psicóloga.

Segundo a psicóloga, pode-se dizer que é mais fácil ser autista hoje do que há duas décadas atrás.

Primeiro, porque existe uma facilidade maior de identificação do transtorno por parte da medicina de família. Existe um entendimento maior do transtorno. As próprias famílias têm muito mais informações disponíveis.

“Outra questão é que, apesar de vivermos num mundo mais social, ao mesmo tempo somos um mundo mais digital, então a comunicação digital de uma certa maneira facilitou a vida dos autistas porque não exige uma interação social direta com outras pessoas”, observa a profissional.

“Falamos muito dos déficits relacionados ao transtorno do espectro, mas essas crianças, muitas vezes, apresentam capacidades muito especiais. Seja em matemática, entendimento da física, além de memória bastante acentuada”, lembra a psicóloga do SC Saúde.

“Essas habilidades especiais podem, por exemplo, fazer com que essa pessoa, se destaque em sua carreira profissional, como em indústrias de computação, ou outros ramos em que essas habilidades são bem cotadas”, completa a psicóloga Fabíola Guzzo.

Informação é a chave

Portanto, o diagnóstico correto e tratamento adequado podem fazer grande diferença na vida dessas pessoas.

Quanto mais os familiares e a população tiverem informações sobre o TEA, mais possibilidades de quem possui o transtorno ter uma vida funcional, com interação e realizando atividades escolares, profissionais, de lazer entre outras.

É preciso entender as particularidades do autista e saber que cada ser humano é diferente um do outro, independente de apresentar ou não esse espectro.

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