“Um ano servindo de chacota, assistindo gente morrer todo dia”, desabafa diretor do Oase

Richard Choseki, diretor do hospital que é referência para casos de coronavírus no Vale do Itajaí falou sobre a lotação dos leitos de UTI

“Ficamos um ano servindo de chacota assistindo gente morrer todo dia”. A declaração é de Richard Choseki, diretor do Hospital Oase, em Timbó, durante reunião para tratar da falta de insumos básicos na unidade que é referência para casos de coronavírus no Vale do Itajaí. A fala foi em tom de critica às pessoas que desacreditam a existência do vírus.

Diretor do Hospital Oase, Richard Choseki, desabafa sobre situação da Covid-19 – Foto: Divulgação/NDDiretor do Hospital Oase, Richard Choseki, desabafa sobre situação da Covid-19 – Foto: Divulgação/ND

Na última quarta-feira (3) a NDTV Blumenau revelou em primeira mão que os suprimentos disponíveis para o tratamento dos pacientes poderiam esgotar-se em um prazo de dois dias, ou seja, nesta sexta-feira (5).

Diante da situação alarmante, a Câmara de Vereadores de Timbó convocou uma reunião com a diretoria do Hospital Oase. Durante o encontro, Choseki desabafou.

“Não tem medicamentos e não é despreparo. Não tem para nós e não tem para ninguém. Temos que ficar com os pacientes que temos e impedir que daqui dez dias alguém que está nas ruas, ou nós que estamos aqui, estejam lá também. Eu recebo ligações dia e noite, assim como o secretário de Saúde, me pedindo pelo amor de Deus por uma vaga de UTI”, contou o diretor.

Além da falta de medicamentos, o Hospital Oase sofre com a superlotação dos leitos de UTI. De acordo com o último boletim divulgado pelo governo do Estado, todos os 37 leitos disponíveis na unidade estão ocupados. Em todo Vale do Itajaí há apenas dois leitos de UTIs disponíveis, ambos no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial. O índice de ocupação na região é de 99,16%, o pior de Santa Catarina.

“Nós não temos mais condições de expandir leitos de UTI, porque nós não temos mão de obra suficiente. […] Para o Hospital e Maternidade Oase ficar funcionando no final de semana passado nós tivemos que trazer funcionários do município de Itapema, São João Batista e Taió”, disse Choseki.

Hospital Oase, em Timbó, que é referência no atendimento à Covid-19 no Vale do Itajaí, só tem insumos para mais dois dias de internação na UTI – Foto: Stevão Limana/NDTVHospital Oase, em Timbó, que é referência no atendimento à Covid-19 no Vale do Itajaí, só tem insumos para mais dois dias de internação na UTI – Foto: Stevão Limana/NDTV

O diretor do Hospital Oase também criticou a falta de vacinas para os profissionais que atuam na unidade. Segundo ele, dos cerca de 400 funcionários, boa parte ainda não foi imunizado.

“Sequer foi vacinado porque não são linha de frente, mas hoje mesmo eu tinha três ou quatro deles trabalhando dentro da UTI… e ele não pode ser vacinado. Eu tenho vergonha de passar pelo meu profissional que está dentro de uma UTI e ele não poder ser vacinado”, reclamou o diretor.

No fim, Choseki lembrou que conscientização das pessoas é fundamental para diminuir a curva de contágio da doença. “O problema não são mais leitos de UTI, não é a medicação, o problema são as nossas ações. O problema está sendo o abraço da morte”, conclui.

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