“Vacinação dos grupos prioritários termina no meio do ano em SC”, diz secretário de saúde

Em entrevista ao Grupo ND, André Motta Ribeiro, garantiu que as quatro primeiras fases da vacinação em SC devem ser concluídas até junho, no máximo julho

Em entrevista aos jornalistas do Grupo ND na tarde desta sexta-feira (12), o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, garantiu que as quatro primeiras fases da vacinação devem ser concluídas até junho, no máximo julho, em Santa Catarina.

“Vacinação dos grupos prioritários termina no meio do ano em SC”, diz secretário de saúde) – Foto: Reprodução/NDTV“Vacinação dos grupos prioritários termina no meio do ano em SC”, diz secretário de saúde) – Foto: Reprodução/NDTV

O secretário falou sobre o calendário de vacinação, aquisição de novos imunizantes, além do ritmo de vacinação e da distribuição das doses aos municípios. Reinfecção, nova cepa do coronavírus, crise no SAMU e a indicação do novo diretor do Hospital Infantil de Florianópolis também entraram na sabatina. Confira!

André Motta esteve em Brasília na última quarta-feira (10), onde ouviu de interlocutores do Ministério da Saúde que o país está negociando a aquisição de três vacinas: Sputnik, AstraZeneca e Jhonson & Jhonson.

“O Ministério da Saúde tem condições de entregar 140 milhões de doses até junho, o que são 70 milhões de pessoas vacinadas, 35% da população brasileira. Pega todas as quatro fases, por isso, estou falando que até junho ou julho, terminaremos as quatro fases iniciais da vacinação no Estado”, disse André Motta Ribeiro.

Aquisição de vacinas pelo Estado

Questionado sobre a aquisição de vacinas, Motta Ribeiro disse que os estados são proibidos de comprar imunizantes sozinhos. Ele disse que São Paulo não adquiriu doses diretamente e que o imunizante produzido pelo Butantan é distribuído de forma igualitária.

“O produto mais desejado no mundo, hoje, é a vacina” – Foto: Reprodução/NDTV“O produto mais desejado no mundo, hoje, é a vacina” – Foto: Reprodução/NDTV

“São Paulo recebe o seu quinhão, através do Ministério da Saúde. O único que recebeu um pouquinho diferente foi o Amazonas. Isso foi pactuado entre nós, por conta da situação lá”, disse Ribeiro.

Embora a compra de vacinas pelos estados seja proibida, o secretário disse que conversou com praticamente todos os laboratórios que produzem as vacinas da Covid-19. Segundo ele, a vacina da Jhonson & Jhonson se destaca: requer apenas uma dose e tem cinco anos de garantia.

Motta Ribeiro disse ainda que se o Ministério da Saúde tiver dificuldade e precisar de ajuda, os estados estão prontos. Se a negociação entre laboratórios e estados for liberada, ele tem a palavra do CEO da Jhonson & Jhonson no Brasil de que Santa Catarina receberá a oferta de compra primeiro.

“Esse jogo é muito cruel, muito player no mercado. O produto mais desejado no mundo, hoje, é a vacina. Temos muita gente jogando com dólar, euro. Não é um estado que vai entrar nesse jogo e sair vencedor”, disse o secretário.

Ritmo da vacinação no Estado

Sobre a velocidade da vacinação, o secretário disse que alguns municípios precisam vacinar três vezes mais rápido do que hoje.

“A gente está fazendo a gestão do processo desde junho, se corresponsabilizando, inclusive, na gestão de fecha ou não fecha. Os prefeitos e secretários municipais sabem como é a sua realidade”, disse Motta Ribeiro.

Distribuição

Abordando a distribuição das vacinas, o secretário de saúde disse que o Estado estava preparado para iniciar a vacinação no dia 20 de janeiro, mas começou dias antes.

“No dia 17, o Ministério da Saúde avisou que chegariam [as doses] e nós saímos correndo para buscar. Recebemos as vacinas, levamos para a central, onde as equipes separam os quantitativos que vão para as unidades descentralizadas”, disse o secretário.

De acordo com o secretário de saúde, o volume de vacinas que vai para cada município é informado por eles mesmos.

“Criamos as fases e colocamos prioridades, um espelho do programa nacional. O quantitativo é o município que informa, para as regionais, que informam para a central e a gente entrega o quantitativo proporcional. Isso está acontecendo em menos de 24h”, garantiu Motta Ribeiro.

