Fila aumenta e SC tem mais de 450 pacientes à espera por UTI

Hospitais seguem superlotados, mesmo com ampliação e corrida para abertura de novos leitos de UTI em SC; autoridades de saúde discutiram possibilidade de lockdown ainda nesta quarta

A fila de espera por leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em Santa Catarina teve um aumento de 15 pacientes em 24 horas. Os dados desta quarta-feira (17), indicam que o número total de pacientes que aguardam internação nessas unidades chega a 457 pessoas.

Atualmente, há 16 leitos adultos e oito leitos Covid-19 adulto livres. Contudo, segundo nota da Secretaria de Estado da Saúde, os dados são “virtualmente inferiores à realidade”.

uti; leitos; fila; sc; covid-19; pacientes; esperaFiéis fizeram fila de oração no Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. A unidade, assim como as demais de SC, sofre com o colapso do sistema de saúde, mesmo com seus tem 106 leitos ativos – Foto: Reprodução/Instagram/ND

Com a situação crítica, os hospitais já ensaiam a adoção do protocolo internacional de saúde, que prevê ofertar  assistência para quem tem maior probabilidade de sobreviver.

Conforme já foi reportado pelo ND+, os três hospitais que atendem casos de Covid-19 em Blumenau, no Vale do Itajaí, informaram que estão se preparando para selecionar os pacientes que terão prioridade de acesso aos leitos de UTI.

Atualmente há um total de 948 pacientes da Covid-19 internados em UTI, além dos pacientes que ocupam leitos de enfermaria. A expectativa para quem ocupa os leitos, porém, ainda é complicada.

A média de permanência é de 14 dias, e um estudo aponta que nacionalmente, seis a cada dez pacientes com a Covid-19 na UTI acabam morrendo. O artigo em questão foi publicado no The Lancet Respiratory Medicine, em janeiro, e fez uma análise de 254 mil hospitalizações de pacientes com mais de 20 anos, analisando casos de 16 de fevereiro a 15 de agosto de 2020.

O colapso no sistema público de saúde em Santa Catarina já foi anunciado há semanas, e atualmente é o principal problema para as autoridades de saúde, já que os 1.660 leitos de UTI ativos em todo o Estado não foram suficientes para conter tamanha demanda de pacientes.

Isso porque Santa Catarina vive uma alta na transmissibilidade do vírus, com 35,4 mil casos ativos atualmente.

Mesmo os mais estruturados dos 55 hospitais do Estado seguem lotados.

Unidades como o Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, apresentam situações críticas após a superlotação, com fiéis fazendo uma fila de oração.

O agravamento da pandemia obrigou autoridades a enviarem pacientes para outros Estados, como o Espírito Santo.

Dentre os cinco pacientes que foram transferidos para o Estado capixaba, três morreram. A morte mais recente foi de Hércules Antonio Senger, de 59 anos, que faleceu na segunda (15).

Ele estava internado em Chapecó, no Oeste catarinense, e foi levado para Vitória (ES) na terça-feira, dia 9 de março, pelo avião Arcanjo-02 do BOA (Batalhão de Operações Aéreas) do Corpo de Bombeiros.

Além da porcentagem que não resistiu ao vírus, o Espírito Santo também reportou alta na lotação de leitos e suspendeu as transferências na última sexta (11).

Mais de 100 pacientes estão na fila em Chapecó

Se analisada regionalmente, a fila ainda é maior no Oeste, na região de Chapecó, que soma 101 pacientes aguardando o tratamento em leito de UTI. Na Grande Florianópolis, são 81 pacientes na mesma situação.

Ambas as regiões mantiveram números iguais ou menos críticos do que no dia anterior, mas ainda apresentam o panorama com mais problemas em termos de assistência em saúde, mesmo tendo unidades bem estruturadas.

A região de Chapecó é justamente a que possui o hospital com mais leitos dentre as 55 unidades que ofertam UTI em Santa Catarina. No total, o HRO (Hospital Regional do Oeste) possui 109 leitos ativos.

O entorno de Chapecó foi a primeira parte de Santa Catarina que apresentou indício de colapso, que mais tarde veio a se estender por todo o território.

Lockdown em pauta após colapso

Há dias as autoridades do Estado discutem a possibilidade de um lockdown  em decorrência do agravamento da pandemia e do colapso do sistema público de saúde.

O governador Carlos Moisés (PSL) decretou fechamento dos serviços não essenciais, mas somente aos fins de semana, além de ampliar algumas restrições em dias úteis.

Nesta segunda (15) o assunto voltou à tona, com uma decisão judicial que determina que a gestão estadual discuta a medida com técnicos e divulgue a lista atualizada de espera por leitos de UTI e enfermaria a cada 24 horas.

As restrições são pauta de ação civil pública do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e da DPE (Defensoria Pública do Estado), que já pediram lockdown no Estado, no dia 10 de março.

A última tratativa é ainda desta quarta (17), com a reunião para analisar o cenário e a possibilidade de um fechamento no Estado. Novos integrantes foram nomeados para o Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde) durante a terça (16).

A partir dessa reunião, haverá mais um prazo de 24h para que o Estado adote as medidas apontadas por esse comitê.

Conforme apurado pelo ND+, com o atual cenário, não há possibilidade de lockdown em Santa Catarina. A expectativa é que outras ferramentas de combate à disseminação do vírus sejam adotadas.

Grande Florianópolis adota lockdown de sete dias

A região da Grande Florianópolis se adiantou nas medidas e decretou novas restrições, válidas até a próxima terça (23).

Entre as ações, está a suspensão das aulas presenciais, seja em escolas públicas ou privadas, em todos os níveis, mantendo somente o ensino remoto.

O transporte coletivo urbano municipal e interestadual poderá continuar operando, mas apenas com ocupação de 50% da lotação total do veículo, como já estabelecido pelo Governo do Estado. 

Ficou decidido ainda que as atividades não essenciais, conforme estabelecido no decreto estadual 1.200, estão suspensas das 18h às 6h, no período de uma semana. Após este horário, apenas entrega em casa e retirada em restaurantes estão autorizadas.

Durante o horário permitido para funcionamento, a lotação máxima permitida é de 25%. Você confere todos os detalhes do novo regramento aqui.

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