Vacina clandestina tomada por empresários era soro fisiológico, diz laudo da PF

PF apreendeu seringas e soro fisiológico em busca na casa da suposta enfermeira; vacina clandestina teve mais de 50 aplicações em garagem de BH com empresários

Um laudo da PF (Polícia Federal), divulgado nesta quinta-feira (1º), comprovou que as vacinas tomadas clandestinamente por empresários em Belo Horizonte, na verdade, eram soro fisiológico. As doses da vacina clandestina, aplicadas em uma garagem de ônibus, fora aplicadas em mais de 50 pessoas.

Durante buscas realizadas na casa da suposta enfermeira que teria vendido e aplicado os imunizantes, na terça (30), os agentes encontraram caixas de isopor, seringas e soro fisiológico.

vacina; clandestina; pf; soro fisiológico; empresáriosPoliciais apreenderam seringas e soro fisiológico – Foto: PF/Divulgação/ND

No local também havia um cronograma que citava “vacina covid Pfizer”, acompanhado da data 24 de março de 2021. Ao lado foi escrito o dia 18 de março.

Fontes ligadas à investigação relataram que os insumos não estavam refrigerados, o que reforça a possibilidade dos imunizantes terem sido forjados.

A mulher que seria responsável pela negociação é Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas. Na internet, ela se apresenta como técnica de enfermagem e cuidadora de idosos.

A suspeita foi levada para prestar esclarecimentos durante as buscas e pode responder por estelionato e falsificação de medicamentos.

Segundo a PF, Cláudia já tem registro policial por furto e teria negociado as supostas vacinas contra a Covid-19 com outras pessoas.

A outra possibilidade levantada pelos investigadores é de que os imunizantes tenham sido importados ilegalmente de outros países ou desviados do Ministério da Saúde.

A Pfizer já havia negado “qualquer tipo” de venda de vacinas para a iniciativa privada tanto no Brasil, quanto em outros países.

Operação já mirava vacina clandestina

Durante a tarde desta terça-feira (30), a Polícia Federal realizou a segunda operação relacionada ao caso revelado pela revista Piauí na última semana.

O filho de Cláudia, Igor Torres de Freitas, também é apontado como articulador do esquema de vendas de falsos imunizantes. Ele foi levado para prestar esclarecimentos na sede da PF.

O genro da cuidadora de idosos também foi levado para prestar depoimento e não ficará preso. Ele seria o motorista que levou Cláudia ao galpão da empresa Coordenadas, ligada ao Grupo Saritur, para aplicar o medicamento, no dia 23 de março. A reportagem tentou contato com a defesa da família.

Na última sexta (26), a Polícia Federal realizou a primeira operação relacionada ao caso, fazendo buscas no galpão das Coordenadas, após o R7 divulgar imagens da aplicação clandestina.

Uma lista com os nomes das 57 possíveis pessoas que receberam a dose do imunizante foi encontrada no local. Segundo os delegados, todos eles vão ser ouvidos nos próximos dias.

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