Quilombolas serão incluídos no plano de vacinação de SC

Outra novidade apresentada pelo secretário de estado de saúde ao ND+ é que os quilombolas serão incluídos no plano de vacinação de Santa Catarina. Serão vacinados, no entanto, somente as 17 comunidades quilombolas reconhecidas.

“O plano federal ficou pronto e nós fizemos nosso plano estadual. Em um segundo momento, o governo federal incluiu quilombolas na primeira fase e nós tivemos que quantificar essa população, para incluir agora”, disse.

A partir da próxima segunda-feira (15), a faixa etária de vacinação dos idosos também será ampliada. Com isso, pessoas acima de 85 anos começarão a ser imunizadas.

Vacinas retidas

Sobre a retenção de vacinas pelo Estado, André Motta disse que isso ocorre somente no caso das doses da Coronavac. Ele explicou que é uma questão estratégica, para que os municípios tenham doses suficientes para fazer a primeira e a segunda aplicação.

“A Coronavac tem que ter a segunda dose entre 15 e 30 dias, se não a gente perde o efeito da vacina. É uma decisão do estado – pactuada – então seguramos as doses, para aquelas pessoas que receberam as primeiras”, disse.

Doses da Coronavac ficam retidas para que os municípios tenham imunizantes para segunda dose nos vacinados – Foto: Prefeitura de Joinville/DivulgaçãoDoses da Coronavac ficam retidas para que os municípios tenham imunizantes para segunda dose nos vacinados – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação

No caso da AstraZeneca, não precisa ser dessa forma, pois a segunda dose desse imunizante precisa ser aplicada somente 12 semanas depois da primeira:

“O Ministério da Saúde nos garantiu que poderíamos usar todas as 47,5 mil, porque em 12 semanas vamos receber a segunda dose. De acordo com a conta, uma nova remessa desse imunizante deve chegar no final de março.

Nova cepa

Sobre a nova cepa do coronavírus – que teve um caso confirmado em Joinville -, Motta Ribeiro disse que isso era esperado, pois todo vírus é assim. Ele citou o exemplo do H1N1 e disse que a nova cepa do coronavírus está sendo estudada e parece ser mais contagiosa.

“Não ficou muito claro ainda se ela é mais grave. Os laboratórios estão pesquisando e muitos colocaram que suas vacinas têm efeito protetor contra essas cepas que estão surgindo, até porque as variações não são tão grandes”, disse.

Reinfecção

Em relação aos casos de reinfecção que estão sob análise da FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz), 14 casos ainda estão em análise no laboratório do Rio de Janeiro e outros cinco foram descartados. O dado é de quinta-feira (11) e, até esse dia, não houve confirmação de reinfecção pela Fiocruz.

Crise no Samu

Em relação a crise no Samu e a ameaça de paralisação da categoria, André Motta lamentou o que está acontecendo e fez um agradecimento público às equipes do SAMU. “Estão diuturnamente nesse enfrentamento, assim como hospitais, emergências e UTIs”, disse.

De acordo com o secretário de saúde, os problemas no SAMU serão resolvidos – Foto: Thiago Bonin/NDTVDe acordo com o secretário de saúde, os problemas no SAMU serão resolvidos – Foto: Thiago Bonin/NDTV

O secretário disse que o Estado está acompanhando de perto o caso e que vai resolver. Ele disse que o Samu merece respeito, independentemente de quem está fazendo a gestão e que a normalidade do serviço será restabelecida em breve.

Segundo ele, o processo de trabalho com o OZZ, terceirizada responsável pelo gestão do SAMU no Estado, precisa ser revisto.

“Quando tenho um colaborador do processo que renuncia, ou diz que não consegue executar, porque, em tese, o Estado não estaria repassando, o que não é verdade, a gente tem que discutir: qual a dificuldade deles? No que a gente pode ajudar? E aí vamos chegar ao entendimento. O fato é: do jeito que está, não pode continuar”, disse o secretário.

Indicação no Hospital Infantil

Em relação a indicação do novo diretor do Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Florianópolis, Motta Ribeiro disse que Maxiliano de Oliveira será mantido. O secretário está surpreso com a resistência da indicação, pois todo diretor de hospital é um cargo de confiança do gabinete da SES e do governo:

“São pessoas escolhidas por nós, pela sua capacidade técnica, pelo trabalho reconhecido, o caso do infantil foi esse”, disse o secretário. Motta Ribeiro disse que abriu diálogo e que a questão deve ser equacionada: “o momento não é de divisão, é de união e entendimento. A indicação será mantida”, garantiu o secretário.

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