Pacientes esperam atendimento por mais de 4 horas em UPA de São José

Na UPA de Forquilhinhas, a capacidade de atendimento é de 9 mil pessoas, mas só em dezembro esse limite já foi extrapolado em 4 mil pacientes

A procura por atendimento médico tem crescido nas últimas semanas nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) da Grande Florianópolis. A reportagem do Balanço Geral Florianópolis esteve nas unidades da região continental e a reclamação dos usuários foi a mesma: a longa espera.

Pacientes esperam atendimento por mais de 4 horas em UPA de São José – Foto: Leo Munhoz/NDPacientes esperam atendimento por mais de 4 horas em UPA de São José – Foto: Leo Munhoz/ND

A atendente de telemarketing Adriana dos Santos levou a filha de 3 anos com febre para a UPA de Forquilhinhas, em São José. Ela mora em outro bairro, mas não conseguiu atendimento médico no posto de saúde perto de casa.

“O [bairro] Bela Vista, onde eu moro, nunca tem pediatra. Ontem [segunda-feira (3)], eu tive lá com a minha neném doente, para não vir com ela até a UPA e evitar de ela ficar no meio de um monte de gente doente. Mas nunca tem pediatra lá. Aí, acaba sobrecarregando aqui porque vem dos outros bairros para cá”, contou Adriana.

Algumas das pessoas que estavam na unidade na mesma manhã, já aguardavam há mais de quatro horas pelo atendimento.

Foi o caso da consultora de atendimento Monique Vivian Silva dos Santos, que também precisou levar a filha até a UPA: “Cheguei aqui perto das 8h. Ela tá com sintomas respiratórios, com tosse, não consegue nem falar, mas o atendimento é muito demorado. Ninguém fala qual é o problema. A gente só tem que aguardar e lutar por um lugar para sentar.”

A UPA de Forquilhinhas vem trabalhando com equipe extra desde 27 de dezembro, com mais quatro médicos e três enfermeiras. O problema é que a demanda aumentou bem mais do que se imaginava. A capacidade de atendimento da unidade é de 9 mil pessoas por mês, mas 13 mil pacientes chegaram a ser atendidos no local no mês passado. Algumas salas administrativas foram transformadas em consultórios para atender mais pessoas ao mesmo tempo.

Segundo a diretora da UPA de Forquilhinhas, Maria Simone, “nas primeiras 48 horas, às vezes os sintomas são extremamente inespecíficos. Então, uma dor no corpo ou só uma dorzinha de garganta isolada ou uma febrezinha baixa. Enfim, um sintoma ou outro, a gente não consegue nem caracterizar se vai ser uma infecção de garganta, se vai ser uma infecção de ouvido, se realmente é um caso suspeito de Covid, se é um caso suspeito de Influenza”.

Na UPA do bairro Jardim Atlântico, em Florianópolis, a situação é a mesma. Muitos pacientes para poucos médicos. Nessa unidade, a capacidade de atendimento é de 6.250 pessoas por mês. Mas só em dezembro, foram 8.209 atendimentos. A coordenadora da unidade, Clélia Maria Sperandio, contou que já foi solicitado mais um médico para reforçar o atendimento.

“A gente solicitou à nossa coordenadora regional para que solicitasse mais um médico clínico aqui para a UPA, assim como também técnicos e enfermeiras. Se não me falha a memória, desde julho ou agosto já foi solicitado o primeiro pedido devido a nossa demanda que tá aumentando muito. E até o momento a gente não recebeu nenhuma posição”, disse Clélia.

O diretor técnico da unidade do Jardim Atlântico, Juliano Puccini Vieira, falou que “realmente já extrapolou os limites da capacidade de atendimento em função do nosso quadro de recursos humanos. Nós temos hoje dois médicos atendendo na parte clínica, um na parte respiratória e um pediatra. Porém, acabam se revezando. Só que nós temos uma demanda que vem muito de São José, pela proximidade do município, e é crescente em virtude dos quadros respiratórios. Nós tivemos até um caso semana passada de um médico que atendeu 85 pacientes em 12 horas”.

A demanda nas UPAs da Grande Florianópolis aumentou cerca de 40% a 50%, de acordo com a coordenação de cada unidade. Mesmo com as equipes extras, os médicos não estão dando conta de atender tanto o público.

O secretário de saúde do Estado, André Motta Ribeiro, diz que já havia alertado sobre o aumento da demanda no fim do ano. “Nós estamos trazendo notas de alerta esta semana de novo, iremos trazer alerta de risco sanitário, mas precisamos entender quais são as consequências do aumento do número de casos, que nesse momento não se traduziu em gravidade. Se houver gravidade maior, aumento de óbitos, aí a discussão é outra. Nesse momento, nós continuamos fazendo a gestão da mesma forma”, afirmou Ribeiro.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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