Uso de medicamento para intubação cresce 50.000% e expõe temor de desabastecimento em SC

Falta de medicação para realizar procedimento de intubação em pacientes com Covid-19 preocupa hospitais filantrópicos do Estado; governo afirma que tem feito repasses

A falta de medicamentos essenciais para procedimentos e tratamento de pacientes com Covid-19 tem preocupado os hospitais filantrópicos de SC.

Cerca de 22 medicamentos compõem o chamado “kit intubação” e são fundamentais para o atendimento de pacientes acometidos pela forma mais grave da doença. Somente um dos remédios do kit, teve aumento de 50.000 % no consumo neste primeiro trimestre de 2021.

Falta de medicamentos para intubação preocupa hospitais filantrópicos de SC – Foto: Divulgação/NDFalta de medicamentos para intubação preocupa hospitais filantrópicos de SC – Foto: Divulgação/ND

De acordo com Neusa Lucio Luiz, presidente da Fehosc (Federação das Santas Casas, Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina) e diretora do Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, cada hospital da rede é responsável pela aquisição de medicamentos.

Contudo, em função da alta demanda, existe a dificuldade de adquirir os remédios diretamente com os fornecedores. Isso porque os próprios laboratórios ficam desabastecidos e sobrecarregados.

“Os fabricantes não estão conseguindo garantir o fornecimento para toda a rede hospitalar. Isso está acontecendo no Brasil todo.”, alertou.

Auxílio externo

A diretora do hospital explicou que quando a unidade não consegue adquirir a quantidade necessária de medicamentos, recorre-se a uma solicitação de ajuda externa.

Segundo ela, alinhado com o Ministério da Saúde, o Estado tem acesso a uma quantidade maior de estoque para abastecer as redes públicas estaduais.

Sendo assim, quando os hospitais filantrópicos se encontram em situação crítica e de necessidade, o Estado faz o repasse desses medicamentos às unidades por meio de doações ou empréstimos.

Além disso, a Fehosc também estuda a possibilidade de importação de insumos que estão sem estoque nos fornecedores internos.

Aumento de 50.000% no consumo

Os dados fornecidos pelo Hospital Regional São Paulo mostram o crescimento alarmante no consumo dos medicamentos do “kit intubação”.

No primeiro trimestre de 2020, por exemplo, o Hospital Regional São Paulo costumava utilizar em torno de 14 ampolas do medicamento Rocurônio 5 ml, que é indicado para ser usado juntamente com a anestesia geral para facilitar a intubação traqueal.

Neste primeiro trimestre de 2021, a unidade já utilizou 6.979 ampolas. Isso represente um aumento de 50 mil % no consumo.

O aumento no valor do medicamento também chama a atenção. Nos três primeiros meses de 2020, cada ampola era vendida por R$ 11,40. O valor neste primeiro trimestre de 2021, está em R$ 33, por ampola. A variação de preço foi de 192,4%.

Gráfico mostra o consumo dos itens no Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê – Foto: HRSP/Divulgação/NDGráfico mostra o consumo dos itens no Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê – Foto: HRSP/Divulgação/ND

Outro medicamento que obteve aumento no consumo e no valor foi o Midazolam 50 mg/10 ml, droga utilizada na sedação de pacientes adultos.

No primeiro trimestre de 2020, o Hospital utilizava 324 ampolas. Já no segundo trimestre de 2021, o uso subiu para 12.840 ampolas, o que significa um aumento de 4 mil % no consumo. Já o valor do medicamento passou de R$ 2,76 para R$ 37,50, obtendo uma variação de 1.259,7%.

Conforme a presidente da Fehosc, a alta no consumo dos medicamentos, como a registrada no Hospital Regional São Paulo, está ocorrendo em praticamente toda a rede hospitalar do Estado.

O que diz o Governo de SC

O Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, informou que realizou a doação e o empréstimo de diversos medicamentos do “kit intubação” para os hospitais filantrópicos e unidades de saúde dos municípios catarinenses.

Segundo o Estado, desde o início da pandemia, doações ultrapassam os R$ 4 milhões e foram repassadas 203,6 mil doses.

Apesar de o abastecimento de medicamentos estar sob responsabilidade das unidades filantrópicas e municipais e o Governo do Estado ter feito repasses em valores para as aquisições, o Executivo estadual diz que tem ampliado esforços para manter os estoques em um momento de grande aumento na demanda pelos insumos e risco de desabastecimento no mercado.

“Além de recursos e equipamentos repassados para garantir o enfrentamento à pandemia, também foram emprestados medicamentos que somam R$ 380 mil e 57.508 doses. Mais de 50 unidades hospitalares foram beneficiadas em todas as regiões do Estado. “, afirmou.

Segundo o Estado, desde o início da pandemia, doações ultrapassam os R$ 4 milhões – Foto: Divulgação / SESSegundo o Estado, desde o início da pandemia, doações ultrapassam os R$ 4 milhões – Foto: Divulgação / SES

Entre as medicações fornecidas pela Secretaria de Estado da Saúde estão Cloridrato de Dextrocetamina, Propofol, Fentanila, Atropina, Diazepan, Midazolan, Morfina, Atracúrio, Magnésio, Noradrenalina/Norepinefrina, Etomidato e Rocurônio.

Em contato recente com o Ministério da Saúde, a Secretaria informou que houve um pedido para a remessa de novos medicamentos a Santa Catarina.

Importação de medicamentos

Assim como informou a Fehosc, o Estado também também estuda a possibilidade de importação de insumos. A Secretaria de Saúde informou que o processo está em andamento e depende da autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A previsão é que o processo seja concluído nos próximos dias. Na lista crítica de aquisições estão os medicamentos Atracúrio, Propofol e Rocurônio.

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