Único laboratório com vacinas contra varíola dos macacos cresce em vendas com aumento da doença

O laboratório Bavarian Nordic é sediado na Dinamarca e lucra com o aumento dos pedidos, mesmo sem indicação da OMS por vacinação em massa

Em todo o mundo, há um único laboratório que fabrica vacinas aprovadas por autoridades de saúde contra a varíola dos macacos: o dinamarquês Bavarian Nordic. As vendas dispararam no laboratório desde que a doença começou a se espalhar pelo mundo e a farmacêutica está convencida de que consegue atender a demanda. As informações são da AFP.

Os doentes com varíola dos macacos desenvolvem uma erupção na pele que pode formar bolhas – Foto: Reprodução/NDOs doentes com varíola dos macacos desenvolvem uma erupção na pele que pode formar bolhas – Foto: Reprodução/ND

O tratamento é com duas doses e foi inicialmente prescrito para tratar a varíola em adultos, doença considerada erradicada há 40 anos. Os Estados Unidos liberaram o uso da vacina contra a varíola dos macacos há três anos. O Bavarian Nordic busca expandir a aprovação na Europa.

Segundo o vice-presidente da empresa, Rolf Sass Sørensen, a vacina está “em estoque em muitos países” e pode ser aplicada antes ou após da exposição à doença. “Se você for vacinado alguns dias depois de ser exposto, ainda poderá estar protegido”, explica. A receita elevou as previsões de crescimento quatro vezes em menos de três semanas.

Mesmo com o aumento da contaminação por varíola de macaco em todo o mundo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda aplicação em massa da vacina por enquanto.

A França recomenda uma dose única em pessoas que tiveram contatos de risco e foram vacinadas contra varíola antes de 1980, exceto pessoas com imunossupressão. Os Estados Unidos só aconselham a imunização para quem teve contato com casos confirmados.

O laboratório dinamarquês afirma proteger zelosamente a nacionalidade de seus compradores. “Não revelamos os nomes dos países, mas temos encomendas de todo o mundo: Estados Unidos, países europeus, países asiáticos, Oriente Médio”, afirma Sass Sørensen.

Sobre o termo “varíola dos macacos”

O termo usado para nomear a doença, “varíola dos macacos”, é criticado por cientistas e começou a receber apoio da OMS pela mudança de nome. O objetivo não é apenas mudar o nome do vírus, já registrado em mais de 40 países, mas também das cepas variantes.

“Este é um debate mais amplo e está relacionado com a estigmatização da África“, declarou à AFP o epidemiologista Oliver Restif. Até o momento, as cepas são nomeadas com base nas regiões ou países africanos onde foram localizadas pela primeira vez. Exemplos disso são as cepas da África Ocidental ou da Bacia do Congo.

Mais de 30 cientistas publicaram, no início de junho,  uma carta aberta na qual exigem a mudança de termo para que “não seja discriminatória”. Levando em consideração que desde maio uma nova versão do vírus circula pelo mundo, o grupo considera que deveria ser nomeado como hMPXV (h por humano).

A doença

A varíola dos macacos geralmente é benigna e desaparece espontaneamente após duas a três semanas de sintomas semelhantes aos da gripe: febre, calafrios e cansaço, seguidos de erupções cutâneas. De 1º de janeiro a 15 de junho, a OMS detectou mais de 2.100 casos e uma morte em 42 países.

Um medicamento contra a varíola produzido pelo laboratório Siga, o tecovirimat, foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos para a varíola do macaco no início do ano, mas ainda não está disponível em grandes quantidades.

A Europa está no centro da propagação, com 1.773 casos confirmados, 84% do total mundial.

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